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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Um dia em Estrasburgo

Após doze horas de viagem, com mudanças de transporte e transfers, chego a Estrasburgo ao princípio da noite. A viagem de autocarro (desde Frankfurt), muito descontraída, permitiu visualizar novas paisagens (o que é sempre bom). À chegada, as luzes da cidade não permitiram uma visão nítida de reconhecimento imediato. Durante o caminho até ao hotel (feito a pé), dada a relativa proximidade à Estação Ferroviária (Gare Central), tive de imediato a sensação de estar perante uma cidade “muito jovem” e pacata. No curto percurso a maioria das pessoas com quem me cruzei eram jovens estudantes (julgo).

 

Detalhes de uma casa típica no bairro Petite-France

 

A chegada ao hotel foi o momento alto do dia dado que, até aí, tudo girou em torno da logística normal de uma viagem. No hotel (All Seasons Strasbourg Gare) localizado perto da Estação Ferroviária , na Rue Maire Kuss, as cores vivas da decoração contrastavam com o branco (dominante no quarto) tornando o ambiente luminoso e aconchegante. O “quentinho do quarto” soube-me tão bem que o sono chegou sem eu dar por isso…

 

Canal e igreja no centro da cidade

  

Na manhã seguinte, depois de um excelente pequeno-almoço, muito variado, onde não faltaram os típicos croissants (ainda quentinhos) parti à descoberta daquela que apelidei de: “a minha cidade na Europa”. Munida de um mapa da cidade e de um pequeno guia turístico procuro os locais que me despertam mais atenção e à partida maior interesse. São muitos (necessitaria de várias visitas para conhecê-los minimamente). Começo por caminhar até ao centro histórico para visitar a catedral. O centro histórico é sempre uma referência em qualquer cidade. Caminho cerca de dez minutos e chego à estação do metro de superfície (o tram), a estação L´Homme de Fer. Um local muito movimentado pois aí convergem várias linhas do metro. Sigo em direção à Place Kléber. Enquanto aprecio as monstras das inúmeras lojas que ladeiam a praça, apercebo-me da dinâmica da cidade. Dos movimentos das pessoas. Do modo como se vestem. Do que falam. Cruzo-me com vários “ciclistas” os quais tocam a campainha com frequência pois esqueço-me que estou numa cidade onde a bicicleta é um dos principais meios de transporte e, por isso, distraída, interfiro com as suas “rotas”. Este é, entre outros, um hábito social que faz de Estrasburgo uma cidade limpa e sem ruídos.

 

 Place Kléber (manhã e noite)

 

 

Aproveitando o sol (ainda) brilhante do princípio do outono procuro uma esplanada (entre muitas) e delicio-me com um cappuccino enquanto escrevinho umas notas no pequeno bloco  que me acompanha sempre. Soube-me bem-estar ali a observar o mundo. É relaxante aquela cidade. Ali respira-se tranquilidade. Como aquela que senti, nas margens do rio, junto à universidade. Aí, sempre que o tempo o permite, os estudantes em grupos (ou não) fazem piqueniques ao almoço.

Continuo a caminhada, agora via Place Gutenberg e, lá está,ao fim de uma da ruas de acesso à praça, a imponente e majestosa catedral de Notre Dame de Strasbourg. No caminho, vou observando a profusão de souvenirs nos expositores das lojas que ladeiam as ruas perto da catedral. Entro no monumento e aprecio calmamente o interior. Sinto paz ali. Como aliás sempre sinto, quando entro em locais dedicados à oração e ao culto da fé.

 

 Catedral Notre Dame de Strasbourg

 

 

O périplo continua até à Petite-France, um típico bairro de arquitetura alsaciana. As casas de madeira fazem lembrar “casinhas de bonecas” perfeitamente alinhadas nas margens do rio que intersecta o bairro. Ali tudo está “arrumadinho” (costumo dizer). Há sempre muitas pessoas a passear nas margens do canal ou até de barco. Um local imperdível para quem visita Estrasburgo. Aí se concentram alguns dos melhores bares e restaurantes da cidade. Como o restaurante Au Pont Saint Martin onde acabei por almoçar algumas das especialidades alsacianas: “escargots  à L’ alsacienne”, e a “ choucroute” (repolho fermentado cozido) a acompanhar “genou de porc “ (joelho de porco fumado e posteriormente cozinhado de modo variado). Pesado (é um facto) mas muito saboroso. Nada que a caminhada da tarde não ajudasse a digerir.

 

 Detalhes do bairro Petite-France

 

Volto à estação L’Homme de Fer, entro no tram e sigo viagem até às instituições europeias (Conselho da Europa e Parlamento) situadas numa zona muito bonita, próxima do Parque L´Orangerie , um pequeno oásis na cidade. Lugar tranquilo com um pequeno zoo onde se pode passear, caminhar, ou simplesmente relaxar.

A tarde já vai longa e o regresso ao hotel impôs-se pois à noite havia jantar marcado com amigos no Chaine D´Or um restaurante próximo da Place Gutenberg, onde comi os melhores mexilhões até hoje. As famosas “moules” (que recomendo a vivamente a quem goste).

Este foi apenas um dia (entre vários) que já passei na magnífica cidade da Alsácia. Apetece voltar sempre!

 

 

 

Nota: aconselho, no mínimo, uma estadia de três dias para usufruir em pleno de uma das mais bonitas (e mais românticas) cidades da Europa.

 

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