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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

“Já não há Natal como o de antigamente!”

Cá em casa é frequente ouvir dizer: “Já não há Natal como o de antigamente!” Por hábito, não comento. Limito-me a ouvir o rol de recordações que a minha mãe vai debitando, junto à lareira. No caldeirão das memórias, há uma ou outra que se aviva: lembro-me, por exemplo, de ir à mata, nas traseiras da casa, colher o musgo para o presépio. Uma tarefa divertida, que a minha avó materna fazia questão de manter todos os anos. A montagem do presépio constituía um momento mágico, mas nem sempre pacífico. A disposição das figurinhas de barro, sobre o tapete de verdura, por regra, não obedecia ao sentido estético e decorativo que a minha mãe desejava. No entanto, entre uma alteração e outra, os figurantes ganhavam vida e o espírito de Natal inundava a casa.

Hoje, o presépio não tem musgo e as figurinhas de barro deram lugar a uma peça única, representativa da sagrada família. A árvore de Natal e outras alternativas decorativas vão dando aos lares o ar natalício na medida do desejo (e vontade) de quem neles habita.

Com presépio, ou sem ele, mais do que viver o espírito do Natal – em paz e harmonia, vive-se o consumismo dos tempos modernos: comprar mais e mais. Promoções e saldos (antecipados) vão atraindo à rede os consumidores mais desatentos, transformando uma dos mais antigas “reuniões familiares” num negócio sem limites. Talvez por isso (e muito mais), o Natal de hoje seja bem diferente do Natal de antigamente…

 

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Presépio na rotunda de Mértola, Natal 2014

 

 

Chegou o presépio!

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 Com a proximidade do natal as decorações alusivas à quadra já começaram a dar o ar da sua graça.

 Não sou muito apreciadora da época (já o disse), mas confesso que os presépios me cativam. Desde criança que aprecio as figurinhas simbólicas - metodicamente arrumadas e coordenadas entre si.

 Com a chegada do mês de dezembro, a minha mãe - como qualquer mãe de família cristã -, incentivava os filhos a montar o presépio. Mas antes disso havia a tarefa da colheita do musgo, na floresta próxima de casa. A dita recolha, que representava sempre um motivo de diversão, fazia-se, quase sempre, nos locais sombrios e húmidos, por ser aí que o tapete verde das minúsculas plantinhas – as funárias -, adquire maior espessura. A minha avó Jacinta, que nos acompanhava, gostava destas incursões pelo campo, durante as quais nos ia sensibilizando (e ensinando) para as leis da natureza – à sua maneira e sem grandes teorias, claro.

 Finalmente a decoração do presépio ficava-me reservada. E como eu gostava de colocar os pequenos “figurantes” - de barro pintado -, no seu lugar próprio… ainda que, mais tarde, a minha mãe desse o retoque final na arrumação.

 De entre todas as figuras do presépio, a minha atenção incidia sobre o Menino Jesus e os animais – particularmente a vaca e o burro. Ainda hoje me entusiasmo com o presépio… como o presépio da rotunda da avenida que todos os anos faz as delícias dos transeuntes.

 De noite e de dia, os representantes da Sagrada Família (e os Reis Magos) ali permanecem, dando as boas vindas a quem chega… e despedindo-se de quem parte.