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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

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Túberas - as "trufas alentejanas" (?)

 Falar de túberas é o mesmo que falar de trufas? Eu julgo que sim. Aliás, creio que as túberas são uma variedade de “trufas brancas”. Há, até, quem lhes chame as “trufas alentejanas. Seja como for, as túberas são fungos, comestíveis, de forma arredondada (mais ou menos irregular), com sabor e aroma intenso, que se encontram com relativa facilidade nos campos do Alentejo. Desde a época romana que as “trufas” constituem uma iguaria muito apreciada, podendo atingir preços verdadeiramente exorbitantes.

 Por aqui, no Baixo Alentejo, estamos (ainda) em plena época da “apanha da túbera”. E não, não é necessário “cães e porcos” para farejar o solo e encontrar túberas. O segredo, passado de geração em geração (e muitas vezes bem guardado), consiste na capacidade de observação do terreno e de sinais (evidentes ou não) da presença das ditas.

 Desde criança que assisto ao “ritual” da procura dos famosos fungos: um sacho para revolver a terra, um chapéu na cabeça para proteger do sol que se faz sentir nesta altura do ano, e uma dose (grande) de paciência e sabedoria, diria. Normalmente, é nos terrenos mais “moles”, segundo os entendidos, lavrados há 2/3 anos e com “mato novo” que as túberas aparecem com maior frequência. Há, inclusive, uma linguagem muito própria deste ritual. A presença de uma zona do solo soerguida, com fendas, o chamado “escarchão” é, por norma, um sinal a reter. Caso se encontre alguma túbera isolada, também, não deve abandonar-se o local, pois nas proximidades estará, diz quem sabe, um conjunto maior das ditas – a chamada “leira”.  A minha avó materna, uma expert na matéria, depois de encontrar uma túbera isolada, tinha por hábito trautear uma espécie de lengalenga que, segundo a sua crença, ajudaria a encontrar o referido conjunto: “Parceira, parceira, dá-me a tua leira!”

 Como a tradição (neste domínio) ainda é o que era, apanhar túberas continua a ser um acontecimento frequente nos campos alentejanos, sobretudo, nos meses de março e abril - às vezes mais cedo (em fevereiro) se o inverno tiver sido chuvoso. Para além do prazer da degustação de tão famosa iguaria, ir para o campo procurar túberas é uma forma saudável de conviver em família (por exemplo) em contato direto com a natureza. 

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Nota: túbera[1] – cogumelo com a parte esporífera subterrânea, em regra, comestível; trufa.

 

 

[1] in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-04-13 14:17:44]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/túberas

No habitat da dieta mediterrânica

 

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Migas de espargos verdes selvagens com entrecosto frito

 

 A propósito do dia mundial da alimentação - que se comemora amanhã (dia 16 de outubro) - lembrei-me da importância da dieta mediterrânica no meu regime alimentar. Tendo crescido no seio de uma família tradicional alentejana, desde tenra idade que me habituei a sabores típicos da cozinha mediterrânica. Como o sabor das ervas aromáticas, muito usadas no tempero dos alimentos.

 Julgo mesmo poder afirmar: em Portugal o Alentejo é o habitat natural da dieta mediterrânica. O clima e a geografia da região conferem-lhe características únicas, propícias a uma economia em que a agricultura e a pecuária representaram (sempre) os principais setores. Concomitantemente, as ditas atividades sempre exerceram forte influência no regime alimentar das populações alentejanas.

 O pão (por exemplo) - muito utilizado em diversas sopas tradicionais e nas migas – era o alimento base. O que, aliás, se explicava devido ao cultivo intensivo do trigo.

 Outra característica, peculiar, da citada dieta: o uso de azeite, como gordura principal.

 Para além destas referências, outras, de merecedor destaque, poderiam ser enunciadas aqui: como os frutos secos, a carne das aves de capoeira, o peixe do rio e outros alimentos - ditos “bons” de acordo com as normas nutricionais.

 Em tempos, a referida dieta era tida como “pobre”. Quer por englobar reduzida variedade de alimentos, quer por uso excessivo de outros.

 Os tempos são outros - e as regras sobre nutrição alteraram-se. Há quem diga que a dieta mediterrânica é uma dieta saudável e rica em termos nutricionais. Talvez, por ser rica em fibras e antioxidantes derivados dos vegetais, legumes e frutos secos.

 Verdade ou não, certo é: a alimentação, para ser equilibrada, deve respeitar a famosa “roda dos alimentos” - e obedecer aos seus princípios. Comer de tudo, nas proporções corretas e adequadas à idade e profissão.

 Sem darmos conta, exageramos na ingestão de um ou outro alimento cujo paladar nos agrada mais. No limite, sacrificamos os rins - responsáveis pela “purificação do sangue”. Só mesmo um alerta para nos convencer que há: “alimentos bons e alimentos perigosos”. Alimentação equilibrada e alimentação desequilibrada. A escolha é nossa. O caminho certo existe. Só necessitamos de optar.

 

Nota: a Dieta Mediterrânica foi declarada Património Cultural Imaterial da Humanidade, em 2013.