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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

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Crianças “atrevidas“ ou Crianças insolentes?

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 Há dias uma intervenção do meu neto de três anos e meio deixou-me completamente boquiaberta. Enquanto o petiz mantinha um diálogo com a bisavó paterna interrompi a conversa, para dar o meu parecer sobre o assunto em debate. Resultado: o pequeno, de rompante, diz: «Tu chamas-te avó Teresa?» Não – respondi. «Pois não, tu és a avó Gi.» Retorquiu o pequeno homem. «Então… eu estou a falar com a avó Teresa, percebeste?» Inquiriu-me veementemente o pequeno. Fiquei sem palavras. A criança, para além de se revelar expedita, revelou capacidade de argumentação.

Desde aquela ocorrência que me questiono: estarão as crianças a ficar mais “atrevidas”?

 O episódio supra citado - apesar de singelo e inconsequente -, exemplifica o que venho constatando (como docente) há já algum tempo: as crianças estão cada vez mais extrovertidas e o “à vontade” reina no seu mundo. Estar à vontade com regras é bom e deseja-se. Afinal, ser autónomo e possuir espírito crítico são finalidades da educação. O pior acontece quando o atrevimento resvala para a insolência. Nesse caso, entramos no domínio da indisciplina.

 No meu tempo, sobretudo na escola primária e no ciclo preparatório (atuais 1º e 2º ciclos do Ensino Básico) a timidez e o recato eram as caraterísticas dominantes. Excetuando um ou outro caso de alunos mais irreverentes, os professores mantinham a ordem com relativa facilidade; muitas vezes “arrancar uma palavra” dos alunos, para estimular a participação, era uma verdadeira odisseia. Nos tempos que correm mante-los calados e atentos é obra de mestre. Hoje ninguém duvida que a indisciplina é um problema estrutural que afeta os nossos jovens.

 O que está na origem destas mudanças comportamentais? O que os leva a pensar que já são “grandes” e que a conversa dos adultos é “conversa mole”? Porque estão cada vez mais desobedientes e desinteressados das atividades escolares?

 Talvez os pedopsiquiatras e os pedo psicólogos tenham a resposta para estas e outras questões. Não duvido disso. Entretanto, professores e encarregados de educação - unidos -, terão de concertar esforços para colmatar o problema de indisciplina.

Nota: esta opinião é pessoal e vale o que vale. O texto não pretende fazer generalizações: apenas reporta a situações que, julgo, se repetem, hoje em dia, com muita frequência.

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