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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Entre o rio e a serra

O ondulado da paisagem e a vegetação escassa e xerófila (alguma) denuncia a natureza agreste da zona. Situada entre a serra algarvia e o rio Guadiana a pequena vila de Alcoutim é hoje um local de passagem e de estadia para muitos visitantes. No cais de embarque os iates e veleiros são frequentes. Alguns chegam e ali permanecem (por tempo indeterminado) denunciando uma tripulação em férias, com tempo.

 

 Vista parcial de Alcoutim e Sanlúcar do Guadiana (em cima) e igreja de Alcoutim (em baixo)

 

Sentada na esplanada do velho quiosque (junto ao cais) observo o pequeno iate que desliza suavemente na água calma e tranquila do rio. Dirige-se para sul. Quem lá vai? Para onde vai? Apetecia embarcar (também) sem rumo e sem rota. Ao sabor das marés.

 

 Cais de embarque (Alcoutim)

 

Não posso. Fico por ali a ver a paisagem. Do lado de lá (na outra margem) Sanlúcar do Guadiana impõe-se na encosta. O pequeno povoado, de casas brancas, parece-me pacato, silencioso. Como sempre me pareceu. A meu lado, junto ao muro, o velho “guarda-fiscal” (em pedra esculpido) sempre atento e alerta, espreita para lá do horizonte. Enquanto isso, o astuto e afoito “contrabandista”, transportando na alma a “canseira da vida” luta pela sobrevivência nas águas calmas da noite…

 

 Esculturas de rua (guarda-fiscal e contrabandista)

"Viva a Malta, Trema a Terra

Daqui ninguém me arredou.

Quem há-de tremer na Guerra

Sendo Homem como eu sou."

Hino dos Contrabandistas do Guadiana, Cantiga Popular (inscrição na placa junto ao cais) 

 

Aqui e além a história repete-se, ou não fosse Alcoutim um dos locais onde o contrabando entre Espanha e Portugal (e vice-versa) marcou a vida das populações. Hoje, a modernidade instalou-se e introduziu profundas alterações sociais e económicas. O turismo é (atualmente) a vertente económica em ascensão.

O vaivém contante das embarcações embalou-me o pensamento de tal forma que não dei conta das horas a passarem. Era tarde, mas ainda houve tempo para passar na praia do “Pego Fundo”. A praia fluvial detentora da Bandeira Azul e da Bandeira Praia Acessível. Um local aprazível, para estar em família (ou não), em plena natureza.

 

 Largo da vila (Alcoutim)

 

 Praia do "Pego Fundo"

 

Segui depois até aos “Menires do Lavajo. Um monumento megalítico situado junto ao troço da “via algarviana” (percurso pedestre) próximo de Alcoutim.

 

 Monumento Megalítico "Menires do Lavajo"

No final da tarde, a certeza de um dia tranquilo e bem passado. Aconselho este passeio.

(Caminhando) por Londres…

Acordar no Charing Cross hotel, o local de eleição do Eça (de Queirós) nas suas passagens por Londres, abrir a
janela do quarto e constatar que há sol é algo surreal. Sobretudo se estivermos no outono. Foi isso que aconteceu da primeira vez que visitei a cidade. Magnífico quadro natural. Pensei. O hotel, um edifício vitoriano renovado, muito acolhedor e com um excelente serviço de atendimento, situa-se próximo de Trafalgar Square (um local emblemático do centro de Londres) e  junto à estação Charing Cross.

 

Charing Cross Hotel

 Trafalgar Square

 

Aproveitando aquela localização privilegiada, num dos dias da minha estadia, fiz um périplo pelos locais turísticos (é certo) mas que qualquer viajante curioso deseja conhecer. Depois de Trafalgar Square entrei na Pall Mall (a famosa “alameda”), assisti ao render da Guarda e segui até Buckingham Palace (a residência oficial da monarca inglesa) e que na altura oferecia ao público várias exposições alusivas às comemorações dos 60 anos de reinado.

 

Buckingham Palace

Dali, a caminhada conduziu-me até Hyde Park, um lugar onde a natureza nos brinda com uma paisagem natural magnífica e digna de uma visita. Um local, onde se respira ar puro, ideal para repousar e estar em harmonia com o espírito e esquecer a agitação da vida mundana ali tão perto.

 

Hyde Park

 

Depois de um cappuccino (delicioso) numa esplanada do parque o itinerário prosseguiu até Kensington Palace e respetivos jardins. Espaços magníficos (principescos mesmo).

 

 Kensington Palace

 Kensington Palace (jardins)

 

Mais alguns minutos , em passo lento (de passeio mesmo) e eis-me defronte do famoso Royal Albert Hall. Algumas fotografias da praxe e continuei até ao Museu de História Natural. Um local onde a história do “Planeta Azul”, nas várias dimensões da ciência, é contada de forma espetacular. Uma viajem, às “nossas origens” (e evolução), dinâmica, interativa e potenciadora do conhecimento. Um mundo a explorar por miúdos e graúdos.

 

Royal Albert Hall

 

A tarde chegou e com ela o desejo do recolhimento e do sossego pois o dia fora super preenchido e a manhã seguinte estava, antecipadamente, reservada para Portobello Road Market. O famoso mercado de rua do bairro (também famoso) Notthing Hill. Um dos mais conhecidos e frequentados mercados de rua de Londres. Um acontecimento a não perder nunca. Um mundo de contrastes invulgar. Um espaço onde a moda vintage se cruza com estilos mais arrojados(futuristas) ditando tendências únicas e inovadoras.

 

 Portobello Market

 

Para além de Portobello, vale a pena passar (também) por Convent Garden Market. Um lugar onde a moda, a gastronomia e a arte (essencialmente a música) se cruzam para delícia dos visitantes. Gostei do ambiente. Cosmopolita, mas descontraído q.b.

 

 Convent Garden Market

 

Londres é tudo isto e muito, muito mais. Apetece voltar! Todos os anos.

 

Alemanha... (aos meus olhos)

Talvez a história (contemporânea) tenha condicionado, fortemente, a minha opinião sobre uma das grandes potências europeias. Apesar da dificuldade em apagar da memória o que a história me ensinou, de sentir dificuldade em escrevinhar sobre o mesmo, ao rever fotografias da minha viajem a Munique decidi incluir a capital da Baviera nos meus “roteiros intimistas”.

 

Munique

 

 

Apesar de considerar a Alemanha um país frio e calculista, um país onde falta simpatia e afetos, ninguém duvida de que a Alemanha é detentora de um conjunto de caraterísticas que a tornam um país de referência no atual contexto europeu. E a cidade de Munique(München) não escapa a este posicionamento. Além de ser a terceira cidade mais populosa do país é sede de várias multinacionais impondo-se como um dos mais importantes pólos da indústria alemã.

 

Rio Isar (em Munique)

 Detalhes de Munique (1)

 

Aterrei no aeroporto de Munique numa tarde da primavera de 2011. Um céu azul e uma luz límpida e brilhante tornavam a cidade mais acolhedora e com algum magnetismo (diria). Porque a curiosidade era imensa e a vontade de conhecer maior, pouco tempo após a chegada já estava à descoberta da cidade. Monumental, achei. Edifícios magníficos (de grande porte). Muita higiene e limpeza. Organização e método nos serviços. Gostei. Conquistou-me momentaneamente. Por algum tempo esqueci o “passado” e disfrutei do que a cidade tinha para oferecer.

 

  Detalhes de Munique (2)

  Detalhes de Munique (3)

 

Aproveitei o bom tempo e dei um pulo até Nuremberga (Nürnberg).Uma cidade de raiz medieval, quase toda reconstruída no pós segunda grande guerra e conhecida pelos mediáticos “julgamentos de nazis”. Com um centro histórico, rodeado por uma grande muralha, ali sente-se verdadeiramente o peso da história. O silêncio impõe-se. Há mais tempo para o recolhimento e para a apreciação dos espaços envolventes. Uma cidade arquitetonicamente harmoniosa, cuja riqueza patrimonial anula qualquer conotação negativa associada à história recente.

 

 Nuremberga (detalhes 1)

  Nuremberga (detalhes 2)

 

 

E novamente Munique, a beber cerveja da boa (mas não no Oktoberfest, um festival de cerveja mundialmente conhecido)

 

 

 

Ambientes inspiradores (3)

Há dias senti saudades de voltar ao Porto. Gosto da cidade Invicta! De passear na ribeira e nas ruas mais antigas da baixa. Ruas de casario antigo. Onde (nalguns casos) a tradição ainda é o que era. Há muito para ver e disfrutar na capital do norte. Mas há duas coisas que não dispenso num périplo pelo Porto: passear na rua de Santa Catarina e beber café no Majestic (um dos mais belos exemplares de Arte Nova portuense).

 

 

Lugares emblemáticos carregados de simbolismo. Ambientes que inspiram. Gosto de me sentar na esplanada do Majestic e observar o vaivém das pessoas na rua. Ouvir os sotaques (diversos) nas mesas vizinhas. Há um ambiente cosmopolita naquele espaço emblemático. Requinte e tradição coexistem ali. Sabe bem voltar lá. Sempre. Para degustar um magnífico café enquanto leio, penso, ou simplesmente medito…

 

Café Majestic
Detalhes do Majestic (1)
Detalhes do Majestic (2)

 

 

 Nota: para quem não conhece, o café Majestic é um local de visita obrigatória na cidade do Porto.

 

 

 

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