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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

O refúgio

Já passou um ano. Contudo, continuo a recordar, com saudade, o meu refúgio em Campolide: a minha "casinha". É desta forma que aludo àquela que foi o meu "cantinho" - na recente e breve passagem por Lisboa. Um lugar onde fui feliz. Recordo a chegada, mas nunca esquecerei o dia da partida: um carro cheio de tralha e uma alma vazia. Quando a cidade se tornava minha cúmplice, quis o destino que me afastasse. Foi difícil deixar aquela cápsula espacial. Ali, sentia-me protegida do olhar do mundo. A minha identidade era respeitada. Sem intromissões (nem julgamentos) de terceiros, a vida foi acontecendo de forma sã, ao sabor do tempo e do universo. Apesar da agitação da grande cidade, consegui criar os meus ritmos sem interferências externas. Hoje, posso dizer que consegui sentir a "leveza" do Ser. Cresci e ganhei defesas. Além de mais, pude aproveitar (e apreciar) o que Lisboa tem de bom: muita Cultura.

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Uma questão de Atitude

"Admiro-a. Foi uma mulher corajosa (...)". Extrato de uma conversa, entre amigas, que me inspirou, e serviu de mote para o texto que se segue.

 

 

Não há pessoas boas, nem pessoas más. Há pessoas com atitude. Mas o que é a atitude? Aquilo que nos distingue dos demais - a nossa identidade. O nosso cunho, a nossa marca. Saber o que queremos e como desejamos Caminhar - ainda que às vezes o caminho seja sinuoso e tenha pedregulhos. A premissa é: não desistir; não termos receio de arriscar e de nos afirmarmos. A vontade e o querer (os nossos objetivos ) devem ser o foco da nossa mente. Deixar de lado o "será que... ?", "e se...?", .... Viver no mundo dos "se" provoca angústia e ansiedade. Ansiedade gera mau-estar emocional e físico. Contrariar a tendência do conformismo e do nada fazer é, desde logo, sinal de atitude.
Tenhamos Atitude, sem nunca esquecer o lado prático e simples das coisas. Esse é o caminho, para uma vida feliz e tranquila.

"Sou professora, logo sou rica"

Considerando as recentes notícias, sobre os professores portugueses, permito-me deduzir: "sou professora, logo sou rica". Sobre o assunto só me ocorre dizer: tenho carro porque o comprei; tenho telefone e computador portátil porque os comprei; vou almoçar e/ou jantar fora, mas pago do meu bolso; se for viajar, tenho de pagar do meu bolso, etc, etc. Tudo isto, para não falar de tantas outras "mordomias " que nós, professores, classe supostamente rica, na realidade não tem. Contrariamente, outros (dirigentes políticos e não só), têm tudo isto a "custo zero". É justo? Não se trata de justiça, mas sim de coerência nos atos e nas críticas efetuadas a quem, semelhantemente, tem cargos e responsabilidades no seu trabalho. Assim, parece-me desajustada, e sem qualquer fundamento, a eterna "desculpa" de que os cargos políticos, pela responsabilidade inerente, exigem/permitem determinadas regalias. Isso sim, julgo ser uma afronta e uma verdadeira injustiça para quem, diariamente, tem a seu cargo crianças e jovens para Educar - "holisticamente" falando, claro.
Por isso pergunto: a luta dos professores é injusta? Porquê? Porque exigem igualdade e equidade no que aos seus direitos alude? Não me parece que haja injustiça. Dizer que o "país aposta na educação", mas não ter consideração pelos professores, classe co-responsável pelo sucesso dessa educação, é, no mínimo, insultar pessoas. Somos (também) pais, avós, tios, primos, amigos... Em suma: somos pessoas com obrigações, mas também com direitos, liberdades e garantias. Somos cidadãos (como tantos outros profissionais), respeitem-nos por favor.

O "pão do Rogil"

As férias na Costa Vicentina começam (quase sempre) a comprar pão no Rogil - o "Pão do Rogil".
Depois de provar o pão de alfarroba, fiquei fã. Costumo torrá-lo, pois fica leve e estaladiço, e pronto a comer com queijo de cabra fresco (alentejano, de preferência). Este ano não resisti, também, a uns bolinhos de miolo de amêndoa, divinais. Por vezes, o pecado da gula é mais forte, e lá se vai a "dieta" sem acúcar... Pequenos delitos, totalmente aceitáveis, em tempo de férias.

Porém, não se fala apenas de pão, quando mencionamos a expressão: "pão do Rogil" - uma padaria de família, desde 1965; nessa altura, a farinha utilizada, no fabrico de um pão macio de côdea estaladiça, era obtida a partir da moagem do trigo no moinho do Rogil -, ali se fabricam, também, diversos produtos de pastelaria: bolinhos, broas, bolachas e biscoitos à base de batata doce de Aljezur, azeite, mel e frutos secos variados; tudo feito à mão e cozido em forno de lenha. Produtos criativos, de sabores (às vezes) exóticos, sem nunca esquecer os sabores tradicionais. 

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Nota: ao lado da padaria/pastelaria do " Pão do Rogil" existe um espaço museológico, onde podem ser apreciados, entre outros elementos, alguns dos mais antigos utensílios da padaria, da família Claro.

 

 

 

 

 

 

 

 

Solidão vs companhia

Há quem considere que o "isolamento social" é "preditor de pior saúde", havendo, inclusive, estudos científicos que correlacionam a saúde (e a recuperação em caso de doença) com o tipo de relação afetiva e/ou social que o indivíduo possui. Em suma, o nível de satisfação emocional, subjacente às relações afetivas que temos, poderá ter consequências (positivas ou negativas) na nossa saúde? Parece que sim. Segundo os dados, quem vive só terá mais dificuldades de recuperação e estará mais predisposto a determinadas doenças. Ao ler um artigo, alusivo ao tema em questão, lembrei-me de um velho ditado a que a minha avó materna (frequentemente) aludia: "Filha, mais vale só que mal acompanhada". Realmente, se considerarmos as falsas amizades que proliferam nas redes sociais e algumas relações (conjugais e não só) doentias, creio que a minha avó tinha toda a razão deste mundo. Se a solidão é má, o que dizer da hipocrisia e da falsidade que nos rodeiam? Venha o Diabo e escolha...

Viver o momento

O que vale antecipar angústias, premeditar o futuro?
Tudo o que existe é o momento. Todo o momento é passado e é futuro. Viver no presente é viver inteiramente. Qualquer projeção futura ou nostalgia de outrora traz à mente desassossego e intranquilidade. Deixar a vida acontecer (para o bem e/ou para o mal) sem sofrer por antecipação, e ter por companhia as pessoas certas, é viver com prazer e sem necessidade de obediência ao rebanho. Pôr de lado o que nos provoca desconforto e/ou mau-estar. Eliminar as pedras do caminho e caminhar ao sabor do universo...

O que vale a palavra?

 

Às vezes tudo, às vezes nada. Sempre assim foi e assim será.

A palavra, símbolo da existência humana, continua a representar ideias, factos, conceitos e teorias… uma representação nem sempre fidedigna das ações a que pretende aludir e/ou dos objetivos que pretende alcançar. Seja qual for o valor intrínseco da palavra, o seu efeito continuará a fazer-se sentir, nos mais diversos momentos. Assim, a palavra pode ser uma lufada de ar nos momentos de tormenta, uma almofada de conforto na tristeza dos dias, uma recompensa de jornadas de luta… Em suma: um valor acrescido, quando aquilo que se diz (ou se escreve) traduz, na perfeição, aquilo que se pensa. Bem sei que “um gesto vale mais que mil palavras”. Não duvido, mas hoje, e aqui, o valor da palavra tem outro significado: uma crença de que a palavra certa, no momento certo, pode fazer a diferença. É disso que se trata, de palavras sérias e aconchegantes, palavras informais e libertadoras, palavras de amabilidade e compaixão e não de palavras falsas e vãs. Palavras que conduzam a tudo aquilo que o mundo precisa: viver, plenamente, cada momento, sem comportamentos típicos de uma pequenez de espírito.

Politiquice(s)

Portugal, "país à beira-mar plantado", "país seguro", um território de beleza ímpar não se coaduna com políticas que contribuem para o enriquecimento de alguns e o progressivo empobrecimento da maioria.
O Património histórico (natural, cultural e arquitectónico) de Portugal não conjuga com políticas que desvalorizam a Saúde e a Educação; políticas que não dignificam a condição humana, antes acentuam problemáticas que desvalorizam as pessoas. Portugal precisa de políticas que respeitem a diferença: políticas de honestidade e verdade, políticas coadjuvadas por todos (sem exceção). Quando a política deixar de ser um ninho de interesses e se tornar um instrumento de partilha de poderes, talvez Portugal se torne verdadeiramente Interessante. Até lá... vamos sobrevivendo (com as politiquices de alguns).

Voltar (à cidade)

Voltei. Por instantes deixei a cidade entrar: observei recantos, respirei aromas, revivi sabores, recordei sons.
Senti felicidade, senti nostalgia. Senti tristeza, senti alegria.
Lisboa é isto: um mosaico de sensações que me fazem vibrar a alma e agitar o pensamento.
Nada é igual, quando a sombra do passado teima em seguir o trilho do presente... e enquanto a melancolia esmaga a permanência no agora, o coração emudece de saudades.
Desfoco-me e mergulho num mar de diversidade: cores, sons, palavras soltas, olhares vazios no turbilhão das ruas. Uma multidão de rostos ausentes, uma impessoalidade que me atrai e repele.

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Beja, capital?

Na rua deserta já se respira o ar "quente" da planície; as paredes brancas ofuscam-me o olhar. No centro da cidade, meia dúzia de transeuntes entram e saem das (poucas) lojas que resistiram à recessão. Uma cidade triste, sem energia e sem dinâmica de vida, sem sonhos...
A alma da cidade está moribunda: onde andam as gentes que outrora se juntavam na meia-laranja e que sorriam genuinamente?
Vejo no rosto de quem passa a apatia que reina: falta de alegria, ausência de ambição, descrédito no futuro.

Será possível inverter a situação? Talvez. Antes de tudo, devolvendo à cidade a massa crítica capaz de dinamizar o tecido empresarial e social. Tarefa difícil? Sim, mas não impossível.