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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

A surpreendente Valladolid

 Imaginava Valladolid uma cidade dormitório. Uma cidade comum sem qualquer cunho de personalidade. Uma cidade da rota dos emigrantes. Imaginei-a (erradamente) uma cidade sem atrativos, sem alma, igual a muitas. Mas, naquele dia, sair da rotina e ir viajar era motivo de sobra para ficar alegre e bem-disposta. O resto, pouco importava (no caso a cidade destino).

Parti em direção a Badajoz. Fronteira passada e eis-me na grande “autopista” com destino a Cáceres. Aí passaria a primeira noite (de três). Depois da logística relativa ao alojamento, parti de imediato à descoberta da cidade. Como habitualmente dirigi-me ao centro histórico. É aí, por norma, que calculo rotas, planeio visitas e disfruto dos sabores locais.

Depois de deambular por avenidas, ruas e vielas entrei na Plaza Mayor. Magnífica (exclamei). A luz ao final da tarde, com um brilho especial, dava aos edifícios que ladeiam a praça um ténue tom dourado. A sensação de estar ali no meio foi extraordinária. Por momentos senti-me em Sienna (Itália). Tenho esta tendência de revisitar (mentalmente) locais que me marcaram. Neste caso em concreto, foi a semelhança da arquitetura dos edifícios e da praça central que despoletou tal reação. Foi aí, também, ao som da música dos artistas de rua, que comi as tradicionais tapas.

 

Plaza Mayor (Cáceres)

 

No dia seguinte a partida fez-se bem cedo para evitar as horas de maior calor. Estrada fora em direção ao Parque Nacional de Monfragüe. Nos desfiladeiros, junto ao rio Tejo, houve lugar a uma paragem no emblemático local designado “Salto del Gitano”, para observação de aves de rapina (sobretudo abutres). O calor, imenso, não diminuiu o entusiasmo e a observação das ditas aves (com binóculos, claro) constituiu um dos momentos altos da manhã. Dali segui caminho, atravessando terrenos do parque. A paragem seguinte foi para almoçar umas deliciosas “costeletas de borrego grelhadas” (cujo sabor ainda guardo na memória) na Casa Rural de Monfragüe, um restaurante junto à estrada e junto ao Centro de Interpretação Ambiental do parque, onde se come maravilhosamente bem. Depois desta agradável paragem, esperava-me o magnífico Vale de Jerte (o vale dos cerejais como lhe chamei).

 

"Salto del Gitano" (Parque Nacional de Monfragüe)

 

Naquele vale, para além dos milhares de cerejeiras, a presença do rio Jerte confere ao local caraterísticas peculiares quer em termos geomorfológicos quer em termos climáticos. Aí, comi cerejas maravilhosas e disfrutei de um banho refrescante numa das inúmeras cascatas. Para não falar de toda a paisagem idílica da região. Valeu a pena a travessia do vale (a qual recomendo vivamente).

 

 Cascasta e cerejeira em flor (Vale de Jerte)

 

A chegada a Valladolid ao final da tarde foi verdadeiramente surpreendente. A expectativa inicial rapidamente se dissipou e a vontade de explorar cada recanto da cidade era enorme. Um cidade moderna, limpa, bem organizada e, fundamentalmente, uma cidade sustentável onde impera a qualidade de vida. Os responsáveis pela política local, pessoas empenhadas e com visão estratégica, têm como objetivo principal da sua gestão, tornar Valladolid uma cidade atrativa com elevado nível de empregabilidade, capaz de competir na economia global. Foi esta a noção com que fiquei depois de conhecer (ainda que muito superficialmente) aquela cidade. De resto, as fotos falam por si.

 

Valladolid (locais mais emblemáticos do centro histórico)

 

 

Nota: a primeira e a última imagem da sequência de fotografias da cidade de Valladolid dizem respeito à Plaza Mayor (uma das maiores praças de Espanha e que serviu de modelo para a construção das Plazas Mayores de Madrid e de Salamanca).