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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Líderes vs Chefes

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 Cresci aprendendo que numa sociedade organizada há divisão pelo trabalho, onde alguns, pela sua capacidade do exercício da autoridade, poder de decisão e competências, comandam/dirigem outros, que neles depositaram a sua confiança ao nomeá-los (ou elege-los) como tal. Há quem lhes chame chefes; eu prefiro chamar-lhes líderes - aqueles que dirigem.

 Enquanto ser chefe pressupõe o exercício de um cargo, o conceito de líder reúne um conjunto de qualidades/aptidões/capacidades que o distinguem como um exemplo a seguir. Ser líder não significa, necessariamente, ser chefe; também o facto de alguém ser chefe, um cargo, não significa ser possuidor das características inerentes à condição de líder.

 Pelo contrário, os verdadeiros líderes não necessitam de exercer cargos de chefia para se fazerem notar; são por natureza pessoas especiais por se evidenciarem de modo espontâneo - que primam pela qualidade na sua forma de agir e em relação aos seus propósitos. É destes Líderes que o Mundo precisa! Não daqueles que, à custa da bajulação e da sede de poder, vão teimando em alimentar-se da ignorância e ceticismo alheios, dominando tudo e todos. Desses, o povo está cansado, farto.

 Talvez por isso os grandes líderes não são aqueles que são impostos aos olhos do povo, mas antes aqueles, que não parecendo líderes, são um exemplo e exercem, com naturalidade, sobre os “súbditos” uma influência extrema. Com dinamismo, poder e liderança vão trilhando caminhos - nunca antes desvendados - e cunhando projetos ímpares. A sua palavra chega-nos como uma força da natureza: robusta e pragmática; sem mas nem reticências; sem vaidades; uma palavra única e motivadora, autêntica e desprendida.

 O que queremos? Queremos líderes! Pessoas despojadas do “poder doentio”; pessoas resilientes, capazes de servir o povo na verdadeira aceção da palavra.

Já não há pachorra!

 

 Ligo o rádio pela manhã, bem cedinho, e as notícias são sempre as mesmas: “instaurado processo de inquérito para averiguar situação do banco K (...)”, “entidade reguladora W vai analisar caso de (…)”, “inspetor X vai ser sujeito a inquérito (…)”, “fugiu ao fisco no ano Y (…)”, “comissão parlamentar vai analisar o desvio de milhões para empresa Z (…)”, etc. ,etc. Afinal vivemos em Portugal ou num país inventado?

 Qualquer cidadão, por mais distraído que ande, não consegue alhear-se do caldeirão de dúvidas e de casos dúbios que fervilha no mundo político e financeiro. A cada dia que passa, a mixórdia aumenta e acentua-se o fosso entre os “grandes” da política e do mundo financeiro e os “parentes pobres” do mesmo - os trabalhadores.

 Esquecendo (por instantes) os bombardeamentos da política pouco transparente, eis a realidade de um “parente pobre” : não tem cartão de crédito e/ou débito, para pagar almoços aos seus homólogos; não dispõe de carro de serviço e (frequentemente) de motorista; não usufrui de quaisquer mordomias e/ou regalias, a não ser o magro vencimento a que tem direito (por enquanto); não tem telemóvel nem plafond para a fatura do mesmo; não tem isto, não dispõe daquilo…

 De facto, quando olhamos para a Administração Pública (e seus funcionários) as diferenças saltam à vista: no salário, no horário, nas regalias, até no grau de responsabilidade social, entre outras discrepâncias.

 É esta realidade e este fosso que revoltam e contribuem (cada vez mais) para o descrédito e ceticismo instalado. Até quando?