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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Guadiana, o (meu) rio

Sento-me no miradouro sobranceiro e contemplo o Guadiana, o grande Rio do Sul. Correndo de mansinho, às vezes revolto, como se estivesse zangado com o Mundo. Mal-amado (durante décadas) por todos aqueles que, não respeitando a riqueza que albergava, poluíram as suas águas em prol do desenvolvimento das suas indústrias. Salvo por quem, acreditando nas suas potencialidades, o valorizou enquanto recurso natural. Hoje o rio corre calmo e sereno. Tranquilo e renovado. O leito de estiagem de águas escasso deu lugar a um espelho de água límpida e cristalina onde a vida pulula e se agita e as lanchas dos pescadores (em número cada vez mais reduzido) deram lugar às canoas e aos caiaques dos jovens do Clube Náutico.

 

 Azenhas do Guadiana (Mértola)

 Moinho de Água (Azenhas do Guadiana, Mértola)

 

O Guadiana de outrora voltou a “sorrir”. E as gentes das suas margens voltaram a sentir o palpitar da vida que o povoa. O canto da garça no final da tarde, o “saltor” que emerge da água, o resmalhar da lontra entre os caniços à procura do mexilhão do rio. Gosto de observar o rio e os seus “habitantes”. Faz-me recordar os longos dias de verão passados nas azenhas (junto a Mértola), a praia de grande parte da população. Ali, entre moinhos de água (as azenhas), os jovens, aproveitando a maré cheia, mergulhavam nas zonas mais profundas ou brincavam ao “peixe-olho” - uma espécie de joguete às escondidas na água.

 

 Rio Guadiana (na zona dos Canais)

 

Outra lembrança desse tempo: a lavagem das “mantas”. Quando o calor se instalava e as camas prescindiam de tais coberturas, havia quem preferisse lava-las nas águas correntes do rio, pois tornava mais fácil a tarefa manual. Nesse dia, o mulherio (e a criançada) chegava bem cedo para  montar a “lavadeira” (uma pedra de superfície lisa e suficientemente larga para o efeito). Enquanto as mulheres lavavam a roupa em amena cavaqueira, as crianças brincavam na água, numa risota e galhofa constantes. Todos faziam deste dia uma autêntica festa. Ao almoço, no piquenique da praxe, não faltavam o presunto, o paio e o queijinho (caseiros) e outras iguarias que sabiam ainda melhor. Sobre a toalha, meticulosamente estendida nas ervas da margem, não faltavam as frutas frescas da época (melão, figos e melancia) e a água fresca do barril de barro que permanecia enterrado na areia húmida para se manter fresco.

À tardinha, depois da roupa secar na encosta da margem, era chegada a hora do regresso a casa. A pele tostada pelo sol (em excesso) e o cheiro do rio entranhado na pele ficavam retidos na memória. São essas memórias que se avivam quando, parada no miradouro, observo as Azenhas do Guadiana junto à quinta onde nasci. E penso: fui tão feliz aqui!

 

Moinho (de água) dos Canais

 

 

 

Escrito da (na) Ria

Voltei (menos de um ano depois) ao meu porto de abrigo na Ria Formosa. Cabanas. Para alguns poderá ser um local banal, igual a tantos outros. Talvez seja assim na perspetiva da simplicidade das coisas. Prédios banais, casas vulgares, restaurantes e bares iguais a muitos. Mas a ria vista dos apartamentos do Cabanas Park Resort tem uma beleza e um encanto especiais. O pio das aves no sapal são a sinfonia da tarde que me ajuda a relaxar.

 

 Detalhes do Cabanas Park Resort

 

Na piscina, em contraluz aprecio o horizonte. Ao longe, Tavira assemelha-se a uma qualquer cidade marroquina. Porquê? Por culpa (talvez) do perfil do aglomerado de casas brancas no vasto horizonte. A temperatura (quente para a época) amorna o ar e anestesia-me o corpo e o espírito. Fico ali (imóvel) a ouvir o som dos repuxos de água que ladeiam a piscina. De vez em quando a gargalhada de uma criança quebra o silêncio no Ria Park.

Ali o entardecer é mais idílico. O reflexo do sol nos canais, as aves em bandos (por vezes), como os flamingos que por ali cruzam o céu já quase à noitinha, e o sossego envolvente tornam o local ideal para retemperar forças e adquirir ânimo para mais uma semana de trabalho. É o bálsamo (físico e mental) que se impõe para contrabalançar o stress das rotinas diárias.

 

Piscina no Cabanas Park Resort

 

Antes do jantar ainda há lugar a um banho turco seguido de uma sessão de jaccuzi  numa sala de paredes envidraçadas que permitem contemplar o pôr do sol. É, sobretudo, esta visão magnífica que trago comigo das estadias em Cabanas.

 

 "Jacúzi no terraço" e "Entardecer no sapal"

 

Ao jantar posso dar um salto até Santa Lúzia e degustar as iguarias da Casa do Polvo ou, caso me apeteça, continuar na pacata localidade piscatória, e optar pelo Grelha Peixe um restaurante marisqueira onde se come maravilhosamente bem.

Após o jantar nada melhor que uma caminhada pela marginal. Finalmente, se apetecer, terminar a noite no Quasi um bar intemporal e “sempre na onda”.

 

Bar Quasi (Cabanas)

Mar, sol... e "espírito natura"

Finalmente um dia (livre) com sol. Embora estejamos longe da abertura oficial da época balnear, dei hoje o pontapé de saída para mais um périplo pelas nossas praias. É isso mesmo, “pelas”. Sou daquelas pessoas que gosta de veranear por vários locais. Diversificar permite conhecer novos recantos. Descobrir encantos escondidos (como já aconteceu).

Hoje, a opção recaiu na Praia do Cabeço. Também conhecida (por muitos) por Praia da Retur. É aqui que volto (no início de cada verão) desde há dezoito anos. Nessa altura ainda o atual “Sem Espinhas” não existia. Quem desejasse almoçar ou bebericar algo fresco teria de fazê-lo no único apoio de praia existente. Uma “barraquinha de madeira” de uma simpática Senhora (cujo nome já esqueci) e que servia umas deliciosas empadas de galinha que faziam as delícias de muitos clientes. Nesse tempo os habitués eram, sobretudo, aqueles que tinham casa no aldeamento Retur. Os restantes (esporádicos) eram uma minoria. Ultimamente, aumentou o número de frequentadores da praia, muitos espanhóis, que se tornaram fiéis não só da praia mas, também, da marca “Sem Espinhas” que ali tem dois restaurantes. Hoje é comum ouvir falar castelhano por ali.

 

Praia do Cabeço (e os meus apetrechos de praia...) 

 

Ultimamente, frequento mais o “Sem Espinhas - Natura Beach”. Um espaço onde se passam bons momentos à conversa, no lounge junto à esplanada, a beber uma caipirinha no final da tarde ou a comer uma “salada especial” ao almoço acompanhada de um sumo natural de “abacaxi e hortelã” ou “manga e laranja” (os meus preferidos). Também servem sushi (para os apreciadores).

Gosto da Retur porque o areal é extenso e tenho espaço para estender a toalha. Se preferir posso passear até à Praia Verde e no caminho dar um mergulho “em privado”. Posso isolar-me e disfrutar do mar só para mim. Deitar-me nas dunas e deliciar-me com o cheiro das flores silvestres e do pinhal. O aroma típico das dunas é um autêntico Pot-pourri.

 

 É esta dualidade do mar e do campo que me fascina neste local.

  

"Sem Espinhas Natura"
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