Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Ao meio-dia na aldeia

Atravesso a peneplanície, sob um calor abrasador. À hora combinada chego à aldeia. No largo (único), uma carrinha, em jeito de mercearia ambulante. Cumprimento os presentes e pergunto onde se situa a sociedade recreativa. Dizem que é logo ali, ao lado. Estaciono o carro e instalo-me na sombra do telheiro defronte à porta. Numa mesa, quatro homens jogam à carta; outros dois, mais recuados, vão tecendo comentários avulso. Num pinheiro, junto ao casario, uma rola turca canta; no pátio, onde me encontro, um cão, de língua de fora, vai farejando por ali. Eu, sentada num banco junto à porta, fico observando e sendo observada; atenta e descontraída, a vivenciar toda aquela ruralidade, que tanto me apraz. Sons e diálogos familiares, que me transportam para outro tempo. E mais uma vez a saudade se instala, trazendo ao presente memórias, únicas e inesquecíveis. Reprimo a lágrima que intenta formar-se. Desvio o pensamento e concentro-me no quadro que os meus olhos veem: uma imagem onde a genuinidade, das gentes e dos sítios, se impõe. Uma autenticidade que (ainda) se sente e se vive em lugares recônditos deste concelho (e deste país).

Cacela Velha, ontem e hoje

A publicidade (excessiva) desvirtua o que é natural e genuíno: o turismo de massas chegou a Cacela Velha. Ontem, fiquei (um pouco) desencantada com a ambiência daquela que já foi uma aldeia mística, uma pérola no sotavento algarvio. Ali comi: as melhores ostras e o melhor arroz de lingueirão. Fui cliente pioneira do restaurante Casa Velha, no tempo em que o Senhor Joaquim recebia os comensais como amigos e familiares. Porque a relação de proximidade, assim o permitia. Naquele tempo, a esplanada (exígua) do restaurante, limitava-se a meia dúzia de mesas, dispostas na ruela inclinada, junto à buganvília púrpura.

Hoje, apercebi-me, pela primeira vez, que as multidões chegaram ali, trazendo ruído e confusão à outrora tranquila Cacela. O silêncio nas ruas deu lugar à música, por vezes incomodativa, que polui o ambiente e retira encanto aos lugares. O bar Azul, deixou de ser um lugar de tranquilidade, quase meditativa, para se transformar num loundge - onde se vende água de coco (no próprio fruto), repleto de "tias", que ostentam as últimas tendências da moda de verão.

Enfim, consequências da massificação dos destinos turísticos.

image.jpeg

image.jpeg

image.jpeg

image.jpeg

 

 

 

Mulheres vs idade

Comentário de uma senhora septuagenária para outra (amiga ?): "Não gosto! Parece uma bata de velha." Achei curiosa aquela observação. A mesma comprova que a idade é, apenas, um número - com uma conotação subjacente.
Os tempos mudaram e hoje uma senhora de 70 anos, saudável e independente, não se considera "velha". Gostei. Daqui a duas décadas, as "cinquentonas" serão as novas "teens" - considerando que as mulheres se renderam à filosofia do "fit" e do "bio", na perspetiva de travar o envelhecimento.  

Lugares: com alma e sem ela

Começo a compreender os moradores dos centros históricos de Lisboa e do Porto. Não deve ser fácil conviver (diariamente) com o vaivém constante de turistas a entupir as ruas, os lugares de estacionamento, os supermercados e lojas. Quem disse que viver no bulício é bom? Pessoalmente, até gosto das grandes cidades, mas faz-me falta desfrutar do silêncio e da tranquilidade dos espaços. Começa a ser difícil conseguir esse estado de alma, até nos pequenos aglomerados urbanos. A essência dos lugares (a sua alma) desvanece-se perante o turismo massificado. Quem procura lugares com alma não prefere (de todo) encontrar uma multidão a deambular. Um dia (talvez, julgo) "alguém" irá parar para pensar que a publicidade em exagero desvirtua o encanto e a beleza dos lugares. Ser autêntico é ser natural. E o natural não se coaduna com exageros e/ou ambições desmedidas.

Ler é poder

Porque ler faz parte do "ritual do conhecimento abundante", este livro ajuda a melhorar o nosso auto-conhecimento. É um livro para ler e reler. Já vou na segunda leitura e sei que vou voltar a devorar cada página deste best-seller. Quando os dias estão cinzentos e a mente insiste em permanecer melancólica, está na hora de ativar estímulos positivos. Neste livro encontrei as técnicas que ajudam a permanecer no Agora, e a substituir pensamentos negativos por pensamentos positivos - aquilo a que S. Sharma designa de "pensamento oposto". Com fé no seu efeito, os princípios aqui plasmados, se aplicados durante um mês, tornar-se-ão um hábito nas nossas rotinas, permitindo alcançar: saúde, energia e felicidade.
Vale a pena ler se desejar melhorar o seu mundo interior. 

image.png

 

 

(N)outro Algarve

A pequena vila continua calma e tranquila. Como sempre. Erguida na encosta, entre o mar e o rio, a pitoresca vila de Ferragudo continua fiel a si mesma: um ambiente descontraído, quando os dias se alongam e o sol aquece. Longe das multidões, ali se consegue alcançar a harmonia entre o corpo, a mente e a alma. Uma comunhão que permite relaxar da vida mundana e dos ritmos frenéticos do quotidiano. Gosto de estar na praça a ler ou simplesmente a observar... Com tempo para viver o presente, porque a Vida está no Agora.

 

 

Recomendações: para estadia, o Aguahotels Riverside (um hotel com SPA, com excelente relação qualidade/preço); para um jantar à beira rio, o Borda do Cais é o restaurante que oferece um ótimo cardápio de peixe fresco, associado a um atendimento simpático e atencioso; e se o tempo o permitir, desfrute dos primeiros mergulhos na praia do Pintadinho, localizada a pouco mais de um quilómetro e meio de distância do centro da vila.

image.jpeg

image.jpeg

image.jpeg

image.jpeg

image.jpeg

image.jpeg

image.jpeg

 

 

 

Ontem foi dia de comemorar

unnamed.jpg

O mundo sem livros seria um dia sem sol!? Talvez. Não consigo imaginar o mundo sem "literatura". Quanta falta me faz o livro da mesinha de cabeceira - o meu companheiro das noites de insónia. E quando um livro não basta, é na escrita que encontro a fórmula mágica para expulsar emoções e (re)viver momentos. Uma terapia fácil, e com resultados concretos. São as palavras (certas) que se transmitem de geração em geração - oralmente e por escrito.
Ontem, foi dia de comemorar "as palavras", que já escrevinhei aqui. Agradeço, do coração, a todos quantos contribuíram para este reconhecimento.

Por terras da Beira Baixa

Apesar do frio, o dia soalheiro convidava a passear: escolhi a aldeia histórica de Idanha-a-Velha (na Beira Baixa), onde se pode apreciar a estação arqueológica de relevo nacional. Ali se exibe um conjunto de ruínas de fundação romana, muito bem preservado.
O silêncio das ruas evidenciava o despovoamento típico do interior do país. Para além dos cerca de setenta (oitenta?) habitantes, são os turistas que animam os dias e dão algum colorido às ruas. Talvez falte investimento (?), talvez falte apostar mais na vertente turística (?) ou noutras alternativas capazes de dinamizar aquela que já foi, outrora, cidade capital da Civitas Igaeditanorum (séc. I a.C.).

image.png

image.png

image.png