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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Pinta(n)do a sépia...

 Olho em redor. O que vejo? Um quadro envelhecido, quase a desvanecer-se. Cores pálidas. Sulcos profundos - numa tela desgastada pelo tempo - que magoam os olhos e a alma de quem os vê. Uma vila, envelhecida e triste, onde quase nada resta do passado (recente). Os jovens partiram para parte incerta (ou não); os residentes estão cansados e resignados. Há apreensão no olhar e apatia nos gestos.

 Nada se compara ao movimento de outrora. As ausências fazem-se notar, daqui, da esplanada sobranceira ao largo. Sinto os espaços a envelhecer.

 A música que embala o tempo é outra: mais triste e melancólica, mais compassada. Sem ritmo. Assisto ao êxodo - apática e sem estímulo para reagir - porque, também eu, faço parte do quadro.

 Enquanto isto, duas jovens caminham ao ritmo do tempo; mais abaixo, uma idosa vai desafiando as pedras da calçada, enquanto o corpo luta pelo equilíbrio…

 Sei que os olhos constroem a imagem, mas, apesar disso, o que vejo não me agrada de todo. Quem me dera poder pintar de novo o quadro que tenho pela frente. Rejuvenescê-lo-ia e dar-lhe-ia brilho e movimento… tingi-lo-ia de mil cores, como se da primavera se tratasse. Cruzar-me com a alegria nas ruas e sentir o sonho no rosto de quem passa… voltar a ver sorrisos inesquecíveis, rostos eternos…

 Não posso. Sei que não posso alterar o quadro de uma Vida, mas posso, pelo menos, avivar as cores da memória e brincar com os desejos do momento.