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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Ponte(o) de encantos e desencantos

Sou da era dos sistemas analógicos. Do tempo em que os jovens não dispunham de internet (nem redes sociais) para ocupar os tempos livres. Quando o convívio entre os jovens era feito em tempo real. De partilha de momentos em grupo.

Desses momentos, únicos, recordo (entre outros) os “passeios à ponte”. Era, sobretudo, no verão, ao fim da tarde e/ou à noite, que esses passeios tinham lugar mais amiúde.

 

 Ponte sobre o rio Guadiana (Mértola)

 

Quem não se lembra das idas à ponte nas noites quentes de verão? Ali se contavam histórias, se teciam enredos, se cantavam serenatas, se viviam paixões. Local de encontros e desencontros. De paixões, amores incompreendidos, de falsidades até. Ali, longe de tudo e de todos, os jovens sentiam-se protegidos dos olhares indiscretos e da “censura social”. Por ali se afirmava o espírito sixty da época. Alguns desses jovens viviam noutros locais e regressavam nas férias trazendo consigo ideias novas, “ideias da moda” (como alguns lhe chamavam). O que agradava, sobretudo, àqueles que sem grandes posses não podiam sair e libertar-se, desse modo, das amarras da família e da sociedade.

Era, especialmente, nas noites de luar que os jovens, em grupos, dispersos pelo passeio da ponte, se entretinham com longas tertúlias, as quais se prolongavam madrugada fora. Muitas vezes, o som de uma viola ecoava mais além e o dedilhar nas cordas, quebrando o silêncio da noite, dava outro ritmo à conversa. Outros tempos, outras vivências. Tempo de partilha, tempo para os outros.

  

  Mértola vista da ponte (e tabuleiro da ponte em baixo)

 

E assim, a velha ponte sobre o Guadiana, elegante e majestosa, palco de recordações (boas e más), marcou a vida da juventude mertolense ao longo de várias gerações.

Os passeios, esses, continuaram (até hoje) mas com outro significado e sem o glamour de outrora.

 

 

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