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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

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Ser avó (hoje)

 

O alarme acabou de tocar. São sete horas da manhã de sábado. Apesar do cansaço da semana de trabalho, sinto-me enérgica e entusiasmada com a tarefa que se segue. Ser avó “a tempo inteiro”. Tarefa complexa, atendendo à idade dos pequenos, mas ainda assim prazenteira e compensadora. Sabe-me bem ser avó. É voltar a ser mãe. Mais madura, mais paciente e mais atenta a tudo. O prazer do sorriso franco dos meus netos supera qualquer dissabor da vida quotidiana. A sua alegria contagiante anula qualquer réstia de pessimismo da vida.

Neste dia a as tarefas duplicam. Entre papas e mudanças de fralda, banhos e histórias para adormecer e dois passeios pela quinta (a meio da manhã e ao fim da tarde) para ver os animais e contatar de perto com a natureza, ainda há tempo para cozinhar umas paparocas caseiras para o resto da família pois as responsabilidades não cessam e há que manter em equilíbrio toda a estrutura.

Na minha infância os avós eram “velhos”. Homens e mulheres de cabelo grisalho (às vezes branco) que contavam histórias inesquecíveis. Daquelas que acautelavam para a vida e ensinavam (sempre) qualquer coisa. Os tempos mudaram e alteraram o perfil dos avós. Hoje, os avós são “jovens” ativos, com múltiplas tarefas a seu cargo (ainda) e uma dose de preocupações acrescida. São pessoas cansadas da profissão e das vicissitudes da vida. Pessoas preocupadas, tristes e deprimidas (muitas) sem alegria e sem tempo para os outros. Anseiam por férias num lugar tranquilo. Outras, felizmente, são pessoas alegres, bem-dispostas e que acompanham a evolução dos tempos modernos.

Também é verdade que, hoje em dia as crianças dão menos trabalho. O papel antes reservado aos pais e aos avós foi em parte transferido para a escola e para as “novas tecnologias”. O educador deixou de ser real e passou a ser virtual. Mas os avós, apesar de tudo, continuam a ser uma referência fundamental (julgo).

Os valores transmitidos pelos avós deixam marcas profundas nos netos. São base da sua personalidade. Quem sou? Para onde vou? Questões fundamenais e fortemente condicionadas pelas vivências na infância. Nesta fase da vida, todos os valores transmitidos desempenham uma função fortemente construtiva e alicerçante da personalidade futura. Marcantes, diria. Desengane-se quem considera que os mimos dos avós estragam. Os mimos e os afetos robustecem-nos e dão-nos mais confiança. Tornam-nos pessoas mais sensíveis e mais solidárias. Por isso quero mimar muito os meus netos e, simultaneamente, transmitir-lhe os ensinamentos que os meus avós (e o meu bisavô materno) me transmitiram. Valores que marcam. Valores imprescindíveis à vida em sociedade: família, amizade, humildade, honestidade e solidariedade.

 

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