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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Encontro vs Saudade

Saudade, do latim "solitatem" (solidão), talvez a palavra mais usada pelos poetas (e não só). Saudades de alguém, saudades de momentos, saudades de uma vida...
Saudade é emoção, sentimento, comoção. Foi isso que senti, quando reencontrei (hoje) um grande amigo do meu pai. De repente o tempo voltou atrás e as histórias de uma vida foram lembradas com paixão, mas envoltas em melancolia. Por momentos, o passado tomou conta do presente. Entre lágrimas e sorrisos, recordaram-se os espaços e aqueles que os habitaram. Episódios de outrora, tempos de outro Tempo. Um misto de sensações que nos embriagou a alma. Apesar da tristeza subjacente, a magia das palavras soube tecer enredos que me prenderam a atenção, convertendo o momento num encontro especial e inesquecível. 

Obrigada Amigo M.J.C.

Primavera da memória

Durmo ao relento,

No leito da recordação.

Sob o olhar da lua,

Sinto as caricias do vento no rosto da solidão.

 

Procuro nas folhas caídas,

Alento para a caminhada...

Sigo iluminando o trilho sombrio,

Relembrando momentos em cada encruzilhada.

 

Na penumbra dos dias,

Vislumbro um sorriso.

A tua presença pintalga de azul o céu,

E inunda de flores o piso.

 

Vive em mim e terei as flores todas do caminho...

Desatentos e Egocêntricos

Um sintoma vulgar nos nossos dias: "falta de atenção". A diversidade de estímulos é tão grande que o nosso cérebro se dispersa. A quantidade de informação/dados para descodificar aumentou, vertiginosamente, nos últimos vinte anos, tornando-nos mais desconcentrados e desatentos. O ritmo acelerado da vida em sociedade não deixa tempo para (re)pensar emoções e sentimentos. Tudo gira em torno da profissão e/ou da satisfação do ego, na sua versão mais "fútil". No frenesim dos dias vamos assistindo (e contribuindo) para o declínio de valores morais e éticos - muitos dos quais constituem (ou constituíram) verdadeiros pilares da sociedade e da família. Está na hora de reflectirmos sobre o que desejamos par os nossos netos. Que sociedade queremos que herdem? Uma sociedade em que o materialismo se sobrepõe à filosofia dos valores? Uma sociedade de egoísmo e hipocrisia, ou uma sociedade de compaixão e ajuda ao próximo? Cabe a cada um de nós combater as "infeções sociais" que dominam a nossa vida, disseminando a paz e o respeito pelos outros.

Desapego...

Para alguns "minimalismo", para outros "simplicidade". Eu gosto de lhe chamar desapego. Quando penso na quantidade de "tralha" que fui juntando ao longo da vida, e à qual não dou qualquer uso, tenho vontade de "destralhar". Reciclar, dar, vender, deitar fora o que está a mais. Se uso há semanas a mesma mala (e me sinto bem) porque hei-de ter meia dúzia delas? Se os sapatos A me fazem sentir confortável porque vou comprar os sapatos B? Minimizar, simplificar, adquirir apenas o essencial. Há algum tempo que esta "filosofia de vida" me anda a fascinar. Dou por mim a pensar se esta enorme vontade de mudar (alguns hábitos) é fruto da idade ou reflexo do meu crescimento interior? Talvez a causa resida nos dois: uma conjugação, que reflete novas prioridades. Para quê e porquê tantas "tralhas", se Ser Felz exige tão pouco? Um simples passeio no meio da natureza pode ser o bastante para concluir: simplicidade e liberdade são, afinal, sinónimos de felicidade.

Domingo de inverno

É domingo. Na vila (como na cidade) os domingos de inverno são, por norma, tranquilos e dados à melancolia; dias de silêncio e recolhimento. Gosto e não gosto dos domingos. Nestes dias, procuro um recanto que me deixe beber um café comigo mesma. Hoje escolhi o Além Cante, no Largo Vasco da Gama. Ali, à entrada para a "vila velha", ao domingo, no inverno, o espaço permite-me estar, tranquilamente, a ler e a bebericar o café... Lá em baixo, o rio. Corre lento, ausente, consigo mesmo. Transporta na alma histórias de outro tempo, histórias que o tempo gravou na memória das gentes. Também aqui, de onde a vista alcança, percorro um caminho de ausência: percurso sinuoso, onde o sonho me acompanha e conduz. Nessa ausência, embarco no delírio da imaginação construindo arco-íris de afetos. Apesar da ausência, a presença da esperança vai compensando o vazio que se vive por aqui... Olho em redor, ninguém. Mais um dia cinzento de ausência, mais um domingo do meu (deste) inverno.

"Publicidade enganosa na saúde"

Há poucos dias, esta notícia (plasmada num jornal nacional) captou a minha atenção: “Ordem dos Médicos quer travar publicidade enganosa na saúde”. Ótimo, pensei. Segundo o artigo em causa, a Ordem dos médicos irá lançar, brevemente, no seu site, uma área com informação sobre os temas mais polémicos relacionados com saúde. Uma boa notícia, atendendo ao facto do tema - “estilo de vida” saudável - ter invadido os media (e não só). Por exemplo: crescem, vertiginosamente, os anúncios a suplementos alimentares. De repente todos percebem de nutrição e alimentação saudável. Há um boom de anúncios, sobretudo em revistas, alusivos a dietas de emagrecimento, dietas detox, etc. Os consumidores têm razões suficientes para se sentirem baralhados. A oferta é tão vasta e diversificada que optar se torna cada vez mais difícil. Perante a longa lista de produtos anunciados, resta o bom senso e a voz dos verdadeiros especialistas na matéria (médicos e nutricionistas) para nos aconselharem devidamente. Efetivamente, só um bom conselho poderá evitar consequências desastrosas para a saúde.

No cimo da serra

No cimo da serra a lua espreita,

E afaga o rosto dos amantes.

Em cada gesto um sorriso,

Em cada palavra uma promessa.

 

Sonhos vividos, momentos partilhados,

Castelos erguidos na esperança.

 

E enquanto a lua se esfuma e as estrelas dormem,

Um grito reprimido brada no horizonte longínquo.

No choro escondido da hora da partida,

Há um abraço que fica e um beijo que permanece.

 

 

Mudar é possível

Dois livros (O Poder do Agora e Um Novo Mundo), o mesmo autor (Eckhart Toole), o mesmo poder das palavras. Dois livros que fizeram a diferença entre todos os livros que já li. Assuntos atuais, vistos por um especialista em espiritualidade e controlo da mente. O " poder do Agora" e o "despertar de uma nova consciência" são textos que nos ajudam a utilizar o potencial do momento presente e a controlar a nossa mente. Para alguns, o tema pode parecer bluff, mas não deixa de ser interessante pensar sobre o assunto e no modo como estes livros têm ajudado a alterar comportamentos de milhares de pessoas. Os textos revelam-se motivadores e geradores de alterações na personalidade dos leitores predispostos à mudança. Só basta desejar mudar e estar sensibilizado para as questões espirituais. Tudo, naturalmente, associado a disciplina mental e treino. Como qualquer atividade desportiva, também a mudança comportamental se consubstancia no treino regular e na vontade férrea de alcançar resultados positivos. O que é perfeitamente possível, pois a personalidade humana altera-se ao longo da nossa vida, segundo comprovam estudos científicos, levados a cabo na segunda metade do século XX.

Retrato

Olho o teu retrato todos os dias
Todos os dias te olho como se estivesses aqui.


Enquanto dura o fugaz encontro
Uma lagrima rola no meu rosto
E com cautela e disfarçadamente digo-te que estou bem.


Rasgo um sorriso sem sentido
E guardo as palavras que não ouço
Como pedaços de esperança que alimentam os meus dias.

 

A pastelaria francesa

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Saio de casa, rumo ao bulício da cidade. O Amoreiras Plaza espera-me. Ali, onde Lisboa mora, há um espaço renovado: o Kaiser (E. Kaiser, o artisan Boulanger), uma pastelaria francesa. Um espaço mais amplo, com mais pessoas, mais agitação, mas o ambiente acolhedor de sempre. Um sítio bonito para "beber um café comigo mesma" ou para trabalhar. Gosto de estar na esplanada! Sinto-me acompanhada, mesmo estando sozinha. Os clientes (habituais) continuam fiéis. Vejo as mesmas caras, os mesmos "quadros emocionais": o "professor de Francês", "o menino e a explicadora", os "meninos do liceu francês", os "executivos apressados", o "leitor do jornal"... De todos, "o menino e a explicadora" é aquele cuja presença me causa uma ternura imensa. Um quadro vivo, cujas "nuances" me reportam para laços familiares muitos especiais. Gosto do que vejo, e fico feliz quando constato que ensinar (ainda) é uma forma de dar e receber afetos. No ambiente do Kaiser Amoreiras sinto a Lisboa dos nossos dias: cosmopolita, agitada, impessoal, moderna e irreverente.

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