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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

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O “velhinho” Café Guadiana

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 Mesmo ao lado da muralha - na entrada para o centro histórico da vila de Mértola - o velhinho (mas sempre renovado) café Guadiana vai resistindo à evolução dos tempos.

 Da esplanada - no terraço sobranceiro, sente-se o pulsar do burgo: quem passa - na estrada; quem entra e quem sai da pequena loja gourmet - na esquina em frente; quem chega e quem parte do largo. Estrategicamente localizado, o emblemático estabelecimento marcou a vida social da vila museu, sobretudo, durante a segunda metade do século XX.

 Embora exista um movimento típico no largo Vasco da Gama - que dinamiza e agita o sítio - nada se compara aos cenários de outrora: aqui chegavam os velhos autocarros da Eva e da Rodoviária - que asseguravam o transporte para outras regiões, ali se situava a praça de táxis e a maioria dos estabelecimentos comerciais mais relevantes na altura.

 Havia azáfama nas horas da chegada e da partida… e o fumo negro dos escapes entranhava-se e cheirava à distância. Por entre a nuvem de gases, deambulando entre um cigarro e um “copo de três”, o velho Faxenita- figura típica, animava as conversas e incutia-lhes a novidade desejada. Nada ficava no segredo dos deuses depois de chegar aos ouvidos do velho moço de recados.

 Por entre o alvoroço - junto à antiga paragem dos autocarros, o pregão dos gelados Nicolau entoava nos ouvidos dos transeuntes. Aqui e além uma ou outra criança - puxando as saias da mãe - lá alcançava o desejo: comer um “gelado de baunilha com cobertura de chocolate” (o mais apetecido de todos).

 Enquanto na rua a agitação das gentes se fazia sentir, no interior do café o tempo decorria a outro ritmo. Um tempo tranquilo e mais direcionado para notícias do dia. Entre uma ou outra coscuvilhice, uma ou outra brejeirice, os homens – principais frequentadores do café naquela época - trocavam ideias e teciam negócios com cheirinho a café e bagaço. Um cenário dos filmes de Copolla, numa atmosfera de aromas… persistentes - até hoje, na minha memória.

 Havia cadeiras e mesas estrategicamente colocadas - de frente para a porta de entrada, para uso exclusivo da elite local. Diz-se, até, que um certo senhor abastado teria ali a “sua cadeira” e que ninguém ousava lá sentar-se. Outros tempos, outras mordomias.

 O tempo passou e alterou a história. Hoje - apesar do ritmo social ser outro, há temáticas que continuam a gerar verdadeiras tertúlias: caça e futebol. Temas imutáveis que atravessaram gerações (e famílias) e que o Henrique - o funcionário mais antigo no café - faz questão de manter.

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