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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

(Na) "Sintra do Alentejo"

De todos os textos que li no decurso da visita à Sinagoga, no bairro da judiaria, em Castelo de Vide, este foi o que prendeu a minha atenção: «O meu trabalho é feito de errâncias e de viagens, de uma constante procura e isso vem do judaísmo.» (Daniel Blaufuks, fotógrafo, 2004). Eu diria: o meu crescimento enquanto pessoa faz-se através do conhecimento, da procura constante da sabedoria do Mundo. Aproveito as viagens para desvendar segredos dos povos e suas tradições. Durante a visita à Sinagoga percebi (mais um pouco) a essência do povo judaico. Os seus usos, as suas crenças e tradições. Percebi que hoje (sábado) caso fosse judia, não poderia escrever este post, pois o sábado (Shabat) é um dia de descanso e reflexão espiritual. Um dia sagrado, durante o qual não se podem realizar determinadas tarefas, entre as quais, escrever. Mas como não sou nem tenho ascendência judaica aproveito o momento pós visita à “Casa da Assembleia” (outro nome dado à Sinagoga) para refletir e revisitar (mentalmente) a “Terra dos Cardadores”, nome dado a Castelo de Vide, com origem na comunidade de judeus que por ali permaneceu longo tempo e cujo principal ofício (entre outras atividades a que se dedicavam) era “cardar a lã”.

 

 Rua na Judiaria e placa no exterior da Sinagoga

 

Sentada no relvado junto à “Pedra de Alentejo” (uma escultura de rua), próxima das piscinas municipais, aproveito os últimos raios de sol do dia e repito (mentalmente) o percurso que acabei de fazer naquela a que chamam: Sintra do Alentejo. Muito próximo dali tenho a nítida sensação de um dejá vu: na travessia do frondoso jardim do parque, um velho e alto cipreste (e plátanos enormes) transporta-me aos parques da bela cidade. Mais à frente, o imponente casario de casas apalaçadas (algumas), que se ergue na pequena encosta à minha direita é, também, prova de tal semelhança. Também os pináculos das torres da igreja de Stª Maria da Devesa e o branco das suas paredes me fazem lembrar (imagine-se) o Palácio Nacional de Sintra. Semelhanças que os meus olhos (e a minha memória) querem ver. Tão simplesmente isso.

 

"Pedra de Alentejo"

 Igreja Stª Maria da Devesa (exterior e interior)

 

 

Detalhe da Igreja de Stª Maria da Devesa (em cima) e Fonte de Montorinho (em baixo)

 

Continuo “caminho” e chego à “Porta da Vila”. Ali hesito entre uma visita ao castelo ou o burgo medieval. Opto pelo burgo. As casas (quase todas de pequena dimensão) destacam-se pelas portas encarnadas e de arco ogival. Esta é uma característica da arquitetura local, dominante por todo o centro histórico, sobretudo, no burgo e na judiaria. As floreiras junto às portas e nos muros dão às ruas um colorido especial. Junto a uma das casas, uma pedra esculpida com duas caras (um casal) adorna a entrada. Questiono o seu significado e o porquê da sua presença ali. Imagino histórias, vislumbro afetos...

  

 "Porta da Vila" (em cima) e Burgo Medieval (em baixo)

 

 Porta e pedra esculpida no Burgo Medieval

 

Continuo e desço até à “Porta de S. Pedro” de onde avisto a vastidão da paisagem para ocidente. Detenho por ali alguns instantes. Aproveito e tiro fotografias. Regresso à “Porta da Vila” para visitar o castelo mas a hora (já tardia) impediu-me de concretizar tal intenção. Estava fechado. Lá ficaram os núcleos museológicos por visitar.

Desço agora até à judiaria (cuja visita haveria de concretizar no dia seguinte) e sigo até à “Fonte da Vila” um dos ex-libris de Castelo de Vide. Aprecio o pequeno monumento. A água fresca e cristalina que jorra intensifica-me a sede. É ótima (alguém me diz) e eu confirmo bebendo da mesma.

Continuo subindo e descendo ruelas, estreitas e íngremes, de calçadas floridas e chego à Praça D. Pedro V. Aqui e ali vou observando detalhes que me prendem a atenção. Acabo na loja da Sofia, onde comprei a famosa boleima (um bolo típico com maçã e canela).

 

 Praça D. Pedro V e monumento ao Músico

 

Loja da Sofia

 

Nota: mais haveria para contar... porque há muito para ver em Castelo de Vide (e arredores) dada a sua localização privilegiada: Parque Natural da Serra de S. Mamede.

 

 Panorâmica de castelo de Vide a partir da ermida da Srª da Penha

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