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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Solidão vs companhia

Há quem considere que o "isolamento social" é "preditor de pior saúde", havendo, inclusive, estudos científicos que correlacionam a saúde (e a recuperação em caso de doença) com o tipo de relação afetiva e/ou social que o indivíduo possui. Em suma, o nível de satisfação emocional, subjacente às relações afetivas que temos, poderá ter consequências (positivas ou negativas) na nossa saúde? Parece que sim. Segundo os dados, quem vive só terá mais dificuldades de recuperação e estará mais predisposto a determinadas doenças. Ao ler um artigo, alusivo ao tema em questão, lembrei-me de um velho ditado a que a minha avó materna (frequentemente) aludia: "Filha, mais vale só que mal acompanhada". Realmente, se considerarmos as falsas amizades que proliferam nas redes sociais e algumas relações (conjugais e não só) doentias, creio que a minha avó tinha toda a razão deste mundo. Se a solidão é má, o que dizer da hipocrisia e da falsidade que nos rodeiam? Venha o Diabo e escolha...

Sós (no meio da multidão)

Sentada numa esplanada do bairro, uma idosa “coquete”; cabelos louros, óculos de sol de tamanho XXL, olha em redor. Enquanto bebe um café e fuma um cigarro, vai contemplando o espaço e as gentes, com todo o tempo que a vida lhe quiser dar. Parece-me tranquila, mas triste. Estará só? Viverá sozinha? Terá família e/ou amigos?

Na mesa ao lado, um homem jovem e bonito bebe o café apressadamente. Olhar inquieto, lunático, até. Sorve o café, acende um cigarro e apressa-se a sair. Mais uma vítima do frenesim da cidade. Julgo. No passeio lateral, dois idosos que se cruzam, cumprimentam-se. Talvez sejam vizinhos. Uma vizinhança pouco enraizada, superficial no trato e nos gestos. Relações débeis e temporárias, na maioria das vezes, que não se coadunam com amizade e solidariedade. Laços frouxos de um ambiente impessoal.

Tantos rostos à minha volta e nada me dizem. Desgastados pelo tempo e com ar triste, deambulam pelas ruas da cidade.

São cada vez mais as pessoas que vivem sozinhas. Ou por vontade própria ou por imposição de qualquer índole, a solidão, no sentido da ausência de companhia, tomou conta da vida de muita gente.

Frequentemente, a ausência de convívio interpares, no próprio local de trabalho, agrava a situação. Ou se trabalha por objetivos e há que cumprir dentro do prazo estabelecido, ou a correria diária devido aos horários e afazeres é de tal modo intensa que não deixa margem para descomprimir. Resultado: movemo-nos na “multidão” mas vivemos à margem da mesma. Diria antes: sós (no meio da multidão).

 

 

Do vazio do tempo e da alma

banco.jpg

Olhar vazio,

Perdido na memória do tempo.

No banco solitário, vive o silêncio do nada e de tudo.

Um calafrio gela-lhe a alma. Recua. O vazio do depois assusta-lhe o Ser.

Por entre as lágrimas da solidão sente a alma envolver-se na tranquilidade que paira sobre o lago. Chora baixinho, enquanto o coração lhe salta do peito.

Contraria a emoção e avança no pensamento. Afinal nada mais existe - para além do Agora e de um corpo ávido de amor. O horizonte? É incerto e nada vale.