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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Tributo ao (meu) Alentejo

Ultimamente, dou comigo a pensar: porque gosto tanto (agora) do Alentejo? Tempos houve em que não valorizava a riqueza natural e cultural desta região. Manias da juventude! Julgo eu. Tinha uma vontade imensa de conhecer outros locais, novas culturas. Não sentia especial apego à “terra que me viu nascer” (costumo dizer). Descobrir novas paisagens, novas cidades, pessoas únicas e diferentes sempre me motivou.

Sempre que possível, rumava à descoberta de novos mundos. Conheci países longínquos (alguns), mas é aqui, no Alentejo, que me sinto Eu. Plena e realizada. Há uma magia especial nesta terra!

 

Vista a sul a partir de S. Bartolomeu do Outeiro

 

Atravesso a planície e a força da natureza entranha-se-me na pele. As cores, os cheiros, o silêncio do montado. Aqui e ali o som de uma ribeira dá o mote para o canto da cotovia, do melro ou da garça, no final das tardes. Mais além, um rebanho completa o quadro bucólico. Na primavera, a magia das aves e das flores nos campos intensifica-se e faz-me sonhar mais ainda. Nas hortas os laranjais (em flor) perfumam o ar. No verão, a noite chega de mansinho à planície (ainda) ensolarada. Discreta, a lua (cheia) beija o horizonte longínquo.

  

Esteva com flor (Cistus ladanifer)

 

Sabe-me bem escutar o silêncio da noite nos campos do Alentejo. Sinto paz interior no palco das recordações da minha infância. O Alentejo genuíno (da
tradição). Dos campos de searas e rebanhos. Do pastor de samarra e safões. Do cante alentejano. Da água fresca das fontes. Dos figos acabados de apanhar nos vales. Dos contos da minha avó (sempre com final feliz e uma “moral” qualquer).E tantas (muitas) outras lembranças que perduram na memória do tempo.

 

 Alentejo (tradicional)

 

 Um ou outro “sinal dos tempos” diz-me que o Alentejo está a mudar. É o Alentejo civilizacional (da inovação) dizem-me. Acato o argumento. Mas temo o futuro destes solos e destes campos. Que a tecnologia e o desenvolvimento (pretendidos) não alterem uma das mais belas paisagens deste planeta. Que a sustentabilidade seja o mote para manter em equilíbrio um dos mais peculiares ecossistemas terrestres.

 

É deslumbramento o que experimento na travessia dos campos deste meu (nosso) Alentejo!

 

 Alentejo (inovacional)

 

 

Nota: Foi tudo isto (e muito mais) que pude experimentar num destes dias ao regressar a casa depois de umas curtas férias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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