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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

O “meu” hotel

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 Já são alguns (muitos) os hotéis onde me alojei. Com mais ou menos estrelas, cada um deixou a sua marca por motivos únicos e particulares.

 Passar uma noite ou mais num hotel é (quase) sempre uma forma de viajar, de fugir das rotinas… e de sonhar. O tempo não conta; às vezes uma noite basta para nos encher a alma - sozinhos ou acompanhados. Talvez por isso seja comum ouvir a expressão: “Gosto da vida de hotel!” 

 Agrada-me a sensação de me deixar envolver pela ambiência e disfrutar do prazer da descoberta de novos espaços. Cada estadia representa um novo impulso rumo ao equilíbrio mental e físico. Uma lufada de ar novo na cadência da vida.

 Desde a sua abertura, em Janeiro de 2013, que o Riversuites se transformou no “meu” hotel preferido (em Coimbra).

 Ali mesmo ao lado do mosteiro de Santa Clara, do lado de lá da rua, encontrei um dia o pequeno hotel. Um edifício restaurado onde a simplicidade aliada ao conforto é a nota dominante. Um mundo despojado de luxo, mas muito confortável e acolhedor.

 Da janela avisto o rio e o outro lado da cidade. O “postal" ilustrado agrada-me – particularmente à noite. Sem dúvida um lugar acolhedor, muito arrumado e muito limpo.

 À noite o silêncio embala-me e eu deixo-me levar pela tranquilidade envolvente… e penso: há espaços que se tornam “nossos” sem o serem.

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NOTA: o Riversuites ganhou em 2014 o certificado de excelência segundo o Tripadvisor. Sem dúvida o hotel com “a melhor relação qualidade/conforto/localização/preço existente na região”.

 

Livros… (do momento e de sempre)

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 Mais um domingo a chegar ao fim e eu sem tempo para ler o suficiente - e o desejável. Uma constatação de anos. Resultado: muitos livros que gostaria de ler (e de reler).

Como disse John Ruskin: «Os livros podem ser divididos em dois grupos: aqueles do momento e aqueles de sempre.»

 Quanto aos “livros do momento” duas obras se destacam na mesinha de cabeceira: “A Sombra do Vento” (de Carlos Ruiz Zafón) e “A festa da Insignificância” (de Milan Kundera). Duas escritas distintas, mas ambas envolventes. O primeiro pela criatividade semântica e o enredo labiríntico numa Barcelona da primeira metade século XX; o segundo pela forma como aborda a “existência contemporânea” vazia de sentido.

 Nos “livros de sempre” - que são muitos, destaco para além dos Maias (do grande Eça de Queirós), o romance: “Vai aonde te leva o coração” de Susanna Tamaro. Não só pela escrita - leve e cativante, mas pelo conteúdo. Uma lição de vida que me marcou para sempre. Ainda hoje, nas mais diversas situações, a máxima do final da obra me acompanha: “Senta-se (…) e “vai aonde te leva o coração”. Porque, também eu, considero que na Vida só o “Amor” pode decidir - bem ou mal.

Crianças “atrevidas“ ou Crianças insolentes?

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 Há dias uma intervenção do meu neto de três anos e meio deixou-me completamente boquiaberta. Enquanto o petiz mantinha um diálogo com a bisavó paterna interrompi a conversa, para dar o meu parecer sobre o assunto em debate. Resultado: o pequeno, de rompante, diz: «Tu chamas-te avó Teresa?» Não – respondi. «Pois não, tu és a avó Gi.» Retorquiu o pequeno homem. «Então… eu estou a falar com a avó Teresa, percebeste?» Inquiriu-me veementemente o pequeno. Fiquei sem palavras. A criança, para além de se revelar expedita, revelou capacidade de argumentação.

Desde aquela ocorrência que me questiono: estarão as crianças a ficar mais “atrevidas”?

 O episódio supra citado - apesar de singelo e inconsequente -, exemplifica o que venho constatando (como docente) há já algum tempo: as crianças estão cada vez mais extrovertidas e o “à vontade” reina no seu mundo. Estar à vontade com regras é bom e deseja-se. Afinal, ser autónomo e possuir espírito crítico são finalidades da educação. O pior acontece quando o atrevimento resvala para a insolência. Nesse caso, entramos no domínio da indisciplina.

 No meu tempo, sobretudo na escola primária e no ciclo preparatório (atuais 1º e 2º ciclos do Ensino Básico) a timidez e o recato eram as caraterísticas dominantes. Excetuando um ou outro caso de alunos mais irreverentes, os professores mantinham a ordem com relativa facilidade; muitas vezes “arrancar uma palavra” dos alunos, para estimular a participação, era uma verdadeira odisseia. Nos tempos que correm mante-los calados e atentos é obra de mestre. Hoje ninguém duvida que a indisciplina é um problema estrutural que afeta os nossos jovens.

 O que está na origem destas mudanças comportamentais? O que os leva a pensar que já são “grandes” e que a conversa dos adultos é “conversa mole”? Porque estão cada vez mais desobedientes e desinteressados das atividades escolares?

 Talvez os pedopsiquiatras e os pedo psicólogos tenham a resposta para estas e outras questões. Não duvido disso. Entretanto, professores e encarregados de educação - unidos -, terão de concertar esforços para colmatar o problema de indisciplina.

Nota: esta opinião é pessoal e vale o que vale. O texto não pretende fazer generalizações: apenas reporta a situações que, julgo, se repetem, hoje em dia, com muita frequência.

Rio acima...

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 Lá longe o som do motor - quase silencioso -, anuncia o início da faina. Lentamente a pequena embarcação afasta-se, rio acima, nas águas calmas da tarde. Enquanto isso, eu, sentada na escarpa da nora, aceno ao casal de pescadores.

 Pouco tempo depois, o motor desligar-se-á; a D. Antónia começará a remar, enquanto o marido lançará o tresmalho[1]. Se as condições meteorológicas ajudarem talvez a pescaria resulte e valha a pena o sacrifício de mais uma noite ao relento.

 Mas por vezes o temporal não facilita e a noite termina cedo - debaixo do velho oleado ou na casa mais próxima. Lembro-me (na perfeição) de ver chegar o Sr. Álvaro e a esposa (a falecida D. Antónia) à casa da minha avó (mais tarde a casa dos meus pais) quando o tempo não ajudava e o regresso se antecipava; o que acontecia com alguma frequência no inverno.

 A sua chegada quebrava as rotinas da casa e animava as hostes. Sempre bem-disposto, o Sr. Álvaro lá chegava com um muge (ou mais) dentro de um saco – às vezes na própria mão -, para oferecer aos da casa. Entre uma conversa e outra - junto à lareira -, a sua presença era sempre uma alegria.

 Como a alegria que os pescadores incutiam ao rio com as suas lanchas coloridas. Cenas de uma vida difícil que a resiliência e o empreendedorismo colmatavam.

 A arte da pesca, que, há séculos constitui um meio de sobrevivência de muitas populações ribeirinhas, tem vindo progressivamente a decrescer. Alguns pescadores, de entre os mais velhos, já partiram… outros há que, alegando questões de vária ordem, abandonaram a atividade; os que restam deparam-se com muitas dificuldades e na maioria dos casos a pesca é, agora, uma atividade paralela.

 Apesar de tudo, de vez em quando, nas águas calmas da tarde, avisto uma lancha. E penso: ainda há pescadores no rio Guadiana. Poucos, mas há. A paixão pelo rio continua e nós – mertolenses -, agradecemos-lhes.

 

 

[1] Uma espécie de rede, usada durante todo o ano, cujas caraterísticas variam em função da espécie de peixe a capturar. Há tresmalhos para muge (tainha), saboga, barbos, bogas, achigãs, etc.

 

Coimbra tem... (sempre) encanto

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 Sempre que deixo a cidade do Choupal a saudade inunda-me a alma e a nostalgia teima em passar. Como diz a canção: “Coimbra tem mais encanto na hora da despedida (…)”, e eu testemunho: Coimbra tem sempre encanto.

Sem o bulício das grandes cidades, a cidade do conhecimento propícia (a meu ver) uma qualidade de vida acima da média.O espaço urbano veste-se de verde e respira sossego. A natureza impõe-se aos olhos de quem passa… e o rio beija a cidade, como dois amantes inseparáveis. De noite, ou de dia, o par romântico faz as delícias dos visitantes.

 Naquela noite, a chuva – miudinha, convidava ao recato e ao conforto de um espaço acolhedor para jantar. Sai do hotel e atravessei o rio; ali bem perto, na margem esquerda, junto ao Parque Verde, o restaurante Itália acolheu-me na noite fria. A receção à chegada fez-me sentir em casa. Há simpatia no acolhimento (e atendimento) e os clientes habituais (ou não) são carinhosamente tratados e aconselhados na escolha do menu.

 A decoração, romântica - apesar de ultrapassada -, confere ao espaço uma atmosfera harmoniosa e confortável. Das largas vidraças - que emolduram a sala, avisto o rio. Suas águas, parecendo negras - como breu -, correm devagar; sobre as mesmas um manto de luz reflete a cidade (quase) adormecida.

 Enquanto espero, vagueio naquela imagem… acordo com o cheiro forte do queijo Parmigiano-Reggiano, dentro do qual o chef prepara a “Pasta alla Forma”, uma das delícias gastronómicas da casa.

Tudo perfeito: a comida, o ambiente e a companhia.

Mais uma noite… para guardar na memória do meu tempo, em Coimbra.

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Porque (hoje) é sábado...

 Gosto do sábado e dos rituais a ele associados: bebericar um café da manhã (tardio) e ler o jornal sem pressas nem atropelos. Em suma: disfrutar do prazer de ler - em ambiente relaxante e sem condicionalismos.

 O sábado lembra-me: tempo com tempo; tempo de descontração e lazer. Em casa ou fora dela, os planos envolvem (quase sempre) momentos de leitura - atenta e hermenêutica.

 Não é por acaso que as lojas Fnac me atraem (particularmente); gosto do ambiente - em geral, e do silêncio dos livros - em particular. Disfrutar do prazer de mexer e remexer naquele mundo literário à disposição; fascina-me estar ali: a folhear livros e a fantasiar desfechos de histórias reais ou ficcionadas. No final - da tarde ou da manhã -, o objeto do desejo acompanha-me… e eu, satisfeita, saio com mais um livro no saco preto das letras bancas.

Natal (antecipado)

 Dei conta que a palavra Natal já invadiu a blogosfera: já muitos falam da quadra festiva.

 Aproxima-se a época das “luzes” e das “prendas”, do consumismo desmedido. Em dezembro a correria às lojas deixa qualquer pessoa à beira de um ataque de nervos. Entra tudo em desvario perfeito e os atropelos nos corredores dos fóruns (e congéneres) são mais que muitos. Prefiro pensar o Natal como o momento para comemorar o nascimento de Jesus Cristo. Um momento de partilha em família.

Por isso me questiono: já há luzes e árvores de Natal à venda? E campanhas de brinquedos?

 Mas faz algum sentido? Claro que sim (dirão alguns). Esquecia-me da sociedade de consumo onde vivo e com a qual pactuo (digo eu). Todos sabemos que o impacte económico do Natal é uma realidade em crescendo; mas começar no início de novembro a falar do Natal - como se estivéssemos a quinze dias do acontecimento propriamente dito - acho um pouco exagerado.

 Outra coisa que me arrelia imenso: o que oferecer a fulano, beltrano e sicrano? Nada, penso eu. Oferecer presentes porque sim, não faz qualquer sentido. Se queremos oferecer algo a alguém façamo-lo em qualquer dia. Ou façamo-lo no dia de Reis – à semelhança do que fazem os nossos vizinhos espanhóis. Talvez aí o simbolismo da oferenda tenha - à luz do pensamento religioso - outro cabimento, bem mais aceitável. Julgo eu.

 Por diversas razões, não aprecio particularmente a época; mas respeito quem vive intensamente a quadra natalícia. Sonhar é preciso e o Natal propicia-se a isso. Feliz Natal, antecipado.

De passagem... (por Mora)

 

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 Atravessei campos verdejantes, avistei aldeias e vinhas, vilas e olivais. Soube-me bem esta travessia por terras alentejanas. Às vezes descobrindo - outras revisitando - lugares serenos, tranquilos… lugares mágicos.

 Cheguei cedo a Mora. A procura de um lugar - onde pudesse degustar um lanche - arrastou-me para o centro da pequena vila do Alto Alentejo.

 Durante algum tempo detive-me no centro da praça junto aos correios. Uma casa - aparentemente banal - contígua a uma torre com  relógio?[1] Indaguei-me, sem resposta no momento.

 Sentei-me na esplanada a sentir o tempo fluir, devagar. Invadida por uma onda de bem-estar, limitei-me a saborear um "arrepiado de côco" (uma especialidade local) enquanto observava em meu redor. Sábado, cinco da tarde: a vila pareceu-me tranquila e pacata. As poucas pessoas presentes falavam quase em silêncio… e uma calma bucólica perpetuava-se no espaço.

Coisas simples... banais - dirão alguns; mas carregadas de sentido (digo eu).

 Foi em Mora, mas podia ter sido noutro sítio qualquer. Seja qual for o lugar - no Alentejo - há uma magia única nos campos e nas terras. O silêncio invade os espaços e prolonga-se para lá do horizonte. No ar o cheiro intenso das ervas anestesia os sentidos e perde-se na imensidão da planície…e dessa forma me encontro e converso comigo mesma: repenso a Vida e sonho - mais um pouco.

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 (Sugestão: para alojamento - o Hotel Solar dos Lilases; para almoçar ou jantar - o Restaurante Afonso, uma referência nacional)

 

NOTA: [1] A imponente Torre do Relógio, situada no centro da vila de Mora, faz parte do edifício com construção do século XVI e que em tempos deu lugar aos Paços do Concelho. Edificado, não se sabe ao certo se antes ou depois de Mora ter recebido Foral Manuelino (23 de novembro de 1519). Consultado em: http://www.cmmora.pt/pt/conteudos/conhecer+o+concelho/freguesia+de+mora/Torre+do+Relogio.htm

 

 

 

 

 

 

http://www.booking.com/hotel/pt/solar-dos-lilases.pt-pt.html?aid=311098;label=hotel-39743-pt-cB0yX4ol7GPBYTbCxu6aBgS2868674777;sid=9ac061ce91c9570017e75cec49bb848a;dcid=4;ucfs=1;srfid=8188bfef0be3aa35bd43901413b3579848c7e6aeX1;highlight_room=