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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Mudar é possível

Dois livros (O Poder do Agora e Um Novo Mundo), o mesmo autor (Eckhart Toole), o mesmo poder das palavras. Dois livros que fizeram a diferença entre todos os livros que já li. Assuntos atuais, vistos por um especialista em espiritualidade e controlo da mente. O " poder do Agora" e o "despertar de uma nova consciência" são textos que nos ajudam a utilizar o potencial do momento presente e a controlar a nossa mente. Para alguns, o tema pode parecer bluff, mas não deixa de ser interessante pensar sobre o assunto e no modo como estes livros têm ajudado a alterar comportamentos de milhares de pessoas. Os textos revelam-se motivadores e geradores de alterações na personalidade dos leitores predispostos à mudança. Só basta desejar mudar e estar sensibilizado para as questões espirituais. Tudo, naturalmente, associado a disciplina mental e treino. Como qualquer atividade desportiva, também a mudança comportamental se consubstancia no treino regular e na vontade férrea de alcançar resultados positivos. O que é perfeitamente possível, pois a personalidade humana altera-se ao longo da nossa vida, segundo comprovam estudos científicos, levados a cabo na segunda metade do século XX.

Estado de(a) alma

Quando o pensamento decide descansar um pouco, as lembranças acompanham-no, dando lugar a um estado de descontração único. Hoje, é um dia desses. Sinto a alma sossegada e a mente adormecida. Sinto-me em paz. Não é um estado que se deseje e se tenha no imediato, é um estado aprendido, treinado. Assim, respirando o ar fresco da manhã, bebo um café e deixo os acontecimentos mundanos lá "fora". Neste "recanto", onde só entra quem eu quiser, sinto a tranquilidade invadir-me.

A menina e o mar

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No ar um bando de gaivotas orquestra melodias em círculo, o sol beija-lhe a pele e a brisa refresca-lhe o rosto húmido dos dias. Tem a alma contida numa nuvem de sonhos, no peito uma mão cheia de afetos, mas continua Ela mesma: a menina de sorriso fácil e olhar profundo. Sempre que o tempo lhe permite é ali que regressa para contemplar o mar - seu companheiro de horas esquecidas. Repousa o corpo na areia morna da praia e o pensamento na cartilha da Vida. Constrói sonhos, aventuras, viagens... recosta-se na memória e deixa-se levar como folha caída. Voa, livre, sem rumo nem coordenadas, até onde o desejo a levar. Só ela mesma e o pensamento que a transporta para lá desse mar. Enquanto bebe o silêncio e a paz do momento, sente na boca o travo amargo da saudade, mas continua fiel a si mesma, olhando o mundo pelo filtro do perdão, do amor e do carinho. Não dá conta do tempo passar... No horizonte o sol faz-lhe adeus e sussurra-lhe ao ouvido uma canção de esperança: ama-te, renova-te, porque o amanhã não tarda e será breve e incerto.

“O caminho faz-se caminhando”

Às vezes caminhamos, outras vezes tropeçamos. Se há pedras no caminho, só temos que saber contorná-las e acreditar que há (sempre) um amanhã melhor. Acreditar é sonhar. Porque sem Sonho a Vida não existe, existe sobrevivência.

Enquanto caminho, medito. Leio o pensamento. Ler só por ler, sem julgar antecipadamente e/ou inutilmente. É assim que prefiro caminhar. Sem pressas, sem devaneios, sem rumo. Só eu e o tempo que o Tempo me dá. Caminhando e observando o mundo, sem juízos de valor. Desse modo estou bem comigo e com o universo. Num estado de energia plena e de bem-estar, sem pensar no passado e/ou projetar o futuro. Diria antes: estou Zen - um estado que me permite ” beber um café comigo mesma”.

 

O inverno (também) tem coisas boas

Considerada (por muitos) uma estação “cinzenta”, o inverno pode ser, também, uma época agradável dependendo das circunstâncias de modo e lugar de cada um.

Há muitas coisas – simples, mas agradáveis – que podemos fazer no inverno, que nos proporcionam prazer: ficar em casa, numa tarde chuvosa, com lareira acesa, a ler um livro, a fazer zapping ou, simplesmente, a “blogar” no sofá até que escureça; pelo meio, beber um chá de “folhas verdes” da horta, acompanhado de torradas com compota caseira. Ao fim-de- semana - se o programa incluir saída de casa -, jantar fora e ir ao cinema é a combinação perfeita. O quentinho das salas de cinema (às vezes exagerado, diga-se) sabe bem nas noites de inverno. Só custa o regresso a casa - sobretudo se estiver muito frio ou a chover.

O inverno não significa apenas chuva e dias cinzentos. Quando o sol brilha, os dias têm uma luz especial, que fica ainda mais intensa no seio da natureza. No inverno, em dias de sol, os campos verdejantes do Alentejo adquirem outra dimensão: são mosaicos de cor verde e castanha, sob um céu azul, que se estendem no horizonte sem fim…

Coisas simples, momentos únicos. Basta saber valorizar.

 

 

Sós (no meio da multidão)

Sentada numa esplanada do bairro, uma idosa “coquete”; cabelos louros, óculos de sol de tamanho XXL, olha em redor. Enquanto bebe um café e fuma um cigarro, vai contemplando o espaço e as gentes, com todo o tempo que a vida lhe quiser dar. Parece-me tranquila, mas triste. Estará só? Viverá sozinha? Terá família e/ou amigos?

Na mesa ao lado, um homem jovem e bonito bebe o café apressadamente. Olhar inquieto, lunático, até. Sorve o café, acende um cigarro e apressa-se a sair. Mais uma vítima do frenesim da cidade. Julgo. No passeio lateral, dois idosos que se cruzam, cumprimentam-se. Talvez sejam vizinhos. Uma vizinhança pouco enraizada, superficial no trato e nos gestos. Relações débeis e temporárias, na maioria das vezes, que não se coadunam com amizade e solidariedade. Laços frouxos de um ambiente impessoal.

Tantos rostos à minha volta e nada me dizem. Desgastados pelo tempo e com ar triste, deambulam pelas ruas da cidade.

São cada vez mais as pessoas que vivem sozinhas. Ou por vontade própria ou por imposição de qualquer índole, a solidão, no sentido da ausência de companhia, tomou conta da vida de muita gente.

Frequentemente, a ausência de convívio interpares, no próprio local de trabalho, agrava a situação. Ou se trabalha por objetivos e há que cumprir dentro do prazo estabelecido, ou a correria diária devido aos horários e afazeres é de tal modo intensa que não deixa margem para descomprimir. Resultado: movemo-nos na “multidão” mas vivemos à margem da mesma. Diria antes: sós (no meio da multidão).

 

 

Demasiada informação...

Como diz P. Curtis (atual diretora do museu Gulbenkian): “Há demasiada informação no mundo, tanta coisa para ler, tantas imagens nos ecrãs (…)” que, investir na observação e no olhar verdadeiramente se torna cada vez mais difícil. Ou conseguimos filtrar a “informação” disponível ou nos perdemos no oceano da informação atual. Se tenho à disposição um livro: gosto de o ler com tempo. Disfrutar a obra. É esse usufruto do conhecimento, da arte e da cultura que nos nossos dias se torna cada vez mais raro. Além disso, estamos condicionados pelos preconceitos que fomos adquirindo ao longo da vida, o que torna tudo mais difícil. A leitura sensorial é uma arte, não acessível a todos. A quantidade de imagens que o nosso cérebro tem para absorver, não lhe permite olhar convenientemente para todas elas. Distraímo-nos, frequentemente, com tantos dados. E, nalguns casos, ficamos ansiosos por não conseguirmos usufruir da “informação” que temos ao dispor.

Ao domingo, por exemplo, enquanto bebo café, deparo-me com o dilema: leio o jornal? Leio as notas de rodapé do noticiário da TV? “Bisbilhoteio” no Facebook? Folheio a revista da mesa ao lado? Esta quantidade de “informação” disponível gera, quase sempre, comportamentos de cariz ansioso. Contrariar esta tendência, carece de disciplina e tempo. Filtrar a “notícia” é uma aprendizagem, que ajuda imenso. E se o objetivo é relaxar, então, ler um livro será a melhor opção: um livro é o companheiro ideal para viajar nas palavras… e sonhar, quiçá, com cenários inimagináveis.

“Socorro, preciso de silêncio!”

Talvez um dia, e porque não já, seja esta uma frase proferida por muita gente. Onde quer que entre, onde quer que esteja, a música invade o espaço público, transformando o silêncio, desejado, numa ladainha/moinha constante - e às vezes irritante.

Que ideia foi esta de “musicalizar” (quase) todos os espaços públicos? Quem disse que nos apetecia estar, sistematicamene, a ouvir música? No café, no restaurante, no parque e no jardim, na sala de espera do consultório, no hospital… qualquer sítio serve para dar música aos sentidos.

Ainda agora, no local onde escrevo – na cafetaria de um conhecido museu nacional – um som instrumental sai da coluna, mesmo ao meu lado, interferindo na concentração desejada. Num espaço que convida, no caso, à tranquilidade e disfrute da paisagem, a música está presente perturbando a vivência plena do mesmo.

Para quê e porquê? Será que já não sabemos (con)viver no silêncio?

Parem, por favor, com esta “moda”, porque o silêncio (também) é preciso e recomenda-se.

 

Coisas de signos

 “Você só pode ser Leão!” Essa determinação e esse “autoconvencimento” só mesmo de um Leão. “Porque diz isso?” Intuição, simplesmente! Ou melhor, sensibilidade para o assunto. Coisas de signos - acrescentei.

 Foi assim, numa breve e informal conversa sobre signos e personalidade. Um assunto que, não sei bem porquê, me provoca alguma curiosidade.

 Tal como eu, outras pessoas têm este hábito:  julgar determinados comportamentos alheios, em função da influência astral. Manias? Julgo que não. Talvez sensibilidade e gosto pelo tema.

 Dado que os astros exercem atração gravítica sobre outros corpos celestes vizinhos, outros planetas do nosso sistema solar exercerão, também, influência quer sobre a Terra, quer sobre os seres vivos que habitam o nosso planeta – veja-se o exemplo do sistema Terra-Lua: a atração gravitacional entre os dois planetas tem como consequência imediata, por exemplo, o fenómeno das marés. Nesta lógica de ideias, é provável a influência astral, sobre a nossa personalidade, de acordo com o movimento e posição dos planetas no momento do nosso nascimento (e não só).

 Uma coisa parece fazer sentido: em regra, as pessoas nascidas sob a influência dos mesmos astros (no mesmo ano, no mesmo mês/dia) denunciam caraterísticas da personalidade, semelhantes - e nalguns casos idênticas, diria. Coincidências? Não sei! Talvez.

 No que ao assunto diz respeito, e dado não se tratar de uma análise técnica, limito-me a opinar e a referenciar casos entre a família e os amigos mais chegados. Não hesito, por isso, em considerar que os “signos” (como lhe chamamos) são, no todo, um conjunto de virtudes e desvirtudes (mais comuns), representativas de determinadas pessoas e que poderão (ou não) resultar de influência astral.

Será? O que dizem os astros sobre si? Já pensou?

 

Desligar do mundo...

 Ter tempo no tempo, começa a ser um verdadeiro luxo. Sim, porque a tranquilidade nos nossos dias é um luxo. Vivemos num frenesim, numa agitação que acarreta ansiedade e stress que, segundo os investigadores, aumenta o risco de doença cardíaca. Aliás, há quem diga que a sobrecarga de trabalho pode vir a ser o “novo tabaco”, provocando consequências graves no organismo, em tudo semelhantes às causadas pelos cigarros.

 Há quem, mesmo em férias, não consiga desligar-se do trabalho e/ou de outras tarefas não menos stressantes, como por exemplo ver e-mails diariamente e várias vezes por dia. Estas atitudes não permitem relaxar nas férias e causam “agitação” constante.

 Como diz Pico Iyer[1]: “Ficar longe da agitação do mundo, respirar e fazer uma pausa, sem necessariamente meditar ou fazer yoga… hoje em dia, é o supremo luxo.”

 Por isso, parar e fazer uma pausa é importante para manter o equilíbrio emocional e o bem-estar do cérebro. Não é por acaso que muitas pessoas desligam de imediato quando saem do local de trabalho e/ou quando chega a sexta-feira; também o faço desde há algum tempo. Só assim readquiro o equilíbrio mental e físico desejado. De outra forma, para além de contribuirmos para o aumento das doenças do foro psiquiátrico, delapidamos a nossa própria saúde.

 Iyer em razão: “Ter uma casa no campo é um luxo, mas mais importante, hoje, é ter uma casa de campo no tempo” porque, hoje, “o tempo domina-nos bem mais do que o espaço”.

 Pare! Nem que seja para ouvir um CD (de música relaxante), sentar-se num parque e nada pensar (a não ser olhar em redor), escutar o silêncio da noite… Em suma: desligar do mundo, de tempos a tempos.

 

[1] Escritor de origem indiana autor da obra: “The Art of Stillness” (A Arte da Tranquilidade).