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Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Desabafos de uma viajante (de autocarro)

 

  1. Cumprir horários num dia feriado (um verdadeiro massacre, para quem almeja por um dia livre de obrigações/deveres!);
  2. Suportar o cheiro a “patchouli”, do viajante no banco ao lado (um enjoo!);
  3. Parar em todos os apeadeiros e mais alguns (que paciência!);
  4. Respirar o ar poluído nos terminais rodoviários (uma tortura, para quem adora ar puro!);
  5. Ficar faminta e não poder parar para comer algo (uma “fome dos diabos”!);
  6. Aturar o ladrar de um “cãozinho de dama”, no terminal, que não parou de “atiçar” o cãozarrão do lado (insuportável!);
  7. Ouvir a gritaria de uma senhora, ao telemóvel, a explicar a sua primeira visita à capital (enervante!)
  8. Arrumar a bagagem de mão, num espaço exíguo (uma manobra difícil!)
  9. Comer uma sandes desenxabida na “barraquinha da esquina” porque o único bar do terminal tem uma fila sem fim (um atentado à saúde!);
  10. Ficar com os braços doridos, de puxar o trolley pesadíssimo (uma prova de esforço!);
  11. Querer ler e não conseguir passar da primeira linha porque alguém, no banco de trás, resolveu amachucar uma garrafa de plástico vazia, como se de uma bola anti stresse se tratasse (irritante e desconcertante, depois de seis horas em viagem!);
  12. Resolver fazer “meditação” para relaxar do stresse já instalado… (tarefa inglória!).

 

Como se não bastasse, a memória resolveu fazer das dela e assolar-me o espírito com “nostalgias” de outrora… uma odisseia! A não repetir nos tempos mais próximos.

 

“Viajar cá dentro”

 Há uns anos viajar significava, quase sempre, sair do país. Nos tempos que correm, o conceito de “viajar cá dentro” está cada vez mais em voga. Hoje, muitos de nós desejam, afincadamente, conhecer em primeiro lugar o seu próprio país.

 O que aconteceu? Uma inversão de vontades? Ou uma imposição de vontades? Seja lá o que for, importa salientar esta mudança de atitude.

 No limite, na base dessa alteração, encontramos alguns conceitos fundamentais: “turismo em espaço rural”, “turismo de habitação”, “agroturismo”, “enoturismo”, entre outros. Novos modelos de desenvolvimento do turismo - que ganharam relevo e adeptos – constituem vertentes potenciadoras de um novo olhar sobre o que é “nosso”. Uma estratégia que permite contactar de perto com as belezas naturais de Portugal.

 Mais próximos da natureza, valorizamos, mais, o que este país tem de melhor: clima, paisagens, história, património, gastronomia e cultura. Uma riqueza incomensurável que os nossos escritores (clássicos) tão bem souberam apreciar - e descrever nas suas obras literárias. Quem não se lembra, por exemplo, das idílicas paisagens de Sintra, minuciosamente descritas por Eça de Queirós na sua obra “Os Maias”? Para não falar de outras magníficas paisagens deste país, que Almeida Garret tão bem caracterizou no livro: “Viagens na minha terra” ou, porque não, “Os Serões da Província” do Júlio Dinis, etc. Tantas descrições, quantas as paisagens que Portugal nos oferece.

 Por outro lado, a crise económica e financeira que atravessamos - e que despoletou nas famílias uma contenção nos gastos - reprimiu desejos e vontades mas proporcionou um conhecimento mais efetivo da nossa realidade.

Diria mesmo: “viajar cá dentro” é uma mais-valia porque “só se ama aquilo que se conhece”.