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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

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Ser Mulher (hoje)

Longe de ser um post feminista, este, visa abordar um tema universal. Uma condição igual a muitas outras, com a particularidade de abordar temáticas mais vocacionadas para o género feminino. Porque sou mulher, apeteceu-me abrir a maleta das “coisas de mulheres” e partilhar opiniões, gostos, angústias, paixões. Um mundo de desejos muitas vezes oculto e reprimido.

Se na idade média, para não recuar mais além, a grande maioria das mulheres via o seu papel reduzido à reprodução e lida doméstica, a partir de meados do século XX, com as alterações sociais, a maioria das mulheres adquire qualificação, entra no mercado de trabalho e passa a disputar lugares de chefia com os homens. Uma luta que dura até hoje. A emancipação da mulher alterou o seu estatuto social. Torna-a mais ativa e consciente dos seus direitos, não permitindo a discriminação. Exige regalias entre os pares, demonstra capacidades e sentido de responsabilidade. Assume a liderança e, com ela, o respeito e a confiança de todos. A mulher de hoje vai à luta e não dá tréguas. Desdobra-se em múltiplas funções e assume cada uma delas com espírito de missão.

Se outrora era difícil “ser mulher” nos dias que correm mais difícil se torna. Há uma visão de perfeição extrema. A “fasquia” está muito alta (diria). Desde logo o aspeto físico. O culto do corpo generalizou-se e com ele a alteração do padrão de beleza física. É certo que os meios à disposição são outros e muito diversificados. A evolução das técnicas e métodos para travar o envelhecimento alterou grandemente o modelo de beleza padronizado. A própria globalização também contribuiu para as modificações introduzidas.

Há poucos dias, numa breve conversa com uma senhora brasileira, ainda relativamente jovem, dei por mim a falar de estética e beleza no feminino. Um mundo que sempre me fascinou desde miúda. Um mundo tão importante quanto outros que perfazem a nossa existência. Dizia a dita senhora: “No Brasil, você pode até passar sem comer, viver na favela, mas para cuidar do corpo, da pele e do cabelo você sempre arranja dinheiro… (…)”. Da realidade brasileira que conheço apreendi essa lição. No Brasil, há uma cultura do corpo e da mente muito diferente da nossa. Somos “cinzentos” dizem os brasileiros. A mulher cuida-se muito e preocupa-se com o aspeto físico. Felizmente por cá essa preocupação já começa a ser notória. Os ginásios proliferaram nos últimos anos, as dietas que apregoam milagres são mais que muitas, os tratamentos de beleza são mais frequentes, ir ao cabeleireiro e à manicura/pedicura é uma rotina instalada, as compras na internet eliminaram fronteiras e distâncias. O mundo da moda globalizou-se e entrou nas nossas casas. Também é verdade que beleza ganhou novos contornos. Há mais rigor e exigência com o aspeto físico do indivíduo.

Apesar das alterações de que há pouco falava, em Portugal ainda existe o costume de chamar fúteis às mulheres que se preocupam com o lado estético. Uma atitude social que considero redutora. Está provado (cientificamente) que um corpo harmonioso e saudável torna mais confiante a pessoa. E se estamos bem connosco mesmos, estamos bem com os outros. Não duvido que a nossa autoestima contribui para o nosso sucesso pessoal global.

Em termos pessoais destacaria outra vertente, a afetiva. A mulher valoriza (muito) os afetos. Sem dúvida que o tipo de relacionamento condiciona a forma como encaramos a vida. A submissão ao outro há muito que deixou de ser uma constante. Nos relacionamentos de hoje o espírito de partilha é a base da durabilidade e qualidade das relações afetivas. Porque a mulher trabalha a par do homem, exige, deste, igual empenho e envolvimento nas tarefas familiares e domésticas. Os jovens (homens) de hoje são formatados (socialmente) para essa forma de encarar a vida a dois. Estou plenamente convencida de que muitos divórcios da geração atualmente com 40/50 anos ter-se-iam evitado caso a mentalidade (e atitude) socio cultural fosse outra. A cultura da máxima: “a mulher é de casa e o homem da rua”, do tempo das minhas avós e bisavós foi completamente ultrapassada. E ainda bem. A liberdade de expressão global da mulher na segunda metade do séc. XX levou ao assumir de um estatuto completamente oposto. A mulher lutou, reivindicou e alcançou um estatuto pessoal e profissional digno de registo. A igualdade de oportunidades é a tónica na qual deve assentar a sociedade do futuro.

Mas “ser mulher” é fácil? Não. Digo-o com toda a convicção. Ser boa profissional, gerir a economia doméstica e a estrutura familiar nuclear, manter-se “jovem e bela” e evitar que a rotina se instale no casamento (ou outra qualquer relação afetiva) é difícil e dá trabalho. Mas, como em tudo na vida, sem esforço e sem empenho não serão alcançados os objetivos mínimos. A vida sem lutas não faz qualquer sentido. Ultrapassar obstáculos é uma constante da vida do comum dos mortais. Aguça o engenho e arte de vencer. Dá forças para prosseguir mesmo nos momentos mais difíceis. E, em casos extremos de dificuldade, o último dos recursos: o sonho. Sonhar sempre. Acalenta a alma e preenche vazios.

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