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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Mértola está (mesmo) "na moda"

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 No beco virado ao rio, um grupo de turistas aprecia a paisagem. Enquanto se deslumbram, vão tecendo comentários; entre uma palavra e outra (que escuto sem querer) consigo perceber que uma visita ao castelo faz parte do périplo. Como este grupo, dezenas de outros visitantes optaram por Mértola, como destino de fim-de-semana ou, simplesmente, como local de passagem a caminho do Algarve.

 O calor que se fez sentir nos últimos dias não impediu que calcorreassem as ruelas do centro histórico, para conhecer um pouco mais da vila museu. E com isso, Mértola ganhou vida. É certo que grande parte dos visitantes esteve apenas de passagem; outros, porém, permaneceram por mais tempo (uma ou duas noites - de acordo com a disponibilidade financeira) aproveitando para descansar nas excelentes unidades hoteleiras à disposição - disfrutando do conforto e qualidade das mesmas, numa envolvência natural única.

 Não há dúvida: o turismo em Portugal está em fase ascendente. Mértola é um exemplo disso. Começa a ser comum: ouvir falar línguas estrangeiras nos diversos espaços públicos e ver um fotógrafo em cada esquina.

Definitivamente: “Mértola está na moda!”

 

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No trilho da mina (de S. Domingos)

 O caminho cor de ferrugem denuncia a proximidade ao “chapéu de ferro”. No ar, o cheiro acre dos óxidos não deixa margem para dúvida: estamos na antiga corta da mina de S. Domingos. Um local emblemático, onde a alma mineira se encontra preservada.

 Folheio o livro das memórias, enquanto caminho sobre as escórias, espalhadas pelo chão, junto aos velhos armazéns da fundição: em todas as páginas, já gastas pelo tempo, destaca-se a vida dos mineiros e de todos aqueles que fizeram da Mina de S. Domingos, o centro de vida social mais ativo do concelho de Mértola - na primeira metade do século XX. Em cada ruína, o som do martelo e o suor dos mineiros permanecem imutáveis, como se o tempo tivesse parado ali.

 Nos anos sessenta, terminada a exploração mineira, teve início um período de abandono e degradação ambiental, que se manteria até (quase) aos nossos dias. Felizmente, e graças ao programa de recuperação ambiental da mina,  S. Domingos é hoje uma referência no turismo nacional: a praia fluvial; a zona circundante da “corta” - um sítio de interesse geológico; a estalagem S. Domingos - uma unidade hoteleira de alta qualidade, entre outros pontos de interesse histórico, arqueológico e cultural, fazem destas paragens o local ideal para descansar, longe do bulício das cidades.

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Festival Islâmico – “as mil e uma noites de Mértola”

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(Ainda me lembro da primeira edição do “Festival Islâmico” de Mértola! Decorria o mês de maio, do ano 2001).

 Os dias quentes (quase tórridos, já) desnudam os corpos da roupagem de inverno e convidam a sair de casa. Nas ruas, estreitas, da “vila velha”, os panos dos toldos (e tendas) dos marroquinos pintalgam de cor as ruelas alvas. No ar, o cheiro agridoce aguça o apetite! Na banca dos frutos secos e das especiarias, os aromas entrelaçam-se numa alquimia exótica que desperta os sentidos. Apetece provar (e comprar) tudo, ou não fosse o percurso pelas bancas do souk, para além de outras, uma das formas de vivenciar o verdadeiro espírito do festival.

 O som da chamada para a oração, traz de volta viagens do passado e aproxima os crentes (e não só) da “mesquita improvisada”.

 Há alegria e agitação constantes. Centenas de pessoas calcorreiam a “medina” num sobe e desce contínuo; enquanto isso, vão trocando sorrisos fáceis e breves, procurando aproximar-se. É esta comunhão, que suscita nas gentes um estado de alma diferente, que acontece durante os dias em que decorre o festival.

 No palco improvisado da praça mais antiga da vila, um grupo musical faz as delícias de quem passa: a música, com ritmo, atravessa gerações. Ninguém fica indiferente aos ritmos “afro-latinos” que entoam na velha praça do município. No muro contíguo, o público amontoa-se para ver de perto os músicos alternativos. Mais a frente, num dos “bares temporários” que pululam pela vila, bebem-se cocktails (re)inventados… A lua, lá no alto, agita os corações mais românticos. Há romance no ar!

 Noutro beco mais adiante, um grupo de bailarinas dança ao ritmo da música; enquanto isso, o tilintar dos adornos dos véus, esvoaçantes, acompanha o movimento ondulatório dos corpos, bem ao jeito da “dança do ventre”. Um quadro mágico, num ambiente das “mil e uma noites”.

 Uma vila que não dorme, mas sonha, nos dias do festival que já se tornou evento nacional.

 Atreva-se a sonhar nos próximos dias: 21, 22, 23 e 24 de maio de 2015.

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Túberas - as "trufas alentejanas" (?)

 Falar de túberas é o mesmo que falar de trufas? Eu julgo que sim. Aliás, creio que as túberas são uma variedade de “trufas brancas”. Há, até, quem lhes chame as “trufas alentejanas. Seja como for, as túberas são fungos, comestíveis, de forma arredondada (mais ou menos irregular), com sabor e aroma intenso, que se encontram com relativa facilidade nos campos do Alentejo. Desde a época romana que as “trufas” constituem uma iguaria muito apreciada, podendo atingir preços verdadeiramente exorbitantes.

 Por aqui, no Baixo Alentejo, estamos (ainda) em plena época da “apanha da túbera”. E não, não é necessário “cães e porcos” para farejar o solo e encontrar túberas. O segredo, passado de geração em geração (e muitas vezes bem guardado), consiste na capacidade de observação do terreno e de sinais (evidentes ou não) da presença das ditas.

 Desde criança que assisto ao “ritual” da procura dos famosos fungos: um sacho para revolver a terra, um chapéu na cabeça para proteger do sol que se faz sentir nesta altura do ano, e uma dose (grande) de paciência e sabedoria, diria. Normalmente, é nos terrenos mais “moles”, segundo os entendidos, lavrados há 2/3 anos e com “mato novo” que as túberas aparecem com maior frequência. Há, inclusive, uma linguagem muito própria deste ritual. A presença de uma zona do solo soerguida, com fendas, o chamado “escarchão” é, por norma, um sinal a reter. Caso se encontre alguma túbera isolada, também, não deve abandonar-se o local, pois nas proximidades estará, diz quem sabe, um conjunto maior das ditas – a chamada “leira”.  A minha avó materna, uma expert na matéria, depois de encontrar uma túbera isolada, tinha por hábito trautear uma espécie de lengalenga que, segundo a sua crença, ajudaria a encontrar o referido conjunto: “Parceira, parceira, dá-me a tua leira!”

 Como a tradição (neste domínio) ainda é o que era, apanhar túberas continua a ser um acontecimento frequente nos campos alentejanos, sobretudo, nos meses de março e abril - às vezes mais cedo (em fevereiro) se o inverno tiver sido chuvoso. Para além do prazer da degustação de tão famosa iguaria, ir para o campo procurar túberas é uma forma saudável de conviver em família (por exemplo) em contato direto com a natureza. 

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Nota: túbera[1] – cogumelo com a parte esporífera subterrânea, em regra, comestível; trufa.

 

 

[1] in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-04-13 14:17:44]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/túberas

Pinta(n)do a sépia...

 Olho em redor. O que vejo? Um quadro envelhecido, quase a desvanecer-se. Cores pálidas. Sulcos profundos - numa tela desgastada pelo tempo - que magoam os olhos e a alma de quem os vê. Uma vila, envelhecida e triste, onde quase nada resta do passado (recente). Os jovens partiram para parte incerta (ou não); os residentes estão cansados e resignados. Há apreensão no olhar e apatia nos gestos.

 Nada se compara ao movimento de outrora. As ausências fazem-se notar, daqui, da esplanada sobranceira ao largo. Sinto os espaços a envelhecer.

 A música que embala o tempo é outra: mais triste e melancólica, mais compassada. Sem ritmo. Assisto ao êxodo - apática e sem estímulo para reagir - porque, também eu, faço parte do quadro.

 Enquanto isto, duas jovens caminham ao ritmo do tempo; mais abaixo, uma idosa vai desafiando as pedras da calçada, enquanto o corpo luta pelo equilíbrio…

 Sei que os olhos constroem a imagem, mas, apesar disso, o que vejo não me agrada de todo. Quem me dera poder pintar de novo o quadro que tenho pela frente. Rejuvenescê-lo-ia e dar-lhe-ia brilho e movimento… tingi-lo-ia de mil cores, como se da primavera se tratasse. Cruzar-me com a alegria nas ruas e sentir o sonho no rosto de quem passa… voltar a ver sorrisos inesquecíveis, rostos eternos…

 Não posso. Sei que não posso alterar o quadro de uma Vida, mas posso, pelo menos, avivar as cores da memória e brincar com os desejos do momento.

Arte (na rua)

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 Sair de casa e respirar o ar fresco do dia. Sentir o sossego da vila… apreciar as ruas (Tudo) como se do primeiro olhar se tratasse. É esta alquimia de sensações que me apraz e faz sentir completa. Num misto de cores e traços (e de contornos) vou descobrindo as obras de arte pública da vila. Obras que denunciam paixão, cultura, história, lutas e conquistas… obras do Homem para as gentes desta terra (e não só).

 Foi neste registo que deixei a lente captar esses testemunhos do engenho e da arte humana. Um olhar descontraído, com tempo (ao domingo), num dia vulgar (de inverno).

 Estar sozinha comigo e apreciar a beleza das coisas… entranhar-me no silêncio das ruas e viajar no passado. Sentir a alma dos espaços e a História que os veste.

 Quero permanecer assim (ali)… até que o presente me acorde e faça sentir distante.

 

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A loja do Sr. Relego

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 Não sei bem que idade tinha! Talvez oito, talvez nove anos. Ainda hoje o cheiro forte do café (acabado de moer) está guardado na minha memória - como se fosse ontem que o aroma, pairando no ar, perfumasse o ambiente. Além do cheiro envolvente, o ruído do moinho, triturando os grãos de café, completa o cenário da lembrança da loja de José André G. e Suc. - a loja do Sr. Relego, assim conhecida por muitos.

 Na confluência da Rua 25 de Abril com o Largo Vasco da Gama, em pleno centro da vila, a loja centenária (hoje reconvertida) manteve até aos anos oitenta a traça antiga. Do mobiliário à disposição do mesmo, dos artigos ao atendimento personalizado, tudo permaneceu imutável durante décadas. Um estabelecimento comercial (onde se vendia de tudo), cujo comércio a retalho constituiu, também, uma das suas mais-valias.

  A entrada fazia-se por duas portas, defronte do longo balcão de madeira. Atrás, as altas estantes albergavam: de um lado, os produtos correspondentes à zona da mercearia, do outro, os tecidos (e restantes artigos) na zona da retrosaria. Na parte traseira do rés-do-chão, a contra loja (como lhe chamavam), arrumavam-se os artigos excedentes (e não só). À direita do balcão e com acesso direto a partir do mesmo (ou através de porta para o exterior) localizava-se o escritório, o lugar de eleição do proprietário e gerente do estabelecimento, onde se fazia toda a escrita e contabilidade da empresa.

 Lembro-me de acompanhar a minha mãe nas compras e ficar impressionada (e curiosa) com a destreza manual do empregado da retrosaria a medir os tecidos com o metro de madeira. Ainda hoje consigo visualizar aqueles movimentos precisos das mãos e do metro. O Alfredo, assim se chamava, sustinha sempre um lápis atrás da orelha e cantarolava enquanto degustava um pequeno grão de café - um rapaz alegre e bem-disposto que sabia vender como ninguém.

 Nos armazéns contíguos, eram recolhidos os produtos tradicionais fornecidos pelos produtores locais: cereais, lã, frutos secos e outros. Uma transação comercial que fez da empresa uma referência (até aos anos setenta) no que ao comércio diz respeito.

 O (des)carregamento dos produtos, junto aos armazéns (na Rua da República), era frequente e pressupunha alguma azáfama diária por ali. Ainda me lembro do Sr. Carrilho com uma saca de estopa (dobrada de forma triangular) enfiada na cabeça, para evitar ficar empoeirado, a (des)carregar os sacos de cereal e/ou de farinha dos camiões, para dentro do "armazém das farinhas" e vice-versa. Um trabalho árduo, sem qualquer ajuda mecânica para além de um velho carrinho de mão. Outros tempos, outros métodos de trabalho...

 No armazém frontal (situado no piso superior da loja principal) estava montado o velho moinho de café, no qual o Sr. Fernando (outro funcionário) moía café, várias vezes ao dia, para que o mesmo não faltasse na “lata” da estante da mercearia. Também ali se arrumavam, em local seco e fresco, os “fardos de bacalhau” e outros produtos do género.

 Uma loja com história cuja alquimia de cheiros e sabores marcou presença até ao início deste século…

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A caixa registadora e o velho moinho de café da loja do Sr. Relego 

 

 

 

Restaurante Alentejo (em Moreanes)

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 Como alguém disse: “mais uma incursão gastronómica” num domingo fora de casa. Desta forma evito as rotinas culinárias, passeio no campo e (re)visito lugares carregados de sentido – as aldeias.

 Sempre achei que os pequenos povoados têm (geralmente) mais vida social durante o fim-de-semana do que a vila (sede de concelho); as relações interpessoais ganham contornos familiares; o espírito de vizinhança e de entreajuda é, normalmente, mais forte e mais efetivo nas aldeias. Há uma maior proximidade à natureza e as gentes são simples no trato e no modo de estar. E isso agrada-me. Por esses motivos (e não só) procuro nas aldeias (com alguma frequência) espaços onde comer e conviver.

 Ontem, foi a vez do restaurante Alentejo (em Moreanes). Um espaço de ambiente geral acolhedor (com lareira) onde se serve comida tradicional alentejana de qualidade; o atendimento, feito pelo Sr. Cesário, tem sempre uma nota de humor descontraído.

 No cardápio (variado) os pratos do dia aliciaram-me. Escolhi o cozido de grão (um dos meus pratos favoritos): rico de carnes e aromatizado com hortelã, acompanhado de sopas de pão abundantes em caldo do dito. Delicioso. Recomendo aos apreciadores. Para terminar: uma delícia de mel e noz.

 Depois desta refeição calórica, um passeio pelos campos envolventes – cerro do Guizo e Ermida de Nª Sra. Do Amparo. Uma forma simples e descontraída de preparar a nova semana de trabalho.

 

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Ambientes inspiradores (8)

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 O dia amanheceu cinzento e a tarde afigurava-se pouco propícia a saídas e passeios. No entanto, a chegada (e a receção) à Quinta do Vau haveria de tornar-se num momento único e prazenteiro. Tanto quanto o necessário para que as nuvens cinzentas se dissipassem e a paisagem ganhasse uma luz e um brilho especiais…

 O acolhimento proporcionado pela D. Zezinha (a proprietária do espaço) não podia ser melhor. Entre uma chávena de café e uma fotografia ou outra, a conversa foi fluindo num tom ameno e familiar. A calma e a tranquilidade emolduraram aquele momento.

 A quinta proporciona uma vista deslumbrante sobre Mértola; um espaço onde o tempo nos dá tempo e a paz nos abriga a alma… Um ambiente (verdadeiramente inspirador) que apela à memória dos tempos e reaviva a história da vila museu.

 Escolhi o quarto nº 5. Por nenhuma razão em especial. Talvez paixão à primeira vista. O branco imaculado da decoração salpicado de pequenos apontamentos em castanho e nude tornam o ambiente acolhedor e muito confortável. Apetece estar ali a contemplar a paisagem. Perder-me nos pensamentos e descontrair… E foi isso que aconteceu.

 Na Quinta do Vau tudo foi pensado para ajudar a relaxar: a simpatia no atendimento, a decoração, o perfume no ar e o silêncio absoluto em particular. Uma alquimia de coisas boas que proporcionam bem-estar e a tornam num lugar mágico.

 Recomenda-se (vivamente) ficar alojado nesta casa de campo. Por tudo isto e muito mais. Nem que seja por uma noite, vale a pena sentir o silêncio e a paz acolhedora deste lugar magnificamente localizado.

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Nota: agradeço aos proprietários da Quinta do Vau a estadia que me proporcionaram, bem como a simpatia e amabilidade no acolhimento. Parabéns pelo investimento em prol do turismo de Mértola. Bem hajam e felicidades.

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O Alentejo “está na moda”

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 Li, ontem, num jornal regional, que o The New York Times sugere para visitar, entre mais de cinquenta destinos mundiais, o Alentejo. Para além do prestigiado jornal, outras publicações colocam o Alentejo no top dos destinos a visitar em 2015.

 Seja pelas referências gastronómicas e vinícolas, seja pelas riquezas naturais e paisagísticas, o Alentejo tem vindo, gradualmente, a ser (re)conhecido.

 Quem visita a região de Bordéus, por exemplo, reconhece a grandeza do enoturismo numa das mais destacadas regiões vinícolas mundiais. O património cultural e histórico associado à produção de vinhos projetou a França como destino de eleição a esse nível. Em Portugal, o turismo associado à produção de vinho tem no Alentejo uma referência relativamente recente, mas já em franco desenvolvimento. Além desta vertente, outras (não menos importantes) têm contribuído para a crescente procura do Alentejo como destino turístico.

 Vejamos alguns casos: Évora, cidade património mundial, com um espólio arquitetónico destacável e um espólio etnográfico de excelência, com unidades de alojamento de elevado nível como é o caso do Ecorkhotel (eleito pela revista digital designboom como um dos hotéis e resorts mais surpreendentes; Beja, um concelho em franco desenvolvimento no que ao enoturismo diz respeito, com unidades de alojamento de elevado nível como a Mallhadinha Nova e outros concelhos em ascensão relativamente a esta vertente económica.

 Entre os vários concelhos alentejanos destaco o concelho de Mértola. Inserida numa região de características naturais únicas e de elevado valor patrimonial – em pleno Parque Natural do Vale do Guadiana -, Mértola - a vila museu - é já merecedora de destaque no que ao alojamento turístico se refere: do Hotel Museu à Quinta do Vau, da Casa da Tia Amália ao Monte do Alhinho, são várias as unidades hoteleiras de qualidade à disposição dos visitantes. Por outro lado, a componente natural e paisagística envolvente permite o desenvolvimento de inúmeras atividades capazes de dar resposta ao visitante mais exigente: caça, desportos náuticos, caminhadas, cycling, birdwatching, … etc. E, naturalmente, o próprio Museu de Mértola, cujos núcleos reúnem um conjunto significativo de elementos de grande significado histórico e cultural.

Motivos, mais que suficientes, para visitar o Alentejo.

Alguém duvida?