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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Na "boca da ribeira"

Caminhada longa. Entro na “boca da ribeira”. Assim lhe chamam os mertolenses. Aprecio este sítio (aliás sempre gostei de ali passar). Há magia naquele local. É uma espécie de fim e de início de percurso… ali começa, por exemplo, o Percurso Ribeirinho, um dos caminhos pedestres disponíveis para quem quer descobrir Mértola.

 

Ponte da Ribeira de Oeiras (Mértola)

 

Na encosta virada a sul, uma velha casa de múltiplas janelas (quase todas diferentes) sempre captou a minha atenção. Aprecio cada uma. Às vezes demoro-me na contemplação. Porém, o som do motor do pequeno barco no rio, ao fim da tarde, despertou-me a atenção e fez-me regressar a outros tempos (e a toda uma vida). Repentinamente, aquele som reavivou memórias de dias magníficos de verão. O meu verão azul! E tudo ganhou vida em meu redor. As cores dos pequenos barcos a remos (as lanchas do Guadiana), o cheiro das ervas molhadas junto à margem, o chilrear dos pássaros na ribeira. Sinto na pele a água fresca da maré...

Desço apressadamente o caminho até ao rio. Mas ainda há tempo para apreciar a “casinha” do Zé da Ludovica a meio da descida, decorada com temas alusivos à pesca. Fico, mais uma vez, curiosa. O que terá no seu interior? Continuo a descida...

Chego à Torre do Rio e ali me detenho por instantes, mirando os velhos “torreões” resistentes ao tempo e às memórias. Sento-me no rochedo contíguo e aprecio o “além rio” onde a grande “casa amarela”, (quase) vaidosa, se destaca das restantes. Respiro fundo o odor das ervas. Deixo-me levar na corrente do pensamento e ouço os “moços da vila velha” em algazarra no penedo de onde mergulham aos pares para a água tranquila da maré cheia…

Havia (muita) vida no rio! Penso.

E a pequena lancha deixando atrás um rasto na água calma, que gradualmente se desvaneceu, transporta-me para o presente e afasta-se… não como as memórias do rio, que permanecem até hoje (até agora).

 

 

 

Casinha do Zé da Ludovica

 

 

Torre do Rio

 

 

Além Rio (vista parcial)

 

 

Lancha no Rio

 

 

NOTA: o termo "boca da ribeira", muito usado entre os mertolenses, é referente à foz da Ribeira de Oeiras (um afluente do rio Guadiana), junto à vila de Mértola.

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