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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

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O excesso de TPCs

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 Desde ontem que a frase do “pequeno homem” não me sai da cabeça: “Mãe, tenho pena de mim!” Assim pronunciou - a mãe, o queixume do filho de dez anos, durante um desabafo sofre a falta de tempo nos nossos dias. Depois de me informar sobre o porquê do desalento da criança, acabei anuindo.

 O excesso de trabalhos de casa (os TPCs) era o motivo. Dizia-me aquela mãe que o seu educando se sentia (e ela própria também), por vezes, muito cansado, pois para além do tempo dedicado às aulas, ainda passa algumas horas a realizar os ditos afazeres. Contabilizando: se em todas as disciplinas, diariamente, for agendado trabalho para casa, no final do dia dá uma média de nove ou mais horas dedicadas à escola. Se a tudo isto adicionarmos o tempo gasto no percurso entre a casa e a escola (nalguns casos, uma ou mais horas), que tempo resta aos alunos? Muito pouco (ou nada).

 Parece-me que o pequeno tem razão. Sem tempo para brincar nem para as tropelias da idade, as crianças sentem a sua infância hipotecada por uma preocupação precoce. Quer por influência dos pais, quer por culpa do sistema, carregam o peso da responsabilidade social: ser o melhor.

 Vivemos numa sociedade exigente e seletiva do ponto de vista social. Uma seleção que projeta uma imagem de perfeição. E nós, humanos imperfeitos, vivemos no turbilhão social a tentar encaixar-nos nessa imagem padronizada: desfocada do real e virada para o exterior; uma imagem frequentemente sem sentido para o nosso Eu e que conduz à frustração.

NOTA: sou professora e não sou, de modo algum, contra os TPCs. Apenas considero que há excessos. Conheço alunos (dedicados) que se queixam da falta de tempo para estudar para os testes devido ao excesso de trabalhos. Como em tudo na vida, o excesso é prejudicial. Em vez de surtir efeitos positivos passa a ser contraproducente. O que é mau – digo eu.