Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

Escrita ao Luar

Um blog de “escrita” sensitiva e intimista sobre (quase) tudo... e com destaque para: viagens, ambientes inspiradores e gastronomia.

O cantinho ideal para um café...

Em pleno largo, a olhar o rio, na "loja da Marta" (como é conhecido entre amigos) encontrei o cantinho ideal para um café comigo mesma; um espaço para aqueles dias em que apetece estar no Agora, sem (muitas) interferências externas.

Um espaço acolhedor, com toque de personalidade: Alemcante (em Mértola) - a "minha" coffee shop do momento.

 

image.png

 

 

Ervas daninhas ou plantas comestíveis?

É outono. As ervas daninhas já invadem a beira do caminho. Provocadas pelas primeiras chuvas, irrompem entre a manta morta do pinhal, intersectam culturas, despontam aqui e acolá. Há quem as julgue inúteis e/ou prejudiciais, na medida em que competem com as demais plantas domesticadas. Outros, porém, têm opinião contrária: todos os estratos vegetais podem coexistir nos ecossistemas, sem que haja, necessariamente, atropelos ou desvantagens competitivas. Além disso, muitas das ervas daninhas são plantas perenes comestíveis. Os nossos antepassados utilizavam muitas delas, quer na alimentação, quer para fins terapêuticos/medicinais. Nesta altura do ano, o campo está pejado destas espécies. Todavia, é necessário saber identificá-las, pois há variedades tóxicas e outras venenosas.

Há dias tive o prazer de assistir a uma autêntica "aula de botânica", em pleno campo, dirigida por Stephen Barstow - o especialista mundial nesta matéria. Deixo-vos um testemunho desta aula: um exemplo prático de utilização da planta conhecida por umbigo-de-vénus (vulgarmente apelidada de chapéu-dos-telhados) - uma planta comestível, que pode constituir um excelente ingrediente de saladas verdes. Diz S. Barstow que é "tenra e crocante" apesar do "sabor ligeiramente ácido". Mais uma novidade, para acrescentar ao elenco das dicas de alimentação naturalista.

image.png

(Nome comum: Umbigo-de-vénus)

image.png

(Nome comum: Acelga selvagem)

image.png

(Nome comum: Salva brava) 


Nota: https://www.cm-mertola.pt/municipio/comunicacao-municipal/noticias/item/2816-stephen-barstow-e-as-plantas-perenes-comestiveis-do-vale-do-guadiana

 

 

 

 

 

 

 

Pôr-do-sol no Alentejo

Teria (julgo) os meus doze anos, quando escrevinhar sobre emoções e sentimentos se tornou um hábito: numa espécie de diário, registava palavras soltas sobre os pensamentos mais íntimos. Desde essa altura, que me lembro do efeito benéfico do pôr-do-sol, no meu estado de espírito. Ainda hoje, essa influência perdura: adoro a luz dos amantes e dos encontros românticos; a luz da fantasia da primavera da vida; a luz dos sonhos efémeros; a luz da tranquilidade dos campos, à tarde, no Alentejo. Adoro o pôr-do-sol.

image.png

image.png

image.png

image.png

image.png

 

 

 

 

Mértola está (mesmo) "na moda"

090.jpg

 No beco virado ao rio, um grupo de turistas aprecia a paisagem. Enquanto se deslumbram, vão tecendo comentários; entre uma palavra e outra (que escuto sem querer) consigo perceber que uma visita ao castelo faz parte do périplo. Como este grupo, dezenas de outros visitantes optaram por Mértola, como destino de fim-de-semana ou, simplesmente, como local de passagem a caminho do Algarve.

 O calor que se fez sentir nos últimos dias não impediu que calcorreassem as ruelas do centro histórico, para conhecer um pouco mais da vila museu. E com isso, Mértola ganhou vida. É certo que grande parte dos visitantes esteve apenas de passagem; outros, porém, permaneceram por mais tempo (uma ou duas noites - de acordo com a disponibilidade financeira) aproveitando para descansar nas excelentes unidades hoteleiras à disposição - disfrutando do conforto e qualidade das mesmas, numa envolvência natural única.

 Não há dúvida: o turismo em Portugal está em fase ascendente. Mértola é um exemplo disso. Começa a ser comum: ouvir falar línguas estrangeiras nos diversos espaços públicos e ver um fotógrafo em cada esquina.

Definitivamente: “Mértola está na moda!”

 

098.jpg

026.JPG

237.JPG

246.JPG

247.JPG

250.JPG

047.JPG

255.JPG

IMG_4914.JPG

IMG_4811.JPG

 

044.JPG

045.JPG 

253.JPG

145.jpg

153.jpg

116.jpg

150.jpg

079.JPG

821.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 035.JPG

IMG_4947.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A "loja do Sr. Artur"

007.JPG

 Há espaços que, de tão peculiares, nos transportam para outro tempo, outra realidade. Foi isso que me aconteceu quando, a pretexto de comprar uma garrafa de água, entrei na “loja do Sr. Artur”.

 Entrei, observei – durante algum tempo -, e só depois de rever algumas imagens guardadas na memória, encetei conversa com o proprietário – Artur O., que, com enorme simpatia e agrado, me explicou como é possível (ainda) manter, no atual contexto socioeconómico, este tipo de estabelecimento comercial: um misto de mercearia e retrosaria, onde se vende (e há) de tudo.

 “Depende da época” – referiu. “No inverno vendem-se mais lãs!” Embora resignado com a situação que se vive neste tipo de comércio (a retalho), está patente um brilhozinho nos olhos quando fala da loja no “antigamente”. E eu, curiosa e atenta, e num momento ou outro comovida (até), lá fui escutando a descrição detalhada da arquitetura interior do espaço, quando o mesmo pertencia aos antigos proprietários: o Sr. Eurico e a esposa Isabel Revez. Nesse momento, a memória parou-se-me no tempo: do pequeno compartimento de madeira – o escritório improvisado, o Sr. Eurico, sempre com um sorriso, saía para dar uma palavrinha de apreço aos clientes habituais ou para tentar vender algum produto. A esposa, sempre bem-disposta e extrovertida, lá ia supervisionando as vendas, enquanto deambulava atrás do balcão com um sorriso nos lábios - sempre pintados de vermelho.

 Hoje, a realidade é outra. O despovoamento acentuado do interior do país, nas últimas décadas, tem provocado repercussões negativas neste género de negócio; manter a “porta aberta” é cada dia mais difícil – na opinião do Sr. Artur.

 

 E foi assim… recordando o Passado, que o Presente se impôs aos meus sentidos.

 

012.JPG

011.JPG

010.JPG

013.JPG

014.JPG

015.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na "rota dos sabores" 16

022.JPG

 À hora marcada, a chegada: restaurante “Casa Amarela”, em Além Rio. Como é hábito (quase) diário - para aquela margem - o percurso fez-se a pé. Uma oportunidade única de (re)ver a belíssima paisagem da vila museu, que, majestosa e imponente, se afirma na margem direita do rio Guadiana. Uma imagem marcante pela rara beleza, um quadro digno de apreço. Como merecedora de apreço é a decoração da “Casa Amarela”: muito clean e muito cosy. Um ambiente que nos transporta para outras paragens - longínquas, até. Tudo pensado (e planeado) na perspetiva do conforto e bem-estar do cliente.

 A mesa reservada no terraço - sobranceiro ao rio e emoldurado pela vila museu – reporta o espaço para um quadro impressionista. E enquanto aguardo a chegada da bebida - um rosé bem gelado, da produção local - vou saboreando a magia e o encanto do momento.

 A degustação de um buffet[1] de cariz mediterrânico com salpicos de cozinha de fusão deixou-me totalmente rendida. A entrada, uma sopa fria – gaspacho – seguida de um misto de saladas e “frango de escabeche” foi o mote para uma refeição muito especial, rica de sabores, mas sem nunca perder o cunho da tradicional cozinha alentejana. Seguiu-se um “bacalhau com espinafres à casa” que acompanhei com “salada de alface, maçã e nozes”. Por fim, e porque sou alentejana e adoro: “borrego assado no forno com alecrim” acompanhado de “arroz de cogumelos” e “batatas assadas com ervas aromáticas”. Delícias gastronómicas, confecionadas pela D. Odete - a cozinheira de serviço, sob a supervisão de Marta Luz, a proprietária – e que aconselho vivamente a provar.

 A sobremesa: “bolo de chocolate acompanhado de gelado de baunilha e coulis de frutos vermelhos” - uma ode ao paladar – finalizou um magnífico jantar no restaurante cuja vista panorâmica sobre a “vila velha” deslumbra e inebria os sentidos – mesmo aos menos românticos.

027.JPG

060.JPG

065.JPG

075.JPG

051.JPG

046.JPG

055.JPG

052.JPG

050.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nota: pontuação máxima para a simpatia e profissionalismo no atendimento e uma excelente relação qualidade/preço.

 

[1] O restaurante também tem disponível um menu “à la Carte”.

"Casa do Funil" - a nova casa de campo em Mértola

1122.JPG

Desce. Sobe. Sobe e desce. É este o ritmo das andanças na vila velha. Um labirinto de ruelas que me conduzem à rua da “Torre do Relógio”, passando pelo “funil” – uma passagem estreita por onde vislumbro o rio.

 Hoje a ida tem um motivo: inauguração da casa de campo “Casa do Funil”. A nova unidade hoteleira do burgo (que os amigos Paula e Rui tão bem souberam arquitetar e decorar).

 Antes de conhecer o novo espaço, houve lugar a uma animação de rua: uma curta peça teatral para animar os convidados. Um momento de verdadeira descontração, ou não fosse o local uma rua emblemática, deste cantinho à beira rio plantado…

 Seguiu-se um pequeno beberete - na zona de receção e loja gourmet -, onde deliciosas iguarias se fizeram acompanhar dos excelentes vinhos da região – rosé e branco bem fresquinhos.

 No final o reconhecimento do espaço e a certeza de estarmos numa casa tranquila, onde o espírito Zen se faz sentir. Recomenda-se a estadia.

1141.JPG

1143.JPG

1129.JPG

1139.JPG

1145.JPG

1140.JPG

1146.JPG

1150.JPG

1151.JPG

1152.JPG

1155.JPG

1161.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Arte (na rua)

passeio Mértola fevereiro 2015 036.JPG

 

 Sair de casa e respirar o ar fresco do dia. Sentir o sossego da vila… apreciar as ruas (Tudo) como se do primeiro olhar se tratasse. É esta alquimia de sensações que me apraz e faz sentir completa. Num misto de cores e traços (e de contornos) vou descobrindo as obras de arte pública da vila. Obras que denunciam paixão, cultura, história, lutas e conquistas… obras do Homem para as gentes desta terra (e não só).

 Foi neste registo que deixei a lente captar esses testemunhos do engenho e da arte humana. Um olhar descontraído, com tempo (ao domingo), num dia vulgar (de inverno).

 Estar sozinha comigo e apreciar a beleza das coisas… entranhar-me no silêncio das ruas e viajar no passado. Sentir a alma dos espaços e a História que os veste.

 Quero permanecer assim (ali)… até que o presente me acorde e faça sentir distante.

 

passeio Mértola fevereiro 2015 015.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 035.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 044.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 046.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 050.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 060.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 070.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 063.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 065.JPG

passeio Mértola fevereiro 2015 061.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A loja do Sr. Relego

passeio Mértola fevereiro 2015 012.JPG

 Não sei bem que idade tinha! Talvez oito, talvez nove anos. Ainda hoje o cheiro forte do café (acabado de moer) está guardado na minha memória - como se fosse ontem que o aroma, pairando no ar, perfumasse o ambiente. Além do cheiro envolvente, o ruído do moinho, triturando os grãos de café, completa o cenário da lembrança da loja de José André G. e Suc. - a loja do Sr. Relego, assim conhecida por muitos.

 Na confluência da Rua 25 de Abril com o Largo Vasco da Gama, em pleno centro da vila, a loja centenária (hoje reconvertida) manteve até aos anos oitenta a traça antiga. Do mobiliário à disposição do mesmo, dos artigos ao atendimento personalizado, tudo permaneceu imutável durante décadas. Um estabelecimento comercial (onde se vendia de tudo), cujo comércio a retalho constituiu, também, uma das suas mais-valias.

  A entrada fazia-se por duas portas, defronte do longo balcão de madeira. Atrás, as altas estantes albergavam: de um lado, os produtos correspondentes à zona da mercearia, do outro, os tecidos (e restantes artigos) na zona da retrosaria. Na parte traseira do rés-do-chão, a contra loja (como lhe chamavam), arrumavam-se os artigos excedentes (e não só). À direita do balcão e com acesso direto a partir do mesmo (ou através de porta para o exterior) localizava-se o escritório, o lugar de eleição do proprietário e gerente do estabelecimento, onde se fazia toda a escrita e contabilidade da empresa.

 Lembro-me de acompanhar a minha mãe nas compras e ficar impressionada (e curiosa) com a destreza manual do empregado da retrosaria a medir os tecidos com o metro de madeira. Ainda hoje consigo visualizar aqueles movimentos precisos das mãos e do metro. O Alfredo, assim se chamava, sustinha sempre um lápis atrás da orelha e cantarolava enquanto degustava um pequeno grão de café - um rapaz alegre e bem-disposto que sabia vender como ninguém.

 Nos armazéns contíguos, eram recolhidos os produtos tradicionais fornecidos pelos produtores locais: cereais, lã, frutos secos e outros. Uma transação comercial que fez da empresa uma referência (até aos anos setenta) no que ao comércio diz respeito.

 O (des)carregamento dos produtos, junto aos armazéns (na Rua da República), era frequente e pressupunha alguma azáfama diária por ali. Ainda me lembro do Sr. Carrilho com uma saca de estopa (dobrada de forma triangular) enfiada na cabeça, para evitar ficar empoeirado, a (des)carregar os sacos de cereal e/ou de farinha dos camiões, para dentro do "armazém das farinhas" e vice-versa. Um trabalho árduo, sem qualquer ajuda mecânica para além de um velho carrinho de mão. Outros tempos, outros métodos de trabalho...

 No armazém frontal (situado no piso superior da loja principal) estava montado o velho moinho de café, no qual o Sr. Fernando (outro funcionário) moía café, várias vezes ao dia, para que o mesmo não faltasse na “lata” da estante da mercearia. Também ali se arrumavam, em local seco e fresco, os “fardos de bacalhau” e outros produtos do género.

 Uma loja com história cuja alquimia de cheiros e sabores marcou presença até ao início deste século…

IMG_5935.JPG

A caixa registadora e o velho moinho de café da loja do Sr. Relego