Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Em Alte

Gosto do Algarve "desconhecido", mais natural, e ainda meio "selvagem", onde a massificação turística vai chegando lentamente: o barrocal - a região localizada entre a serra algarvia e o mar, onde encontro vales verdejantes, que intersectam uma paisagem rica em história geológica, comida regional - com toque de modernidade (e às vezes crativa) -, e um modo de vida ao ritmo das aldeias.
Em Alte (aldeia do concelho de Loulé), vive-se o verdadeiro espírito do barrocal. A paisagem envolvente e os recursos naturais permitem ao visitante desfrutar de uma estadia descontraída; destaco as fontes de Alte - sobretudo a "Queda do Vigário" -, locais paradisíacos, onde se pode fazer um piquenique, para além de se poder dar um mergulho nas águas frescas e límpidas.
Obviamente que a minha visão é diferente, daquela de quem ali vive diariamente. Completamente de acordo. Ainda assim, morar nas aldeias do barrocal algarvio é viver de forma saudável, longe do bulício e da poluição dos grandes centros urbanos. Ali respira-se paz e sossego, ar puro e tempo, mais tempo, para o que é realmente importante: estar connosco mesmos.

Nota: aconselho a visita nos meses de menor afluência turística (abril e maio ou outubro e novembro). 

image.jpeg

image.png

image.png

image.png

image.png

image.png

image.png

image.png

image.png

 

 

 

 

A caminho da ribeira

 

Chego à aldeia, quase ao entardecer. O silêncio quebra-se quando atravesso o casario, em direção à ribeira: um cão que ladra vem ao meu encontro; dirijo-lhe meia dúzia de palavras e um gesto de afeição. Nada temo do velho animal, cansado da mudez dos dias...
Prossigo a caminhada, sentindo em comunhão o corpo e a mente, enquanto inalo os aromas do campo. No pinhal, a voz do vento sussurra-me ao ouvido uma melodia que evoca saudade... No lado oposto, o pio de uma ave desfoca-me o pensamento. Fico atenta; perscruto angústia naquele canto. Um pouco mais à frente, um coelho saltita no pasto ressequido, para logo desaparecer, por entre as estevas da berma do caminho... Ando mais um pouco, até o sol se esconder atrás do monte.

A caminho da ribeira... sinto-me una com a mãe-Natureza e inundada de uma paz única, que se vivencia nos campos do Alentejo.

 

image.png

 

 

 

 

 

 

 

(Atravessando) a planície

A planície e o montado enchem-se de flores para saudar a primavera: amarelo, branco, roxo. Na amálgama de espécies do coberto vegetal, as abelhas procuram o néctar vital e os répteis acordam da letargia de inverno. No céu azul, um milhafre, planando, quebra o silêncio dos campos. Ao longe, o branco caiado das casas salpica de luz o verde dos montes.
Cerro os olhos para apreciar melhor os odores da planície florida. Grata pela serenidade que o campo me proporciona, tenho a sensação que pairo no ar.
A sensação perdura enquanto percorro as ruelas da pequena vila - calma e tranquila, como o são outras vilas e cidades alentejanas. Aprecio os detalhes da arquitetura local: das igrejas, do castelo, do casario em geral. Retalhos da história de um povo, que nos transportam para outros tempos. Tempos de guerra e de paz, de desânimo e de esperança, de tristezas e de alegrias. Passado que só a arte e a cultura populares nos permitem revisitar. E nisso, o Alentejo é rico e profícuo.
Lições de cultura que a travessia dos campos alentejanos propicia. Talvez por isso, “viajar cá dentro” tornou-se viciante. Hoje, mais do que nunca, o Alentejo é o meu vício.
Porque há uma luz especial por terras alentejanas: uma luz que brilha ainda mais na planície e a torna mágica. Magia que envolve e faz sonhar. Puro prazer, em que a alma renasce e o corpo descansa. Momentos inesquecíveis, que me permitem “beber um café comigo mesma”.

DSC05854.JPG

DSC05848 (2).JPG

DSC05840.JPG

DSC05907.JPG

DSC05923 (2).JPG

DSC05921 (2).JPG

DSC05911.JPG

DSC05924.JPG

DSC05887.JPG

DSC05881 (2).JPG

DSC05898.JPG

DSC05902.JPG

DSC05884.JPG

DSC05886 (2).JPG

DSC05869.JPG

DSC05981 (2).JPG

DSC05982.JPG

DSC05977.JPG

DSC05993.JPGNota: fotos tiradas na regiao de Évora (Alandroal e Redondo).

 

 

No coração da Natureza

Perto de mim alguém dizia: “Cheira a raposa!” É assim, no coração da natureza. Aromas, fortes, que se entranham e nos fazem sentir a essência da Vida.

Num sobe e desce constante, enquanto caminho vou recriando cenários passados. Como seria o quotidiano, nestas paragens, há milénios atrás? Sem pressas nem ansiedade. Talvez. Uma vida simples, despojada, sem normas rígidas e sem limites. Ou não.

Enquanto a imaginação vai tecendo enredos, paro alguns instantes e inspiro o ar forte do campo. O riacho que corre entoando no vale… a perdiz que canta na encosta... Sons que embalam a mente e dissipam pensamentos. Sinto-me enraizar ali.

Em plena natureza sentimo-nos livres e autênticos: um estado de êxtase físico e mental cujo efeito se traduz num bem-estar total. Em suma: o remédio certo para estados de fadiga total e/ou nostálgicos.

149.JPG

151.JPG

146.JPG

152.JPG

154.JPG

162.JPG

170.JPG

171.JPG

 

156.JPG

160.JPG

 Nota: fotos tiradas no barranco da Água Alta (Parque Natural do Vale do Guadiana).