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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Mértola está (mesmo) "na moda"

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 No beco virado ao rio, um grupo de turistas aprecia a paisagem. Enquanto se deslumbram, vão tecendo comentários; entre uma palavra e outra (que escuto sem querer) consigo perceber que uma visita ao castelo faz parte do périplo. Como este grupo, dezenas de outros visitantes optaram por Mértola, como destino de fim-de-semana ou, simplesmente, como local de passagem a caminho do Algarve.

 O calor que se fez sentir nos últimos dias não impediu que calcorreassem as ruelas do centro histórico, para conhecer um pouco mais da vila museu. E com isso, Mértola ganhou vida. É certo que grande parte dos visitantes esteve apenas de passagem; outros, porém, permaneceram por mais tempo (uma ou duas noites - de acordo com a disponibilidade financeira) aproveitando para descansar nas excelentes unidades hoteleiras à disposição - disfrutando do conforto e qualidade das mesmas, numa envolvência natural única.

 Não há dúvida: o turismo em Portugal está em fase ascendente. Mértola é um exemplo disso. Começa a ser comum: ouvir falar línguas estrangeiras nos diversos espaços públicos e ver um fotógrafo em cada esquina.

Definitivamente: “Mértola está na moda!”

 

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Desligar do mundo...

 Ter tempo no tempo, começa a ser um verdadeiro luxo. Sim, porque a tranquilidade nos nossos dias é um luxo. Vivemos num frenesim, numa agitação que acarreta ansiedade e stress que, segundo os investigadores, aumenta o risco de doença cardíaca. Aliás, há quem diga que a sobrecarga de trabalho pode vir a ser o “novo tabaco”, provocando consequências graves no organismo, em tudo semelhantes às causadas pelos cigarros.

 Há quem, mesmo em férias, não consiga desligar-se do trabalho e/ou de outras tarefas não menos stressantes, como por exemplo ver e-mails diariamente e várias vezes por dia. Estas atitudes não permitem relaxar nas férias e causam “agitação” constante.

 Como diz Pico Iyer[1]: “Ficar longe da agitação do mundo, respirar e fazer uma pausa, sem necessariamente meditar ou fazer yoga… hoje em dia, é o supremo luxo.”

 Por isso, parar e fazer uma pausa é importante para manter o equilíbrio emocional e o bem-estar do cérebro. Não é por acaso que muitas pessoas desligam de imediato quando saem do local de trabalho e/ou quando chega a sexta-feira; também o faço desde há algum tempo. Só assim readquiro o equilíbrio mental e físico desejado. De outra forma, para além de contribuirmos para o aumento das doenças do foro psiquiátrico, delapidamos a nossa própria saúde.

 Iyer em razão: “Ter uma casa no campo é um luxo, mas mais importante, hoje, é ter uma casa de campo no tempo” porque, hoje, “o tempo domina-nos bem mais do que o espaço”.

 Pare! Nem que seja para ouvir um CD (de música relaxante), sentar-se num parque e nada pensar (a não ser olhar em redor), escutar o silêncio da noite… Em suma: desligar do mundo, de tempos a tempos.

 

[1] Escritor de origem indiana autor da obra: “The Art of Stillness” (A Arte da Tranquilidade).

Na Costa Vicentina (de novo)

Voltei! Mais uma vez. Um ano depois.

Aqui, onde o mar é mais azul e a maresia mais intensa e mais fresca.

A água (fria, como eu gosto) revigora-me o corpo e desperta-me os sentidos.

Desafiando as ondas, grupos de surfistas prosseguem, afoitos, mar adentro.

As toalhas dispersas no areal - ao gosto de quem está - evidenciam o ambiente (ainda) pouco humanizado: mais autêntico e mais natural.

Aqui não há toldos, nem palhotas, não há bares de mil cores. Não há feiras de vaidade nem desfiles de "modelos". Há descontração. Há espírito natura. Há Ser e Estar em tranquilidade, longe da agitação social. Aqui - onde o pôr-do-sol é mágico -, gosto de voltar. Sempre.

 

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Férias (sem relógio)

 Deixar de ter horário e nem olhar para o relógio, é neste registo que me considero em férias. Claro que não incluo neste grupo os casais com filhos pequenos. Esses, queiram ou não, dependem do ritmo biológico da pequenada e, caso estejam na praia, da quantidade de raios ultravioletas que atingem o areal. Neste caso incluo-me também, pois não costumo torrar sob o sol abrasador do meio-dia.

 Gosto da sensação de acordar somente quando o corpo me pede ou o estômago dá sinal. Depois, um pequeno-almoço avantajado e diversificado para ganhar energias até mais tarde, seguido do café da manhã numa esplanada tranquila – já que a essa hora os “dependentes” de horários estão na praia. Com o silêncio próprio do final da manhã, a leitura do jornal (revista ou livro) transforma-se num momento de absoluto prazer.

 Para além disso, o verão proporciona um encanto especial a tudo. O prazer das pequenas coisas aumenta: um petisco na esplanada à beira-mar, um pôr-do-sol na praia, uma bebida no terraço da casa, uma caminhada pela natureza… coisas simples, que ganham outra dimensão.

 Depois, sem tarefas domésticas a martirizar o espírito, os dias são de uma serenidade perfeita. Em férias o tempo é de entrega ao ritmo biológico… e isso relaxa! A descontração e a tranquilidade fazem milagres - pelo nosso corpo e pela nossa mente. Tudo parece correr às mil-maravilhas, até as relações mais conflituosas: nas férias há mais momentos a dois e mais tempo para dar atenção ao outro. Digo eu.

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Praia da Amoreira, Aljezur

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Azenhas do Guadiana, Mértola

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Biarritz

 

NOTA: as fotas reportam a locais onde passei férias (sem relógio).

 

 

 

“Preciso de férias!”

 Provavelmente, a frase mais proferida nas últimas semanas. Uma espécie de escape mental para atenuar o cansaço, após um ano de esforços múltiplos: profissionais, financeiros, familiares, de saúde e, nalguns casos, afetivos. Sim, porque tentar ser Feliz dá trabalho e cansa. Um esforço constante, frequentemente inglório, que obriga a “manobras” muitas vezes difíceis.

 Embora a palavra férias implique uma pausa na profissão, a mesma nem sempre significa descontração, relax, espírito de aventura e/ou momentos agradáveis e de pleno repouso.

 Há compromissos - familiares, por exemplo - inadiáveis. Para esses temos que estar mentalmente preparados e encontrar formas de ultrapassar o stresse que possam provocar. Estou a lembrar-me, por exemplo, dos casais com filhos menores: neste caso é bom perceber que se trata de uma fase (boa) e pensar que também já fomos filhos. Disfrutar é a palavra de ordem.

 Outros, cuja disponibilidade individual o permite, desejariam sair do contexto habitual e não podem fazê-lo, por razões alheias à sua vontade. Neste caso a estratégia é alterar rotinas, inovar e aproveitar ao máximo as coisas simples da vida: fazer caminhadas, observar a natureza, treinar a fotografia, fazer um curso on-line, promover almoços/jantares de convívio (em casa de amigos ou familiares), ir a uma biblioteca, etc. Coisas (simples) que podem fazer a diferença.

 “Tretas”, dirão alguns de vós. Talvez, dependendo da perspetiva. De uma coisa tenho a certeza: martirizarmo-nos com pensamentos negativos não ajuda em nada, só piora a situação.

 Saber viver cada momento como se fosse único, é meio caminho para ser feliz. Viver o Agora é a chave do sucesso – com mais ou menos recursos.

“Viajar cá dentro”

 Há uns anos viajar significava, quase sempre, sair do país. Nos tempos que correm, o conceito de “viajar cá dentro” está cada vez mais em voga. Hoje, muitos de nós desejam, afincadamente, conhecer em primeiro lugar o seu próprio país.

 O que aconteceu? Uma inversão de vontades? Ou uma imposição de vontades? Seja lá o que for, importa salientar esta mudança de atitude.

 No limite, na base dessa alteração, encontramos alguns conceitos fundamentais: “turismo em espaço rural”, “turismo de habitação”, “agroturismo”, “enoturismo”, entre outros. Novos modelos de desenvolvimento do turismo - que ganharam relevo e adeptos – constituem vertentes potenciadoras de um novo olhar sobre o que é “nosso”. Uma estratégia que permite contactar de perto com as belezas naturais de Portugal.

 Mais próximos da natureza, valorizamos, mais, o que este país tem de melhor: clima, paisagens, história, património, gastronomia e cultura. Uma riqueza incomensurável que os nossos escritores (clássicos) tão bem souberam apreciar - e descrever nas suas obras literárias. Quem não se lembra, por exemplo, das idílicas paisagens de Sintra, minuciosamente descritas por Eça de Queirós na sua obra “Os Maias”? Para não falar de outras magníficas paisagens deste país, que Almeida Garret tão bem caracterizou no livro: “Viagens na minha terra” ou, porque não, “Os Serões da Província” do Júlio Dinis, etc. Tantas descrições, quantas as paisagens que Portugal nos oferece.

 Por outro lado, a crise económica e financeira que atravessamos - e que despoletou nas famílias uma contenção nos gastos - reprimiu desejos e vontades mas proporcionou um conhecimento mais efetivo da nossa realidade.

Diria mesmo: “viajar cá dentro” é uma mais-valia porque “só se ama aquilo que se conhece”.

 

 

Ambientes inspiradores (6)

 Acordei (hoje) como uma “princesa”: num quarto magnífico, com vista para uma paisagem soberba e uma tranquilidade envolvente para além do habitual. Uma manhã digna de registo, como é digno de referência o Hotel Museu (em Mértola).

 

 

 Sempre imaginei começar o dia aqui (e assim): com sol, a neblina matinal sobre o rio e muita tranquilidade.

 Foi em modus relax total - e rodeada de beleza natural - que o meu dia se iniciou no hotel da vila museu. Um dia de outono (diferente): com muita luz e muito brilho. Um momento verdadeiramente inspirador, num ambiente muito clean - de decoração intemporal - onde o bom gosto e o conforto imperam.

 

 

 Disfrutar desta magnífica unidade hoteleira é (também) revisitar épocas remotas: uma forma de recuar ao tempo dos domínios árabe e romano.

 O hotel alberga um núcleo museológico: o denominado “Arrabalde Ribeirinho” - uma pequena aldeia islâmica cujo espólio, hoje patente ao público, foi descoberto durante a construção das fundações do edifício. O pequeno “recinto” – onde as ruínas se localizam – situa-se no andar inferior do hotel mas é visível a partir da receção.

 

 

 Para além disso, a envolvente natural – com o rio Guadiana a marcar presença forte - e o enquadramento (e aproveitamento) arquitetónico do espaço em questão geram uma ambiência única, merecedora de destaque.

 Aqui tenho tempo no Tempo! Da varanda (do quarto) vislumbro o rio - correndo de mansinho. Aqui e além um canoísta pintalga de cor o velho curso de água. Enquanto isso, as aves chilreando - nos arbustos ribeirinhos, embalam-me para universos de sonho... 

 Há uma tranquilidade especial neste hotel: somente os sons da natureza invadem o espaço, transportando descontração e bem-estar. Apetece permanecer aqui e “beber um café comigo mesma”.

 É assim, neste espírito Zen, que os dias começam (e acabam) no hotel que também é museu.

 

 

 

Nota: para além dos espaços físicos, o hotel disponibiliza (também) uma série de atividades náuticas e de contato com a natureza colocando à disposição dos clientes, canoas, caiaques, bicicletas e passeios no rio numa pequena embarcação. Para além disso, os amantes da natureza e do birdwatching encontram (sempre) nas redondezas diversos pontos de interesse.

 

Sete dias à descoberta...

 

1º dia: BejaÁvila (577 km); itinerário: BejaÉvoraElvasBadajozCáceres PlasenciaÁvila.

 

Partida em direção à fronteira Elvas – Badajoz; em pouco menos de duas horas (de carro) estou na “vila do aqueduto” património da humanidade – Elvas. Cantarolando: “Ó Elvas, Ó Elvas… Badajoz à vista (…)” entro no país vizinho. A partir dali sinto-me uma verdadeira turista. A sensação da descoberta constante começa ali. Mais perto de Cáceres: paragem para almoço. Para não perder muito tempo, opto por um daqueles restaurantes da beira da estrada. Muito frequentado mas, ainda assim, com um serviço rápido e uma excelente relação qualidade/preço. A viagem continuou em direção a Ávila, a cidade destino. Pelo meio as paragens obrigatórias: abastecimento de combustível, café, água fresca e a ida à “casinha”. Por vezes, quando a paisagem deslumbra pela beleza, uma foto impõe a paragem. Como aconteceu no Vale de Jerte (o vale das cerejeiras) no sítio de Tornavacas.

 

Vale de Jerte (sítio de Tornavacas)

 

A chegada a Ávila aconteceu por volta das dezoito horas. Depois do habitual check in no hotel, um passeio de reconhecimento pelo centro histórico da cidade. O resto... está aqui!

 

2º dia: ÁvilaDonostia-San Sebastian (470 Km); itinerário: Ávila - SegoviaBurgosDonostia-San Sebastian.

 

A manhã, destinada a um passeio de tuk tuk pela mística Ávila, passou num ápice. Ao meio-dia local foi hora de partir em direção a Donostia-San Sebastian. Pelo meio, almoço perto de Segovia, na “Casa Felipe” (um restaurante com grelhados na brasa, que recomendo) e lanche em Burgos (com visita à catedral).

Chegada a Lasarte (por volta das dezassete horas), o local do alojamento, junto a Donostia-San Sebastian (vale a pena ficar alojado nos arredores de San Sebastian nesta altura - os preços são mais em conta).

No final da tarde: um passeio no “calçadão” de San Sebastian para ver o pôr-do-sol. A seguir, uma incursão no centro histórico, o centro da “movida” local.

Finalmente, um jantar de “tapas”, à base de peixe e marisco, fez jus à região e deixou-me maravilhada com a dinâmica noturna que por ali se vive.

 

Marginal de San Sebastian (em cima); igreja no centro histórico (em baixo)

 

3º dia: San Sebastian  - Bordeaux (236 Km); itinerário: Lasarte - Irun - St. Jean-de-LuzBiarritzBayonneBordeaux.

 

Uma viagem descontraída, com tempo, para apreciar a paisagem e fazer as paragens necessárias (e desejáveis). Manhã na praia e almoço em Biarritz (detalhes aqui).

 

Praia de Biarritz

 

Chegada a Bordeaux pelas dezoito horas, aproximadamente. Seguiu-se o ritual da praxe: banho para relaxar e jantar no centro histórico. Apesar do local ser muito frequentado, nesta época, vale a pena jantar por ali para perceber a dinâmica noturna da cidade.

A noite foi “curta” pois o corpo pedia descanso… Para trás ficavam cerca de mil e trezentos quilómetros de viagem.

 

4º dia: Bordeaux; estadia para conhecer um pouco da cidade do “vin rouge. Um dia pleno de visitas, muito intenso em termos de descoberta da cidade (detalhes aqui).

 

 Bordeaux

 

5º dia: Bordeaux– Villefranche de Lonchat (62,5 Km); itinerário: Bordeaux – Saint-ÉmilionVillefranche de Lonchat.

 

 Saint-Émilion

 

Partida bem cedinho em direção a Saint-Émilion, na coração das vinhas. Uma viagem curta de pouco mais de quarenta quilómetros. Um dia fantástico pleno de surpresas - sem qualquer dúvida um dos melhores dias desta semana maravilhosa (detalhes aqui).

 

O final do dia incluiu um momento inesquecível: preguiçar no frondoso jardim do Châteaux Puygrenier, o local eleito para alojamento. Muito bom. Um local onde se sente - e se vive em pleno - o espírito rural da região da Dordogne (detalhes aqui).

 

6º dia: Villefranche de Lonchat  – Pau (233 km; itinerário: Villefranche de Lonchat – Cadillac – Bazas – Pau.

 

Depois do pequeno almoço no Château Puygrenier , pouco mais de uma dezena de quilómetros após a saída, chego a Rauzan: uma pequena aldeia na região “Entre Deux Mers” (a região de excelência dos vinhos brancos, onde fiz uma incursão para espreitar o castelo medieval e visitar as caves Rauzan.

 

 

A viagem continuou até Cadillac. Aqui, almocei e visitei o Château de Cadillac, o monumento mais emblemático da pequena cidade.

 

 Château de Cadillac

 

A paragem seguinte: Bazas; o calor - húmido - que se fazia sentir, permitiu apenas visitar a catedral (e descansar um pouco no seu interior). Um espaço de meditação - e silêncio - muito agradável.

A chegada a Pau, sob uma chuva torrencial, aconteceu por volta das dezanove horas locais. A cidade (que mal conheci) pareceu-me ordenada e bem organizada. Interessante, achei.

Depois do habitual check in no hotel, o jantar acabaria por acontecer nas imediações – a conselho da rececionista - num restaurante marroquino. Muito bom.

 

7º dia: Pau – Toledo (681 km); itinerário: Pau – direção ZaragozaToledo.

 

O dia mais longo da viagem (em termos de distância), mas nem por isso menos interessante.

 

 Parque Nacional dos Pirenéus Atlânticos

 

A manhã, apesar de cinzenta, foi ganhando luz… Na hora de atravessar o Parque Nacional dos Pirenéus, o sol brilhava dando à natureza envolvente uma beleza especial. A paisagem - verdejante e montanhosa  - faz lembrar os Alpes suíços. A beleza daquele quadro natural fez-me recordar a série da “Heidi”. Imagine-se. Um cenário bucólico que enfeitiça o olhar…

Depois de atravessar o último túnel da fronteira Espanha-França (de 8 km) nos Pirenéus Atlânticos e entrar em terras espanholas, a paisagem altera-se por completo.

Para trás ficara uma região verdejante… com vida. Dali até Toledo, a paisagem - quase inóspita - revela agressividade e secura. Um mundo árido que me fez lembrar territórios árabes… Não apreciei - em particular - esta zona de Espanha.

Depois de quase seis horas de viagem: chegada a Toledo. Um passeio rápido pelo centro histórico para o reconhecimento inicial, seguido de um duche revigorante no hotel - antes do jantar. Na manhã seguinte: visita aos locais mais emblemáticos da cidade.

 

 Vista parcial de Toledo

 

8º dia: Toledo – Beja (545 Km); itinerário: ToledoMéridaBadajoz – Elvas – Évora – Beja.

 

O regresso: com passagem por Mérida (apenas para almoço).

 

 

 

 

 

 

 

Na capital da Aquitânia

 Mais uma vez as expetativas se excederam: Bordéus é mais do que uma simples passagem no caminho para Paris. Quem passa pela cidade (via norte de França) por norma evita o centro histórico.

Mesmo que seja curta, vale a pena uma incursão (dois dias no mínimo) para conhecer todo o conjunto patrimonial, já devidamente reconhecido pela UNESCO. Da monumentalidade do edificado à dinâmica social e cultural, toda a cidade emana grandeza

  

 

Dos vários edifícios destaco “La Grosse Cloche”. Emblemática e majestosa - em plena “Rue de Saint-James” (uma antiga via dos “caminhos de Santiago - a magnífica obra de arte impõe-se aos olhos de quem passa. Além de servir para dar o sinal do início das vindimas, servia, também, para alertar a população em caso de incêndio. É um dos monumentos civis -medievais - mais bem conservado na cidade. Para muitos um símbolo de Bordéus.

Depois de visitar a igreja Saint-Eloi, junto ao monumento atrás referido, acabei na esplanada do “Books & Coffee”. Uma coffee shop, decorada com muito gosto, onde beberiquei um café colombiano delicioso.

 

 La Grosse Cloche

 

Continuo o périplo e outros monumentos e locais da cidade acabam captando a minha atenção: como edifício da ópera e respetiva escadaria, onde dezenas de pessoas (jovens na sua maioria) se reúnem para descansar e conversar… um ponto de encontro de culturas. Nas proximidades, ali mesmo na Rue Sainte-Catherine, as Galerias Lafayette fazem as delícias das “madames”.

 

 

À tarde, depois de uma visita rápida à loja da Apple (plena de novidades tentadoras), foi tempo de uma breve meditação na catedral. Um local aprazível, onde se consegue estar “só entre a multidão”…

Ao entardecer, quando as pernas pedem descanso, ficar a contemplar o outro lado do rio - no movimentado passeio marginal – é relaxante.

 

 

No final da estadia uma certeza: Bordéus é surpreendente. O que vi e senti ultrapassou (em muito) a visão imaginária das descrições que ouvira até então.

Por tudo isto (e não só) recomenda-se uma  visita à capital da Aquitânia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Na mística) Ávila

Quando a minha amiga Maria F. me fala das suas idas - frequentes - a Ávila eu questiono-me: mas o que terá essa cidade de tão especial? Há poucos dias visitei aquela que é uma das cidades que integra os designados “caminhos de Santiago”. Ao chegar lembrei-me de imediato da minha amiga e pensei: como eu percebo a Maria! Realmente, nesta cidade respira-se história, cultura e misticismo.

 

 

A história patente em cada ruela entranha-se em nós e faz-nos recuar no tempo. Cercado pela muralha milenar (segundo consta a mais bem conservada do mundo), o burgo mantém a privacidade e remete-nos para tempos passados. Tempos de guerras e conquistas, de desigualdades e miséria. Com os seus oitenta e sete torreões, a muralha da cidade mais alta de Espanha é o monumento mais icónico de Ávila. Para além desse, outros, como a catedral (de estilo gótico) em cujo subsolo existe uma lagoa natural rodeada de mistérios e enigmas.

  

 

 

Um passeio de tuk tuk com passagem pelos monumentos mais emblemáticos deixou-me com a certeza: Ávila merece o título de cidade património da humanidade. Apesar da afluência de turistas nesta altura do ano, consegue-se alguma tranquilidade desde que saibamos escolher os espaços adequados. Há restaurantes e bares por todo o centro histórico. Da gastronomia típica destaco o “chuleton avileño” (costeleta de novilho grelhada na brasa) que me deixou completamente rendida. Também as famosas “yemas de huevo dulces”, uns bolinhos conventuais típicos, fazem as delícias dos turistas.