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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

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Na "rota dos sabores" (6)

Há quem diga que “não há coincidências”. Também eu o digo. Todavia, há acontecimentos que por inéditos ou improváveis (nalguns casos) adquirem o estatuto de incomuns. “Raridades” como gosto de lhe chamar. Foi assim, num destes dias (em jeito de fim de férias), que dei comigo a comer “cozido à portuguesa” no primeiro e no último dia de uma saída cá dentro.

No primeiro dia a opção (antecipadamente pensada) recaiu sobre o cozido do restaurante Canal Caveira, uma casa sobejamente conhecida de grande parte dos portugueses. Ou, pelo menos, conhecida de todos aqueles que no verão rumavam a sul por alturas de julho e agosto. Ainda me lembro das longas filas de carros que por ali se alinhavam estrada fora. Na altura (anos noventa), costumava parar ali para comer uma deliciosa “sandes de carne assada” que naquele local me sabia ainda melhor. Hoje em dia, e sempre que tenho tempo, faço um desvio e lá vou eu degustar o dito cozido (apesar dos ” remorsos”, à posteriori, pela ingestão da dose extra de calorias).

 

 

 

O "pecado" no restaurante Canal Caveira

 

Férias quase terminadas e eis-me de regresso. O dia tinha amanhecido cinzento mas morno. O itinerário, pouco atrativo (acho) no que à paisagem respeita, tinha sido pensado em função do objetivo daquele dia: visitar o museu da Lourinhã (um museu de paleontologia, arqueologia, arte sacra e etnografia). Fazia tempo que desejava conhecer a região (e os vestígios) de alguns dos “gigantes do jurássico e cretácico” que por lá viveram há vários milhões de anos. Foi esse “período” da Geoistória que me atraiu até à Zona do Oeste.

 

 

 

Secção de paleontologia do museu da Lourinhã

 

Visita terminada e rumo a sul. Atravesso a Zona Oeste em direção à serra de Montejunto. Nada motivou a minha paragem. Campos lavrados, cultivados, macieiras em flor, casas vulgares (iguais a muitas). A monotonia da paisagem chegou a causar-me nostalgia. Não podia sentir-me assim. Pensei. Afinal tinha acabado de passar uns dias maravilhosos.

Entro finalmente na zona da serra de Montejunto. A paisagem muda totalmente. O cheiro intenso e fresco do eucaliptal do sopé acordou-me da letargia do pensamento e deu-me energia suficiente para apreciar o ambiente. Subi ao miradouro e apreciei o horizonte longínquo. Uma volta a pé e decido começar a procurar um sítio para comer.

 

 

Vista norte a partir do miradouro da serra de Montejunto

 

Opto por continuar viagem pois alguém me diz que por ali não se come muito bem.

Voltas e reviravoltas e chego à Abrigada (uma povoação nas faldas da serra) junto da encosta sudeste. Aqui encontro a adega típica “Chico Pequeno”, assim chamada porque o primeiro proprietário era um “homem pequenino” (segundo me disseram). E lá estava eu a comer, outra vez, “cozido à portuguesa” (o prato do dia) pois o apetite era grande e não havia paciência para esperar mais. Acabei por comer (apenas) uma sexta parte da dose, tal era a riqueza (e quantidade) das carnes do dito.

 

 

 

Detalhes da sala da adega "Chico Pequeno"

 

Nota: durante a degustação do "cozido" na adega "Chico Pequeno" escrevinhei (mentalmente) este post. Coincidências, pensei.

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