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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

(Na) Taberna do Adro

Dia cinzento: as nuvens teimam em se afirmar e esconder o sol. Apesar do ar invernoso, a temperatura está amena e convida a sair de casa, para mais uma incursão gastronómica de fim‑de‑semana. Desta vez a opção recai na Taberna do Adro, em Vila Fernando (Elvas) - por recomendação de amigos.
Sigo em direção à pequena vila alentejana. O alvo casario, de chaminés "gigantes", chama a atenção do visitante. Há uma pacatez única no ambiente de ruas desertas. Como ponto de referência: a igreja; procuro o campanário. Ali mesmo ao lado está a Taberna do Adro, o recanto onde me aguarda uma refeição plena de criatividade e genuinidade: galinha caseira tostada - uma das especialidades da casa. Opto pela recomendação. A dose, bem recheada, vem acompanhada de migas diversas (de batata, de tomate e de couve-flor). De entrada um pastelão

(espécie de tortilha de batata) pimentos em conserva e tiras de tiborna (um casamento de sabores perfeito). Para sobremesa, e para fazer jus à máxima : "em Roma sê romano", sericaia com ameixas de Elvas.
Um ambiente confortável, com uma decoração muito original e uma refeição de excelência, digna de referência, a um preço convidativo (15 € por pessoa, incluído o café - este acompanhado de uma ginjinha, cortesia da casa) num ambiente confortável, de decoração original, e com simpatia no atendimento. Bom e recomendável.

Nota: a seguir pode sempre visitar o Forte da Graça (património da humanidade), em Elvas, uma construção digna do título que ostenta.

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Nevoeiro de outono

Gosto do nevoeiro matinal que anuncia a chegada do sol. Na sua presença, o campo fica mais sereno e a vida acorda mais cedo. Delicadas gotas de orvalho acariciam teias de aranha e adornam os caules moribundos dos dias longos. Mas logo que o sol despertar, desvanecer-se-ão, discretas, para alimentar de vida as plantas que cobrem o chão da planície.
Há outra vivência no Alentejo quando os dias se encurtam e o nevoeiro se instala. É a vida outonal, a despontar em cada recanto.

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O cantinho ideal para um café...

Em pleno largo, a olhar o rio, na "loja da Marta" (como é conhecido entre amigos) encontrei o cantinho ideal para um café comigo mesma; um espaço para aqueles dias em que apetece estar no Agora, sem (muitas) interferências externas.

Um espaço acolhedor, com toque de personalidade: Alemcante (em Mértola) - a "minha" coffee shop do momento.

 

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Ervas daninhas ou plantas comestíveis?

É outono. As ervas daninhas já invadem a beira do caminho. Provocadas pelas primeiras chuvas, irrompem entre a manta morta do pinhal, intersectam culturas, despontam aqui e acolá. Há quem as julgue inúteis e/ou prejudiciais, na medida em que competem com as demais plantas domesticadas. Outros, porém, têm opinião contrária: todos os estratos vegetais podem coexistir nos ecossistemas, sem que haja, necessariamente, atropelos ou desvantagens competitivas. Além disso, muitas das ervas daninhas são plantas perenes comestíveis. Os nossos antepassados utilizavam muitas delas, quer na alimentação, quer para fins terapêuticos/medicinais. Nesta altura do ano, o campo está pejado destas espécies. Todavia, é necessário saber identificá-las, pois há variedades tóxicas e outras venenosas.

Há dias tive o prazer de assistir a uma autêntica "aula de botânica", em pleno campo, dirigida por Stephen Barstow - o especialista mundial nesta matéria. Deixo-vos um testemunho desta aula: um exemplo prático de utilização da planta conhecida por umbigo-de-vénus (vulgarmente apelidada de chapéu-dos-telhados) - uma planta comestível, que pode constituir um excelente ingrediente de saladas verdes. Diz S. Barstow que é "tenra e crocante" apesar do "sabor ligeiramente ácido". Mais uma novidade, para acrescentar ao elenco das dicas de alimentação naturalista.

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(Nome comum: Umbigo-de-vénus)

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(Nome comum: Acelga selvagem)

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(Nome comum: Salva brava) 


Nota: https://www.cm-mertola.pt/municipio/comunicacao-municipal/noticias/item/2816-stephen-barstow-e-as-plantas-perenes-comestiveis-do-vale-do-guadiana

 

 

 

 

 

 

 

Caminhando (no campo)

No campo: ouço o murmúrio do vento, escuto as melodias dos pássaros, respiro os perfumes da floresta. Todos os sentidos estão alerta quando caminho no campo; mas é no coração da floresta, que as emoções se adensam. Reconhecer em cada planta o palpitar da Vida, constatar em cada rochedo o relógio do Tempo. Caminhar no campo permite-nos ouvir e falar com a Mãe-natureza: brindar com ela à Vida. Além de constituir uma terapia (natural) para alcançar bem-estar físico e mental, é uma forma saudável de combater a maior epidemia social do século: o stress.

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Pôr-do-sol no Alentejo

Teria (julgo) os meus doze anos, quando escrevinhar sobre emoções e sentimentos se tornou um hábito: numa espécie de diário, registava palavras soltas sobre os pensamentos mais íntimos. Desde essa altura, que me lembro do efeito benéfico do pôr-do-sol, no meu estado de espírito. Ainda hoje, essa influência perdura: adoro a luz dos amantes e dos encontros românticos; a luz da fantasia da primavera da vida; a luz dos sonhos efémeros; a luz da tranquilidade dos campos, à tarde, no Alentejo. Adoro o pôr-do-sol.

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Portas (da vila)

Dei-me conta, um destes dias, de estar a fotografar portas, na "vila velha" (em Mértola), enquanto caminhava por ali. A variedade de estilos e cores das ditas "aberturas" não me deixou indiferente. Umas mais antigas, outras nem por isso. 

Optei pela fotografia; outros há que preferem transferir o seu olhar para uma aguarela, um desenho a carvão, etc. Seja de que jeito for, com mais ou menos beleza, as portas sempre constituíram um elemento fundamental da estética arquitectónica; uma fronteira entre um domínio público e um domínio privado.

Em simultâneo, e enquanto os olhos observaram, a mente construiu narrativas, que a memória foi ilustrando: o tempo das conversas entre vizinhos, no poial da entrada, nas noites de verão... das mães a espreitar nos postigos, enquanto a criançada brincava às escondidas, nos becos... das velhotas na soleira, à espera de um bom dia... verdadeiras molduras, de quadros cada dia menos realistas; testemunhos de relações sociais saudáveis; resquícios de outra época - a do tempo do convívio ao ar livre (sem redes sociais, nem videojogos). 
Uma miragem, nos tempos atuais, que os mais saudosistas vão recordando...
 

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A caminho da ribeira

 

Chego à aldeia, quase ao entardecer. O silêncio quebra-se quando atravesso o casario, em direção à ribeira: um cão que ladra vem ao meu encontro; dirijo-lhe meia dúzia de palavras e um gesto de afeição. Nada temo do velho animal, cansado da mudez dos dias...
Prossigo a caminhada, sentindo em comunhão o corpo e a mente, enquanto inalo os aromas do campo. No pinhal, a voz do vento sussurra-me ao ouvido uma melodia que evoca saudade... No lado oposto, o pio de uma ave desfoca-me o pensamento. Fico atenta; perscruto angústia naquele canto. Um pouco mais à frente, um coelho saltita no pasto ressequido, para logo desaparecer, por entre as estevas da berma do caminho... Ando mais um pouco, até o sol se esconder atrás do monte.

A caminho da ribeira... sinto-me una com a mãe-Natureza e inundada de uma paz única, que se vivencia nos campos do Alentejo.

 

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No Monte da Morena... sossego e tranquilidade

Uma manhã de verão (alentejano) atípica: cinzenta e fresca. No Monte da Morena Agroturismo, reinam o sossego e a tranquilidade.

Na hora de subir ao grande alpendre, para mais um pequeno-almoço bem caseiro, a gentileza e a amabilidade da D. Custódia (a governanta de serviço) fazem-nos sentir em casa. Na mesa, o pão e queijo frescos da região, o requeijão com mel, as compotas caseiras... e os famosos "biscoitos de Brinches" - que fazem esquecer qualquer dieta.

Depois, depois é hora de deixar os dias passarem num verdadeiro "nada fazer". Entre um mergulho e outro na piscina, há tempo para ler, escrevinhar ou meditar na relva, quase sempre com o Bréu por companhia - um dos dóceis labradores da casa. 

À tardinha, quando o sol se esconde para lá dos montes, chega o silêncio da noite e com ele as melodias do campo: o pio do mocho, o coaxar da rela, o canto do grilo. Ao luar, sob o olhar das estrelas, é hora de viajar no tempo: aviva-se a memória e deixam-se entrar os sonhos. Tudo isto (e muito mais) no pequeno oásis "a um pulinho" do centro de Serpa - a cidade do Museu do Relógio, onde se podem degustar alguns dos mais típicos pratos da gastronomia alentejana.

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Na "praia do sudoeste"

A manhã acordou morna e tranquila no monte do Papa-léguas: o local eleito para descansar, ao ritmo da natureza. Após o pequeno almoço, bem caseiro, seguiu-se uma pausa para o café matinal, numa das esplanadas da Zambujeira do Mar. Alguma leitura, uma breve visita à loja Lhasa, para conhecer as novidades, e é hora de descer em direção ao mar, estender a toalha no areal e deixar o corpo relaxar na espuma dos dias.

Por hoje, algumas nuvens cobrem o céu, mas sol brilha na praia do "palheirão" - o rochedo mais "solitário", que se ergue no mar da Zambujeira.

Esvazio o pensamento e escuto o murmúrio das ondas... É desta forma que saúdo o verão, na "praia do sudoeste".

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