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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

O "Diário" (íntimo)

 Quem se lembra do famoso “Diário”, aquela espécie de bloco de notas íntimas, de capa rija, habitualmente com um pequeno cadeado acoplado, onde as raparigas (adolescentes) relatavam os seus amores platónicos, as suas angústias e os seus sonhos?

 Era ali, naquele mundo secreto e oculto, que se debitavam as mágoas, quando os dias pareciam mais cinzentos e a esperança no futuro se desmoronava; ali se transcreviam as frases e os pensamentos mais emblemáticos e mais originais (ou não) sobre o Amor e a Amizade.

 No famoso “caderninho”, quase sempre resguardado do olhar reprovador da mãe (ou dos irmãos mais coscuvilheiros), destacava-se entre as palavras, exageradamente românticas, do texto, um coração trespassado pela seta do Cupido. O símbolo do amor era presença constante nas ilustrações, daqueles relatos íntimos.

 O famoso “Diário”, tal como foi concebido, foi sendo, gradualmente, substituído pelas Redes Sociais (Facebook, Twitter, etc.) e outros meios, igualmente virtuais. Aquilo a que chamo: diários íntimos da “idade do tântalo”. Neles vamos fazendo a catarse de Tudo! Com mais ou menos imaginação, mais ou menos humor, maior ou menor criatividade, cada um escreve, transcreve (ou plagia, nalguns casos) sobre aquilo que lhe dá mais prazer. Ou sobre aquilo que julga conhecer melhor, para agradar (ou não) aos seus “leitores”.

 E, sem darmos conta, de forma ténue e quase impercetível, vamos deixando o Mundo entrar na nossa Intimidade. O que, nem sempre é bom. Aliás, às vezes é mesmo mau. Digo eu.

O "poder" e a "magia" das palavras

 Hoje, apeteceu-me escrever sobre a “magia” das palavras e o seu “poder” infinito na linguagem, mas dei conta que um simples exercício de escrita me conduzia a uma situação quase plagiante: desde um blogue, com nome semelhante, ao título de livros e/ou outros documentos alusivos ao tema, a dificuldade em evitar “temas comuns”, ou já excessivamente abordados, deixou-me perplexa. Resultado: optei por escrever sobre o efeito das palavras na minha pessoa, isto é, sobre aquilo que deveras sinto, despida de pré-conceitos (e, porque não, preconceitos).

 E pergunto: quem nunca se sentiu fascinado a ler um livro, a ouvir uma canção, a escutar alguém ou, simplesmente, a ler uma frase ou pensamento, por mais simples que fosse?

 As palavras são (quase) sempre mágicas! O seu poder determinante constitui a alavanca para a Vida, sobretudo, quando o desalento se apodera da mente e a força anímica se esvai. Às vezes, uma palavra certeira no caos da emoção pode fazer a diferença entre: estar (ficar) bem ou não.

 Palavras ditas, escritas, pensadas, sentidas, ocultas… são as palavras que nos norteiam e condicionam os atos. Palavras que animam (ou não); palavras que fazem sonhar; palavras que mentem; palavras vãs ou, simplesmente, inúteis.

 Seja como for, é a força das palavras que nos move e guia na direção das nossas convicções. Por isso digo: o “poder” das palavras é, absolutamente, mágico.

O “amigo” de todas as horas (e de toda uma Vida)

Era tarde! Tão tarde, que o tempo tardava em passar.

E Tu, ali, perante mim, assistias ao meu desespero, perante a ausência do sono… E, sem dares conta, aninhado no meu colo, fazias-me sonhar. Sonhos de uma vida. Rendida às tuas palavras, deixo-me levar, no mar de pensamentos que me provocas.

E penso: quem sou sem Ti? Um vazio profundo na “escuridão”. Fazes-me falta! Sempre.

 

Hoje, a propósito de livros, a propósito do Dia Mundial do Livro - o “amigo” de todas as horas e de toda uma Vida.

Túberas - as "trufas alentejanas" (?)

 Falar de túberas é o mesmo que falar de trufas? Eu julgo que sim. Aliás, creio que as túberas são uma variedade de “trufas brancas”. Há, até, quem lhes chame as “trufas alentejanas. Seja como for, as túberas são fungos, comestíveis, de forma arredondada (mais ou menos irregular), com sabor e aroma intenso, que se encontram com relativa facilidade nos campos do Alentejo. Desde a época romana que as “trufas” constituem uma iguaria muito apreciada, podendo atingir preços verdadeiramente exorbitantes.

 Por aqui, no Baixo Alentejo, estamos (ainda) em plena época da “apanha da túbera”. E não, não é necessário “cães e porcos” para farejar o solo e encontrar túberas. O segredo, passado de geração em geração (e muitas vezes bem guardado), consiste na capacidade de observação do terreno e de sinais (evidentes ou não) da presença das ditas.

 Desde criança que assisto ao “ritual” da procura dos famosos fungos: um sacho para revolver a terra, um chapéu na cabeça para proteger do sol que se faz sentir nesta altura do ano, e uma dose (grande) de paciência e sabedoria, diria. Normalmente, é nos terrenos mais “moles”, segundo os entendidos, lavrados há 2/3 anos e com “mato novo” que as túberas aparecem com maior frequência. Há, inclusive, uma linguagem muito própria deste ritual. A presença de uma zona do solo soerguida, com fendas, o chamado “escarchão” é, por norma, um sinal a reter. Caso se encontre alguma túbera isolada, também, não deve abandonar-se o local, pois nas proximidades estará, diz quem sabe, um conjunto maior das ditas – a chamada “leira”.  A minha avó materna, uma expert na matéria, depois de encontrar uma túbera isolada, tinha por hábito trautear uma espécie de lengalenga que, segundo a sua crença, ajudaria a encontrar o referido conjunto: “Parceira, parceira, dá-me a tua leira!”

 Como a tradição (neste domínio) ainda é o que era, apanhar túberas continua a ser um acontecimento frequente nos campos alentejanos, sobretudo, nos meses de março e abril - às vezes mais cedo (em fevereiro) se o inverno tiver sido chuvoso. Para além do prazer da degustação de tão famosa iguaria, ir para o campo procurar túberas é uma forma saudável de conviver em família (por exemplo) em contato direto com a natureza. 

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Nota: túbera[1] – cogumelo com a parte esporífera subterrânea, em regra, comestível; trufa.

 

 

[1] in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-04-13 14:17:44]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/túberas

“Viajar cá dentro”

 Há uns anos viajar significava, quase sempre, sair do país. Nos tempos que correm, o conceito de “viajar cá dentro” está cada vez mais em voga. Hoje, muitos de nós desejam, afincadamente, conhecer em primeiro lugar o seu próprio país.

 O que aconteceu? Uma inversão de vontades? Ou uma imposição de vontades? Seja lá o que for, importa salientar esta mudança de atitude.

 No limite, na base dessa alteração, encontramos alguns conceitos fundamentais: “turismo em espaço rural”, “turismo de habitação”, “agroturismo”, “enoturismo”, entre outros. Novos modelos de desenvolvimento do turismo - que ganharam relevo e adeptos – constituem vertentes potenciadoras de um novo olhar sobre o que é “nosso”. Uma estratégia que permite contactar de perto com as belezas naturais de Portugal.

 Mais próximos da natureza, valorizamos, mais, o que este país tem de melhor: clima, paisagens, história, património, gastronomia e cultura. Uma riqueza incomensurável que os nossos escritores (clássicos) tão bem souberam apreciar - e descrever nas suas obras literárias. Quem não se lembra, por exemplo, das idílicas paisagens de Sintra, minuciosamente descritas por Eça de Queirós na sua obra “Os Maias”? Para não falar de outras magníficas paisagens deste país, que Almeida Garret tão bem caracterizou no livro: “Viagens na minha terra” ou, porque não, “Os Serões da Província” do Júlio Dinis, etc. Tantas descrições, quantas as paisagens que Portugal nos oferece.

 Por outro lado, a crise económica e financeira que atravessamos - e que despoletou nas famílias uma contenção nos gastos - reprimiu desejos e vontades mas proporcionou um conhecimento mais efetivo da nossa realidade.

Diria mesmo: “viajar cá dentro” é uma mais-valia porque “só se ama aquilo que se conhece”.

 

 

A "segunda adolescência"

 

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  Faz tempo, durante uma conversa com uma amiga de longa data, esta temática veio a propósito de pessoas adultas imaturas. Dizia-me essa amiga: “Há pessoas que permanecem, eternamente, na segunda adolescência.”Apesar de compreender no imediato a conotação subjacente à afirmação proferida, fiz questão de debater mais um pouco o tema em causa. Uma breve troca de ideias e eis a conclusão de tão interessante abordagem: depois dos “quarenta” (há quem refira mesmo, aos 42 anos) homens e mulheres, não aceitando o processo de envelhecimento natural, desenvolvem determinados comportamentos - muitas vezes desajustados da idade - porque pretendem manter-se “eternamente” jovens. Nunca satisfeitas, essas pessoas correm o risco de se desviar do “caminho do autoconhecimento”, uma ferramenta fundamental para os “ajudar a ultrapassar as sucessivas crises pessoais que irão surgir ao longo da vida”de uma forma "mais madura".

 Se, às citadas crises pessoais, acrescentarmos, nomeadamente, um processo de divórcio, as consequências serão maiores e mais difíceis de gerir. No limite essas pessoas vivem acontecimentos traumatizantes que vão influenciar o seu comportamento futuro, em termos de sexualidade (e não só) - entendendo-se o conceito de sexualidade nas suas várias dimensões: biológica, social, cultural, ética, moral, religiosa, etc.

 Todos os acontecimentos pessoais provocam instabilidade emocional - frequentemente geradora de conflitos interiores - que conduz a uma de duas vias distintas (e possíveis): a via do equilíbrio - com tranquilidade e paz interior - e a via da agitação emocional permanente – a denominada “segunda adolescência”. Antes de se atingir o estádio de equilíbrio, quase todos passamos pela fase do caos emocional.

 Os problemas surgem quando não conseguimos ultrapassar essa fase de desequilíbrio. Nesse caso, dizia-me a citada amiga - com algum conhecimento na matéria - fica-se eternamente preso a um estádio de agitação perpétua, a já referida “segunda adolescência”, à qual se associa o popular e pejorativo conceito: “velho(a) jarreta[1]”.

Será mesmo assim?                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

 

[1] Termo (muito usual entre nós) que está, frequentemente, associado a pessoas com comportamento leviano e/ou inconsequente e, de alguma forma, descontextualizado da idade biológica.

 

Em plena serra... (com o mar no horizonte)

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 Quando o cansaço se instala e me sinto “a precisar de férias” procuro, se possível, refúgios tranquilos. Seja defronte do mar, seja no meio do campo, qualquer sítio que proporcione silêncio e relaxamento é o ideal.

 Foi num desses fins-de-semana, em que o corpo (e a mente) clamava por descanso, que rumei ao sul. Bem perto do Alto da Foia, numa colina da Serra de Monchique, em pleno montado de sobro, disfrutei do VilaFoia, um alojamento local, de cujo quarto pude apreciar a beleza circundante, com o mar no horizonte. O conforto e a tranquilidade do local têm nota máxima. Um espaço magnífico para recolhimento, no seio da natureza (quase) selvagem.

 A proximidade à vila de Monchique permite chegar, rapidamente, a qualquer restaurante para almoçar ou jantar, sem se perder de vista o objetivo primeiro: descansar, relaxar, contemplar ou, simplesmente, nada fazer e/ou pensar.

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 Nota: recomendo jantar (ou almoçar) no restaurante "A Charrete" (em pleno centro histórico da vila de Monchique).

Desafio...

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Já fui desafiada pelo menos três vezes! Esta é a segunda vez que respondo a um desafio. Numa primeira vez - tinha tanto trabalho acumulado - não tive hipótese de responder no imediato, acabei esquecendo... Peço desculpa a quem me "nomeou". 

 

Desta vez fui “nomeada” pela Magda do http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/tag/desafio com este "exercício" :-)

  • Responder a todas as perguntas.
  • Nomear 5 blogs ou fazeres por ti mesmo e comentar no blog onde viste a Tag.
  1. Há quanto tempo tens o teu blog?

    1 ano e 1 mês.

  1. Em que dia é que o teu blog foi criado?

    09 de março de 2014 (espero não estar errada .

  1. Sem ires ao painel, quantas visualizações tens, aproximadamente?

    16 000 ? (segundo o painel de estatísticas, no último ano)

  1. Sem ires ao painel, quantos comentários tens, aproximadamente?

    160? (segundo o painel 170)

  1. Quantas mensagens publicadas tens?

    164

  1. Quantos seguidores tens?

    16 subscritores

  1. Quem mais sabe da existência do teu blog?

    Amigos e a família.

  1. Já alguma vez pediste conselhos a outro blogger?

    Pedi ajuda à equipa do Sapo (no início) para tirar dúvidas relacionadas com o           “visual” do blog e, recentemente, à Magda Pais.

  1. Lembras-te perfeitamente de todos os layouts que o teu blog teve?

    Acho que foram dois (?)

  1. Que opinião achas que as pessoas têm do teu blog?

Não consigo saber com exatidão! Os amigos dizem que gostam, mas como os nossos amigos nos mimam muito…

 

Em suma, acho que conheço, razoavelmente, o meu blog! ;-)

 

5 blogues a quem passo o desafio:

 

Crónicas de um café mal tirado

http://blogs.sapo.pt/profile?blog=cronicasdeumcafemaltirado

 

Casal mistério

http://blogs.sapo.pt/profile?blog=ele

 

Mini-saia

http://mini-saia.blogs.sapo.pt/

 

O Arrumadinho

http://oarrumadinho.sapo.pt/

 

A melhor amiga da Barbie

http://blogs.sapo.pt/profile?blog=amelhoramigadabarbie

 

 

 

 

 

 

 

Há pessoas (realmente) especiais

 Na semana passada, após breve conversa com a mãe de uma amiga de longa data, perguntei-me: porque será que certas pessoas, por mais tempo que estejam afastadas de nós, continuam a ser-nos tão especiais? A sensação de falar com alguém, de quem estivemos separados no tempo e no espaço e sentir, de imediato, o afeto, o carinho e a confiança de outrora é, no mínimo, reconfortante.

 Há pessoas assim: tão especiais que não mudam em nada. Pelo menos aos nossos olhos, continuam iguais (a si mesmas) e a confiança que transmitem envolve-nos num manto de paz e carinho. Por instantes o tempo regride e os afetos voltam, como se nunca tivessem sido interrompidos. São portos de abrigo que nos acolhem sempre que as tempestades chegam. Um gesto e uma palavra de amizade que chegam, muitas vezes, de forma inesperada.

 Tive a sorte de me cruzar com pessoas assim. Algumas (felizmente ainda presentes) são aquilo a que chamo: encontros perfeitos numa vida de imperfeições; raios de luz na penumbra.

Ter amigos assim é uma dádiva. Obrigada.

“Toma um anti-histamínico que isso passa!”

Uma das frases mais associada à primavera. Desde os dezoito anos que a famosa rinite alérgica teima em entupir-me o nariz e fazer espirrar, pelo menos, dez vezes seguidas. Nos primeiros anos descurei e pensava: “Já estou outra vez constipada!” Normal ou não fosse a congestão nasal, um incómodo comum. Na altura vivia perto da siderurgia nacional (em Paio Pires). O ar poluído da zona era, na minha opinião, a causa. Nada mais errado. As crises alérgicas sazonais tinham (e têm) como causa, essencialmente, a exposição ao pólen. No outono, a coisa leva-se um pouco melhor; na primavera, com a temperatura amena a chamar-me para as caminhadas na natureza, o sofrimento agudiza-se.

No passado sábado resolvi passear no parque verde da cidade de Coimbra. Caminhava eu, descontraidamente, quando reparo no ecrã da máquina fotográfica: estava todo salpicado de minúsculos pontinhos amarelos (quase invisíveis). Pensei: mas que “pó” é este? Ingenuidade a minha. E mais, ainda, quando tenho o conhecimento mínimo desses grãozinhos - maléficos para a saúde de alguns de nós - que contaminam o ar nesta altura do ano.

Desde ontem, em resultado dos passeios ao ar livre (que tanto aprecio), a alergia atacou-me forte e feio… E a popular frase supra citada fez todo o sentido.

 

Nota: agora percebo a razão da existência da Rede Portuguesa de Aerobiologia, um serviço público gratuito, disponibilizado pela SPAIC – Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, onde se pode consultar o boletim polínico (semanal) com dados para todas as regiões do país e concentrações por tipo de pólen, para além de uma série de conselhos úteis para quem sofre de alergias.

 

 

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