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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

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(Cinco) razões para visitar Mértola

 Dizia-me (ontem) um casal de viajantes “sem rumo” (ele inglês, ela francesa): «A primeira vez que subimos o rio, em direção a Mértola, e nos deparámos com a vista desta vila na encosta, ficámos boquiabertos. Esta paisagem deslumbrou-nos!». Hoje, passados alguns anos, estão de volta à vila museu. O pequeno veleiro, ancorado no rio, junto à ponte, serve-lhes de abrigo há quinze anos.

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 Tal como este casal, muitos turistas, ultimamente, escolhem Mértola como destino. Há várias razões para incluir a pequena vila alentejana nos circuitos turísticos. Pessoalmente indicaria cinco motivos para visitar Mértola: o património histórico e cultural; a envolvente natural; os eventos culturais, usos e costumes das gentes; os recursos cinegéticos e os produtos tradicionais.

 A pequena vila - humilde e plena de encantos (e mistérios) – há muito se impôs na margem direita do Guadiana. Companheiros de sempre. De mãos dadas, caminhando, resistentes aos séculos e às agruras da vida... Um percurso feito a dois, para sustento da sua comunidade.

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 Um breve encontro no centro da vila – no histórico café Guadiana - e avanço calcorreando as ruas. Em cada esquina me detenho. No empedrado, gasto pelo tempo, vislumbro a História… tantas histórias para reviver, tanta cultura para lograr. Abraço esse passado com garra e continuo revisitando espaços.

 Voltas e reviravoltas e o meu olhar recai no ex-libris de Mértola - a torre do relógio. Sem dúvida alguma, um dos monumentos mais bonitos da vila. Porventura o mais vezes pintado, pela mão do malogrado artista Mário Elias. Um ícone da arquitetura local, sem rival. De noite, ou de dia, a emblemática obra junto à muralha virada para o rio, não passa despercebida.

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 Para além daquele símbolo arquitetónico, outros se impõem no velho burgo: o castelo e a igreja matriz. E, mais eu andasse, mais haveria para destacar no que ao património histórico e cultural de Mértola diz respeito. Um mundo de outrora - presente nas ruelas íngremes e estreitas.

 Chego ao castelo. O centro do burgo antigo. Dali avisto o horizonte longínquo e a envolvente que me circunda: um ondulado sem fim que me transposta para épocas distantes.

 Recuo no tempo. Quase trezentos milhões de anos me separam do mar profundo que banhou estes terrenos. Mundos extintos, gravados nas rochas, e cuja presença se impõe (ainda hoje) sob os mais diversos aspetos - como a faixa piritosa onde nos situamos, o pulo do lobo e outras estruturas geológicas de suprema importância no concelho.

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 São estas riquezas naturais que me seduzem. Há um mundo natural por descobrir aqui. A diversidade de fauna e flora do Parque Natural do Vale do Guadiana – com destaque para as espécies cinegéticas - são motivos suficientes para uma estadia aqui.

 Continuo a minha “viagem” e dou por mim no outro lado do rio: em Além-rio. Nunca percebi muito bem (ou percebo) esta minha forte atração por este” bocado” de Mértola. Ali, sinto magia no ar - sobretudo no silêncio da tarde (e da noite). A visão do casario (na encosta oposta) surge majestosa. Poderosa mesmo. Sinto-me pequenina e humilde. Uma sensação de nostalgia invade-me (sempre) o pensamento. De repente apetece-me recuar no tempo e rever pessoas, factos e eventos… como todos os eventos culturais que animam este povo e estas gentes: o festival islâmico, a feira da caça, a feira do mel, queijo e pão (e tantos outros por este concelho dentro). Um mundo de tradições, de usos e costumes, de sabores, únicos e intemporais.

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 Vale a pena uma incursão nesta terra – à semelhança do que um dia fez o casal de viajantes - nem que seja por um dia. Mértola agradece (e as suas gentes também).

 

 

 

 

 

 

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